Rito atropelado

Juízes indicados ao Supremo por Milei são vetados por senadores

O Senado argentino vetou nesta quinta-feira (3/4) a nomeação de dois juízes indicados ao Supremo pelo presidente Javier Milei. Em fevereiro, ele nomeou Ariel Lijo e Manuel García-Mansilla por decreto, pulando etapas do processo de indicação. O segundo, inclusive, já havia sido empossado, mesmo sem aprovação parlamentar.

No caso de Lijo, foram 43 votos contrários e 21 favoráveis à indicação no Senado; já García-Mansilla obteve 20 votos favoráveis e 51 contrários. Os indicados enfrentaram dificuldades para aprovação por causa da minoria da coligação de Milei no Legislativo do país. As informações são do portal G1.

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Javier Milei, presidente da Argentina

Senado argentino vetou nomes indicados por Milei ao Supremo

A Casa Rosada, em nota, criticou a decisão dos senadores. Como García-Mansilla chegou a tomar posse, agora haverá discussão sobre a legalidade de sua permanência na corte. Lijo, entretanto, não chegou a ocupar o cargo, mas sua indicação foi a que gerou maior controvérsia por causa de acusações de lavagem de dinheiro, conspiração e enriquecimento ilícito.

De acordo com os parlamentares, Milei abusou de seu poder ao passar por cima do Legislativo com o decreto de fevereiro. Durante a sessão de quinta, o Executivo tentou interditar a discussão por meio da ausência de quórum. A oposição, todavia, conseguiu alcançar o número mínimo de senadores a partir de uma articulação entre peronistas e aliados do ex-presidente Mauricio Macri.

O quórum de 37 senadores, que possibilitou a votação, foi alcançado com 33 dos 34 parlamentares do bloco União pela Pátria e com senadores de outros partidos, como a União Cívica Radical (UCR) e o Proposta Republicana (PRO), de Macri.

Como funciona o Supremo argentino?

A Suprema Corte argentina é composta por cinco juízes indicados pelo presidente e aprovados, posteriormente, pelo Senado. Antes do envio dos nomes ao Legislativo, quando uma vaga é aberta, abre-se um prazo de 15 dias para que a população, as associações representativas e entidades acadêmicas enviem considerações sobre os pré-selecionados. A partir dessas observações, o Executivo decide se segue ou não com as indicações.

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