Lição de democracia

Reação imediata e Judiciário impediram ruptura no 8/1, afirma Lavareda

O golpe de 8 de janeiro de 2023 não se concretizou, segundo o professor Antonio Lavareda, pela combinação de quatro fatores: a reação imediata à tentativa de ruptura; o papel desempenhado pelo Judiciário, sobretudo por STF e TSE; a resistência da grande imprensa; e a posição contrária dos Estados Unidos a qualquer iniciativa dos militares de quebrar a ordem institucional.

Divulgação

Antonio Lavareda

O professor Antonio Lavareda durante sua aula no curso da FGV

Essa análise integrou a conferência de abertura de Lavareda no curso “Os Desafios da Democracia no Século XXI”, destinado a magistrados e promovido pela FGV Justiça na sede da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. O professor falou sobre “Crises e Polarizações na Nova República”. O curso começou nesta segunda-feira (15/4) e terminará na próxima sexta (19/4).

O objetivo do curso é capacitar julgadores com abordagens teóricas e práticas das ciências sociais a respeito do papel do Poder Judiciário na preservação dos valores democráticos. Os 50 participantes selecionados pela FGV vão aprofundar seus conhecimentos em temas como relação entre poderes, meio ambiente, racismo estrutural, segurança pública, papel das Forças Armadas, mídia e polarização política.

A coordenação do curso é do ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça; de Pedro H. Villas Bôas Castelo Branco, cientista político e professor no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj; e de Blanche Marie Evin, doutora em ciência política pela Uerj.

O evento conta com o apoio da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufe); da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra); da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB); e do Conselho dos Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre).

Programação completa

Segunda-feira (15/4)
9h às 12h: Conferência de abertura — “Crises e Polarizações na Nova República”
Professor Dr. Antônio Lavareda

18h às 21h: “Teoria da Democracia e Crise da Representação”
Professora Dra. San Romanelli
Professora Dra. Luciana Villas Bôas

Terça-feira (16/4)
9h às 12h: “Geopolítica e Nova Ordem Mundial”
Professora Dra. Monica Hirst

18h às 21h: “Meio Ambiente, Política e Mudanças Climáticas”
Professor Dr. Carlos Milani

Quarta-feira (17/4)
9h às 12h: “Desigualdade de Raça no Brasil”
Professor Dr. Luiz Augusto Campos

18h às 21h: “Mídia, Política e Extrema Direita”
Professor Dr. João Feres Jr.

Quinta-feira (18/4)
9h às 12h: “Forças Armadas, Democracia e Política”
Professor Dr. Pedro H. Villas Boas Castelo Branco
Professora Dra. Carina Barbosa Gouvêa

18h à 21h: “Segurança Pública no Brasil”
Professora Dra. Samira Bueno

Sexta-feira (19/4)
9h às 12h: “Polarização Política e suas Implicações no Funcionamento das Instituições”
Professor Dr. Fabiano Santos

18h às 21h: “Os Desafios da Democracia do Século XXI”
Professor Dr. Cícero Araújo

Eduardo de Castilhos Fritz disse:
16 de abril de 2024 às 21:10

Ninguém salvou a democracia. Se alguém tivesse salvo, o 08 de janeiro não teria acontecido. O que salvou a democracia foi a incompetência dos golpistas. O movimento não tinha liderança. Todos esperavam que o outro resolvesse a situação. Depois que o bicho papão saiu da presidência, todos começaram a sair debaixo das camas e se apresentarem como os salvadores da Pátria.

kersting roque disse:
18 de abril de 2024 às 17:22

Golpe?
Só rindo.
Quem era o líder?
Quem era a autoridade a ser deposta?
O golpe é outro, e é liderado exatamente por quem acusa os outros de golpistas.
O mais impressionante foi aquela senhora armada de Bíblia Sagrada tentando derrubar o governo.
A "hermenêutica" do golpe é uma piada de mau gosto para implantação da censura às legítimas manifestações dos contrários ao presidente descondenado.

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