Luta pela igualdade

Em mensagem de fim de ano, ministro Celso de Mello recorda Conjuração Baiana

Em uma mensagem de fim de ano, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, ex-presidente da corte, foi buscar na Conjuração Baiana o parâmetro do que é desejável para uma sociedade civilizada.

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Ministro Celso de Mello destaca atualidade da Conjuração Baiana

A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates — por causa da profissão de seus principais líderes —, ocorreu em 1798, em Salvador. O movimento de caráter emancipatório foi fortemente influenciado pela independência do Haiti, em que pessoas escravizadas organizaram um levante contra o domínio colonial francês.

“Aquele grito do povo baiano, por liberdade e igualdade, ainda ecoa em nossos corações, pois guarda impressionante atualidade com a situação que vive a sociedade contemporânea em nosso Brasil”, diz Celso.

O ministro destaca um panfleto da época em que constavam as poderosas palavras dos revolucionários baianos: “Animai-vos, Povo baiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais”.

Para o magistrado, “essa é a magna tarefa que nos incumbe levar adiante”. “Espero que o povo brasileiro mantenha acesa em seu coração a chama ardente da liberdade, da fraternidade solidária e do respeito pela sacralidade do regime democrático e das liberdades constitucionais.”

Alguns dos heróis da Conjuração Baiana — João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens — foram enforcados e esquartejados na Praça da Piedade, em Salvador.

Para o ministro, eles não morreram em vão. “Há, hoje, em nosso país, uma nova geração de brasileiros, desejosa de empunhar a tocha da luta pela liberdade, pela democracia, e pela igualdade de TODOS, sem preconceitos, sem exclusão e sem discriminação.”

Laços com a atualidade

Apesar da distância no tempo, Celso destaca que o levante tratou de temas que estão presentes no Brasil contemporâneo. Afinal de contas, a luta por igualdade social era uma das pautas da Conjuração Baiana.

Embora não tenha sido bem-sucedida, a revolta inspirou outros movimentos sociais ao longo da história brasileira e é considerada um marco importante e patrimônio histórico e cultural do país.

Leia a seguir a íntegra da manifestação do ministro Celso de Mello:

“Panfleto da Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798): luta pela independência da Capitania da Bahia, pela igualdade racial e pela proclamação da República!

Foi uma revolta eminentemente popular. Foi a primeira revolução social do Brasil.

Aquele grito do povo baiano, por liberdade e igualdade, ainda ecoa em nossos corações, pois guarda impressionante atualidade com a situação que vive a sociedade contemporânea em nosso Brasil!

Os Heróis da Conjuração Baiana de 1798 — João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira, Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens (que foram enforcados e esquartejados na Praça da Piedade, em Salvador) — não morreram em vão, pois há, hoje, em nosso País, uma nova geração de brasileiros, desejosa de empunhar a tocha da luta pela liberdade, pela democracia e pela igualdade de TODOS, sem preconceitos, sem exclusão e sem discriminação!

Ressoam poderosas as palavras dos revolucionários baianos de 1798:

‘Animai-vos, Povo baiense, que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais’.

Parafraseando a mensagem poderosa revelada em seus panfletos pelos revolucionários baianos que participaram da Conjuração Baiana (também conhecida por Revolta dos Alfaiates e Revolta dos Búzios), de 1798, também espero que o Povo brasileiro mantenha acesa em seu coração a chama ardente da liberdade, da fraternidade solidária e do respeito pela sacralidade do regime democrático e das liberdades constitucionais, porque, segundo as palavras inspiradoras daquele histórico movimento insurrecional republicano, deflagrado em pleno período colonial , ‘(…) está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais!’”.

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