Polícia sobe o morro, traficante atira. Qual a novidade?
O Rio de Janeiro é um cenário excepcional, o único lugar no Brasil que se assemelha ao norte mexicano tomado pelos cartéis. No México é ainda pior, Estado x cartéis se batem como iguais.
Vamos querer isto aqui? Claro que não. A geopolítica criminosa favorece ao tráfico, os morros são quase inacessíveis e permitem um encastelamento fácil e eficiente. O fluxo do dinheiro é rápido, a droga corre solta e o lucro é certo, rápido e líquido. Com dinheiro, o resto é consequência.
Comprar armas? Sempre tem quem venda.
Soldadesca mercenária? A mão-de-obra miserável fornece às escâncaras.
Está criada a República Popular Fluminense Drogativa. Free cocaína, free crack, free maconha. Falta bandeira e hino. Mas o território está fincado nas favelas. Duas alternativas: ou reconhecemos a autonomia do território traficante ou retomamos o espaço. É muita ingenuidade supor que a retomada e um espaço dominado pelo crime seja uma prática apascentada. O crime reage. No caso, é inevitável, violentamente. Quanto maior a pressão, maior a reação.

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Mas, lembremos sem surpresa, ninguém é obrigado a ser traficante, ninguém é obrigado a pegar em fuzis e enfrentar a polícia, ninguém é obrigado à violência. Violência é uma opção, não uma obrigação. Muitas das críticas são infelizes, a primeira é a comparação com as operações feitas em São Paulo. São realidades diferentes, aqui não temos a territorialidade tal como na capital fluminense, não se permite a repetição do modelo paulista. Dizer que com inteligência não haveria resistência é outra afirmação que faria chorar a Monalisa. Falam isto sem saber explicar no que consistiria tal atividade, talvez se refiram ao ChatGPT, é o que sobra.
Ação policial dá prejuízo
Dá mesmo, se desse lucro já estavam fazendo. Enfim, se estamos falando em recuperação de território ocupado pelo crime, não há alternativa senão o enfrentamento. E as facções, notadamente as cariocas, tem um potencial bélico de destruição que equivale quase a um corpo militar ou militarizado. O resultado é um só: confronto.
No caso do Rio de Janeiro, nesta última operação, mais precisamente, até mesmo drones com bombas para atacar os policiais foram usados. E, repito, eram obrigados a bombardear os policiais? Não, mas o fizeram para detê-los. Estamos em uma encruzilhada, ou se enfrentam as facções doa a quem doer e retomamos o espaço, ou permitimos que este espaço continue tomado pelo crime.
O crime vai reagir e o fará violentamente. O que vai ser? Vamos criar hino e bandeira para a República do Tráfico?
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