Lesa pátria

Alexandre de Moraes ordena buscas contra deputado federal Carlos Jordy

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o cumprimento de mandados de busca contra o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e pessoas envolvidas em grupos bolsonaristas que organizaram atos antidemocráticos no Rio de Janeiro em 2022 e em Brasília, no 8 de janeiro.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ)

O político teria orientado Carlos Victor de Carvalho, que se identifica como “liderança de extrema direita” e foi responsável por organizar atos no Rio de Janeiro. A suspeita é a de que Jordy orientou Carvalho. O deputado também teria conversado com o bolsonarista depois dos atos de 8 de janeiro, quando Carvalho era procurado e estava foragido.

Segundo a Polícia Federal, Carvalho pedia “direcionamento” a Jordy quanto aos atos que paralisaram rodovias no Rio depois do segundo turno das eleições presidenciais. “Bom dia meu líder. Qual direcionamento você pode me dar? Tem poder de parar tudo”, diz Carvalho em um diálogo apreendido. Jordy responde perguntando se o bolsonarista poderia conversar por ligação telefônica.

Em outro ponto da decisão, Alexandre afirma que em 17 de janeiro deste ano, quando Carvalho estava foragido, ele se comunicou com o deputado. De acordo com a PF, o parlamentar ignorou seu dever como agente público de “comunicar imediatamente a autoridade policial” sobre o destino do foragido.

Para Alexandre, os dois episódios são suficientes para justificar a investigação de Jordy. O ministro autorizou busca e apreensão domiciliar de armas, munições, computadores, tablets e celulares. Também determinou busca e apreensão pessoal, buscas em hotéis, hotéis e outras hospedagens temporárias onde os investigados tenham se instalado, caso ausentes de sua residência.

“Nesse cenário, tenho por atendidos os pressupostos necessários ao afastamento da garantia constitucional da inviolabilidade do domicílio, bem como em relação à busca pessoal, encontrando-se justificada a ação invasiva na procura de outras provas das condutas ora postas sob suspeita”, disse o ministro.

Alexandre também afirmou que todos os envolvidos em atos atentatórios à democracia, seja por ação ou por omissão, devem ser responsabilizados civil, política e criminalmente.

“A Democracia brasileira não será abalada, muito menos destruída, por criminosos terroristas. A defesa da Democracia e das Instituições é inegociável”, prossegue.

Além do político, outras nove pessoas suspeitas de participação em atos antidemocráticos depois do segundo turno das eleições, inclusive no 8 de janeiro, foram alvo da operação de busca e apreensão na 23ª fase da apelidado “operação lesa pátria”.

Segundo a PF, as condutas podem se amoldar a crimes contra o Estado Democrático de Direito e de incitação pública de animosidade entre as Forças Armadas contra os poderes constitucionais, além de associação criminosa.

A Procuradoria-Geral da República, por meio do subprocurador-geral Carlos Frederico Santos, se manifestou a favor da operação de busca e apreensão e do afastamento dos dados telefônicos e telemáticos dos investigados.

“Os elementos de informação até o momento angariados indicam que os representados integraram ao menos o núcleo dos financiadores e investigadores dos delitos antidemocráticos”, afirmou o representante do MPF na manifestação.

Pet 11.986

Luiza Calegari

é editora da revista Consultor Jurídico.

Seja o primeiro a comentar.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também