Guerra e paz

Para ‘pacificar’ o país, bolsonaristas travam Congresso e exigem votação da anistia

A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocupou nesta terça-feira (5/8), dia do fim do recesso parlamentar, as mesas diretoras dos plenários do Senado e da Câmara dos Deputados. Trata-se de uma reação à decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta terça (4/8).

José Cruz/Agência Brasil

Brasília (DF), 05/08/2025 - Deputado Sóstenes Cavalcante e parlamentares de oposição fazem ato tampando a boca com esparadrapo durante sessão da Câmara dos Deputados. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Deputados bolsonaristas tomam a mesa diretora da Câmara para protestar

Os senadores e deputados envolvidos na ação prometem permanecer nos locais até que os presidentes das casas legislativas cancelem a sessão prevista ou aceitem pautar a anistia geral e irrestrita para os condenados e os acusados de golpe de Estado. Eles também reivindicam que seja pautado o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, responsável pela decisão contra Bolsonaro.

Os bolsonaristas ameaçam travar as pautas da Câmara e do Senado enquanto não tiverem suas exigências atendidas. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, disse que seu partido, o União Brasil, vai praticar a “obstrução total” contra todas as matérias das duas casas. Ironicamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é do União Brasil.

Em entrevista coletiva concedida em frente ao Congresso Nacional, parlamentares da oposição criticaram a decisão de Alexandre. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o objetivo dos revoltosos é “pacificar” o Brasil.

“A primeira medida desse pacote de paz que queremos propor é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, que não tem nenhuma capacidade de representar a mais alta corte do país.”

Além da anistia e do impeachment de Alexandre, a oposição exige ainda a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) para o fim do foro privilegiado. Dessa forma, Bolsonaro não seria mais julgado pelo Supremo, mas pela primeira instância. Apesar de os parlamentares exigirem as medidas para “pacificar o Brasil”, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que o grupo estava “se apresentando para a guerra”. “Não haverá paz no Brasil enquanto não houver discurso de conciliação, que passa pela anistia, pela mudança do fim do foro e pelo impeachment de Moraes.”

Paz na marra

O vice-presidente da Câmara, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), prometeu pautar o projeto da anistia caso o presidente da casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), se ausente do país. Dessa forma, Côrtes assumiria a presidência.

“Diante dos fatos que se apresentam, quero registrar e já comuniquei ao presidente Hugo Motta que, no primeiro momento que eu exercer a presidência plena da Câmara dos Deputados, ou seja, quando o presidente Motta se ausentar do país, eu irei pautar a anistia. Essa é a única forma de pacificar o país.” Com informações da Agência Brasil.

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