A resolução extrajudicial de conflitos trabalhistas deve ser incentivada, mas só dá resultado quando reflete a vontade das partes. Por essa razão, o caminho da arbitragem não é o mais indicado, pois pode resultar em uma sentença que continuará sendo insatisfatória para os dois lados.
Essa foi a análise de Antonio Carlos Aguiar, doutor em Direito do Trabalho, em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico. Aguiar comentou o assunto durante o IV Congresso Nacional e II Internacional da Magistratura do Trabalho, promovido em Foz do Iguaçu (PR) no final de novembro. O Anuário da Justiça do Trabalho 2025 foi lançado no evento.

Para Aguiar, partes devem ser incentivadas a buscar soluções por conta própria
Na visão do advogado, as soluções para conflitos trabalhistas são duradouras quando as partes resolvem seus problemas por conta própria. No Judiciário, segundo ele, a solução é muitas vezes fictícia porque não agrada a nenhuma das partes.
“As partes têm como trabalhar e trazer a solução. Caso contrário, o que a gente tem, principalmente quando vai para o Judiciário, é a solução de um conflito. Mas ela é fictícia, na medida em que vem uma solução que, muitas vezes, sequer agrada a um ou outro.”
Por essa razão, segundo Aguiar, a arbitragem não é a saída mais indicada. “As partes envolvidas devem buscar o caminho da negociação ou da conciliação. A questão é o como. Como se faz isso? Buscando pura e simplesmente um árbitro no mercado, diferente? Se for assim, a gente volta ou chega muito próximo da judicialização.”
Papel dos sindicatos
Aguiar considera que o avanço na solução de disputas trabalhistas passa pela modernização da mentalidade dos sindicatos. Na visão do advogado, as entidades têm se tornado mais abertas a soluções negociadas que evitam a chegada dos conflitos aos tribunais.
“O nosso mindset ainda está lá no século XX. O nosso mindset ainda está na questão de briga, na questão de capital e trabalho. Onde havia duas partes, uma era inimiga da outra e ponto final, onde você tinha uma esteira, onde você tinha uma forma de produção linear. Só que o mundo mudou”, conclui.
Clique aqui para assistir à entrevista ou veja abaixo:
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