foco em eleições limpas

Desembargador Claudio de Mello Tavares toma posse da presidência do TRE-RJ

O desembargador Claudio de Mello Tavares tomou posse como presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro em sessão solene nesta terça-feira (16/12), no Plenário Ministro Waldemar Zveiter, do Tribunal de Justiça fluminense.

Claudio Tavares e Fernando Chagas tomaram posse como presidente e vice do TRE-RJ

Eleito por aclamação, o magistrado estará à frente da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro até março de 2027. Durante o período, o novo presidente conduzirá a preparação e a realização das Eleições 2026 em todo o estado.

Em seu discurso, Tavares destacou o compromisso firme de combater qualquer influência do crime organizado no processo eleitoral.

“Não haverá espaço para candidaturas patrocinadas pelo crime organizado. O voto popular é sagrado, não pode ser comprado, coagido, manipulado e distorcido por armas ou por dinheiro ilícito”, declarou.

O desembargador destacou que organizações criminosas querem dominar territórios políticos e escolher representantes do povo. “Isso não acontecerá sob a minha presidência”, garantiu.

Para enfrentar essa ameaça, o novo presidente do TRE-RJ anunciou coalizão reunindo instituições como Ministério Público Federal, Ministério Público do Rio de Janeiro, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e a Justiça Eleitoral. O intuito é identificar e impedir candidaturas ligadas ao crime, enfatizando o compromisso de indeferir registros de candidaturas que se revelem vinculados a organizações criminosas ou milícias. “Tudo sempre será feito com base na lei e no devido processo legal, mas também com coragem institucional”, afirmou.

O combate à desinformação também foi destacado como prioridade. “Vivemos tempos em que uma mentira bem construída pode dar a volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de sair de casa”, alertou.

Tavares anunciou ainda a criação de um grupo especializado para combater crimes cibernéticos eleitorais e o mapeamento de locais de votação sujeitos a interferências externas. “Onde houver risco, mudaremos o local de votação. A urna eletrônica é segura. Mas o entorno dela precisa ser igualmente seguro”, declarou.

O desembargador reafirmou que o voto livre é a própria democracia e incentivou cidadãos a realizarem o cadastramento biométrico. Atualmente, cerca de 2,5 milhões de eleitores fluminenses ainda não fizeram a coleta das digitais nas Zonas Eleitorais e Centrais de Atendimento ao Eleitor, o que precisa ser feito até o dia 6 de maio de 2026.

Vice-presidente e corregedor

Na solenidade, o desembargador Fernando Cerqueira Chagas tomou posse como membro do TRE-RJ e assumiu a Vice-Presidência e a Corregedoria Regional Eleitoral.

“A Justiça Eleitoral exerce o mais importante dos direitos republicanos: o direito de cada cidadão expressar livremente a sua vontade por meio do voto”, afirmou.

O magistrado ressaltou que “a responsabilidade do cargo impõe a busca da prestação de serviço público eficiente, acessível e confiável” e anunciou que a Corregedoria trabalhará com base em cinco eixos estratégicos de gestão: excelência no atendimento ao eleitor, governança operacional das zonas eleitorais, segurança do processo eleitoral, integração institucional e formação de magistrados e servidores.

Sobre a preparação para as eleições de 2026, o novo corregedor enfatizou o enfrentamento das narrativas falsas e a prevenção de interferências ou ações criminosas, especialmente em áreas de risco, além do estabelecimento de diálogo com as instituições participantes do processo eleitoral e comunicação direta e transparente com governo, partidos, candidatos e sociedade, como as principais diretrizes. “Não existe propósito maior do que a proteção da soberania popular”, concluiu.

Currículo dos magistrados

O desembargador Claudio de Mello Tavares é bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Em 1998, tomou posse como desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Entre 2004 e 2005 foi conselheiro da Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj).

O magistrado atuou como corregedor-geral da Justiça no biênio de 2017-2018 e foi o presidente do TJ-RJ no biênio 2019-2020. De março a dezembro de 2025, exerceu a Vice-Presidência e a Corregedoria Regional Eleitoral da Justiça especializada fluminense.

É membro da Academia Brasileira de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais e do Instituto dos Advogados Brasileiros e autor dos livros Da união livre à união estável – aspectos do concubinato, publicado em 2017, e Impeachment de governador de estado: a formação do tribunal misto, de 2024, em coautoria com o juiz Fábio Ribeiro Porto.

Fernando Cerqueira Chagas é formado em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Direito e Justiça, pela Universidade Estácio de Sá, e doutor em Direito das Cidades, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), possui especialização em Técnica Jurídica e Compliance, pela Universidade de Salamanca, na Espanha.

Ingressou na magistratura fluminense em 1992 e tornou-se desembargador do TJ-RJ em 2011.

Na Justiça Eleitoral, integrou o Colegiado do TRE-RJ, como membro substituto, na classe de desembargadores estaduais, de 2015 a 2017. Atualmente é conselheiro da Escola Judiciária do TRE-RJ. Ainda no âmbito eleitoral, é presidente do Fórum de Direito Eleitoral e Político da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) e professor do curso de especialização em Direito Eleitoral, da Uerj. Com informações da assessoria de imprensa do TRE-RJ.

Clique aqui para ler o discurso de Claudio de Mello Tavares

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