Um empresário investigado como intermediário de um suposto esquema de venda de decisões do desembargador Ivo de Almeida (hoje afastado do Tribunal de Justiça de São Paulo) disse à Polícia Federal, nesta segunda-feira (22/7), que nunca repassou ao magistrado ou a funcionários de seu gabinete quaisquer pedidos referentes a processos.

PF acusa desembargador do TJ-SP de vender decisões; ele foi afastado por ordem do STJ
No depoimento, o empresário — que diz ser sócio de um desmonte automotivo e que também trabalha como motorista de Uber — afirmou ter entendido que seu padastro que morreu vendia “ilusões” em nome de Almeida, sem que o desembargador soubesse.
A PF acredita que o empresário intermediou a venda de decisões judiciais após a morte de seu padastro, amigo de Almeida, ocorrida em 2019.
O depoente contou ter recebido ameaças de pessoas devido a promessas feitas por seu padastro e não cumpridas.
Uma dessas pessoas era um guarda civil metropolitano, também investigado. Segundo o empresário, o guarda o procurava para tratar da venda de decisões.
Mas o depoente disse que apenas “ficava enrolando” o guarda e não repassava os casos a ninguém. Ele ainda alegou ter trocado mensagens com outro número que também era seu e tirado prints para repassar ao guarda, “como se estivesse fazendo alguma coisa”.
O empresário afirmou ter agido assim na tentativa de buscar uma saída à situação em que seu padastro o colocou.
Segundo o depoente, Almeida não sabia de nada disso. O empresário disse nunca ter ido ao gabinete do desembargador. Ele admitiu ter pensado em falar com o magistrado, mas “não sabia o que poderia acontecer”.
O homem que prestou depoimento ainda confirmou que seu padrasto e o desembargador eram amigos, mas disse não saber se ele frequentava o gabinete do magistrado.
Contexto
No final do último mês de junho, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, determinou o afastamento de Almeida por um ano, proibiu o desembargador de manter contato com outros investigados e autorizou buscas na residência e no gabinete do magistrado no TJ-SP.
A PF acusa Almeida de favorecer amigos, especialmente advogados do interior do estado, com decisões em seus plantões judiciais.
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