GRANDES TEMAS

Consumidor não quer sustentabilidade a qualquer custo, diz Wesley Batista

Praticar a sustentabilidade é, sim, um bom negócio — desde que isso resulte em mais produtividade para as empresas e preços menores para o consumidor, avalia o empresário Wesley Batista.

O empresário Wesley Batista, acionista controlador do Grupo J&F

Acionista controlador — junto com seu irmão, Joesley — do Grupo J&F, Wesley falou sobre a visão empresarial das práticas sustentáveis em entrevista à série Grandes Temas, Grandes Nomes do Direito, em que a revista eletrônica Consultor Jurídico conversa com alguns dos nomes mais importantes do Direito, da política e do empresariado sobre os assuntos mais relevantes da atualidade.

Segundo ele, a ideia de sustentabilidade — geralmente associada à preservação ambiental e a produtos ecologicamente corretos — é vista de forma mais pragmática no setor produtivo.

“Sustentabilidade é uma forma de ganhar produtividade. O consumidor não está disposto a comprar produtos que foram produzidos de forma mais sustentável a um custo maior. É o contrário. É para reduzir custos e ser mais eficiente.”

O empresário observou que as práticas ambientais e sociais adotadas pelas empresas, conhecidas como ESG (ambiente, social e governança, na sigla em inglês), também caminham para se enquadrar nessa lógica.

“O tema ESG está virando uma coisa mais objetiva. O consumidor não quer a sustentabilidade a qualquer custo. O ESG está vindo mais para o centro, no sentido de que essas práticas não estão mais sendo feitas de forma exagerada”, disse Wesley.

IA no agronegócio

O empresário também falou sobre a aplicação das novas tecnologias nas diversas etapas do processo produtivo e da gestão empresarial. Ele destacou o uso da inteligência artificial na precificação e no monitoramento das atividades.

“Usa-se muita tecnologia para precificar o produto por região, por cidade, por bairro. Usa-se a inteligência artificial para fazer o pricing científico na área, por exemplo, de agropecuária. Também é usada para melhorar comportamento de frango, de suíno. E também para a rastreabilidade. A tecnologia é usada cada dia mais em várias áreas do negócio, seja na área de produção agropecuária, seja nas fábricas, para monitorar, para medir o que uma pessoa consegue fazer enquanto exerce sua função”, afirmou Wesley.

Judiciário responde às demandas

O controlador da J&F disse discordar da ideia de que a atuação do Poder Judiciário costuma ser prejudicial ao mundo dos negócios.

“O Judiciário não cria a demanda, ele recebe a demanda. E com o aumento das questões políticas sendo levadas ao Judiciário — embates que deveriam estar no campo político —, o Judiciário fica sendo visto como um poder muito atuante ou causador (de demandas), mas não é esse o caso. O Judiciário recebe a demanda e tem que se manifestar sobre o que chega a ele. O Judiciário não está interferindo em nada. Ele está reagindo ao que foi demandado.”

Clique aqui para assistir à entrevista ou veja abaixo:

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