O aumento do poder das organizações criminosas transformou a segurança na principal preocupação de boa parte dos países da América Latina e do Caribe. O tema é, portanto, um pilar fundamental para impulsionar o crescimento e o bem-estar na região.

Eduardo Vergara falou no II Fórum Futuro da Tributação, em Lisboa
Essa opinião é do chileno Eduardo Vergara, chefe da Divisão de Segurança Cidadã do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na última semana, ele participou do II Fórum Futuro da Tributação, promovido pelo Fórum de Integração Brasil Europa (Fibe) em Lisboa.
Vergara avalia que muitos países latino-americanos, que já convivem há décadas com a falta de segurança, têm visto a situação se agravar com o fortalecimento de facções e a migração de delitos entre os países da região.
Segundo o dirigente, a decisão de criar uma divisão dedicada à segurança cidadã veio da presidência do BID. A instituição, de acordo com ele, vai liberar US$ 2,5 bilhões em empréstimos para investimentos na área nos próximos três anos. O Brasil, para Vergara, tem um papel fundamental nesse contexto.
Importância do Brasil
“O Brasil, geopoliticamente, é muito importante para a região da América Latina e do Caribe. Não somente pela sua extensão territorial, mas também por ter fronteiras com muitos países”, disse Vergara em entrevista que faz parte da série Fibe Conversa.
Na visão do dirigente, a força institucional brasileira tem ajudado o BID a promover iniciativas para o fortalecimento da persecução penal em todo o continente.
“O Brasil tem instituições muito sólidas, como as que estão dedicadas à justiça e à persecução criminal. Essa fortaleza das instituições, lideradas pelos seus governos, é o que nos permite ter uma relação sólida de acompanhamento, de assistência técnica, mas também de ser parte de operações que permitem melhorar e fortalecer essas instituições.”
Vergara destacou também o papel de liderança do país na proteção da Amazônia. “O impacto é positivo sobre as capacidades que essas mesmas instituições têm frente à mineração ilegal, ao desmatamento ilegal e à segurança de muitas populações vulneráveis que esperam que o Estado possa protegê-las.”
Aliança formada
A projeção de investimentos do BID caminha lado a lado com a Aliança pela Segurança, Justiça e Desenvolvimento, criada em dezembro do ano passado. Segundo Vergara, essa articulação é hoje “a maior rede de trabalho da região em termos de crime organizado, com 22 países e 12 instituições”. O BID também trabalha com organismos multilaterais como o Banco Mundial, a Cruz Vermelha e a ONU.
O dirigente explicou que a atuação do BID no continente é ampla, e as prioridades variam conforme o país. No Peru, por exemplo, a atuação do banco é focada especialmente no sistema penitenciário. Na Costa Rica, a presença se dá por meio de programas de prevenção que investem em ações comunitárias.
Vergara concluiu dizendo que a articulação dos países por meio da Aliança é um recado poderoso ao crime organizado.
“A articulação regional oferece um caminho para demonstrar à criminalidade que a organização dos países permite uma resposta muito mais rápida, muito mais robusta, mas, sobretudo, que seja efetiva.”
Clique aqui para assistir à entrevista ou veja abaixo:
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