Para o senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressistas (PP), que foi chefe do Gabinete Civil do governo de Jair Bolsonaro (PL), “é um erro” uma campanha presidencial discutir mais sobre impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal do que sobre temas centrais como saúde e educação.
Para Ciro Nogueira (à direita), ‘é um erro’ uma campanha presidencial ter mais foco em atacar o STF do que em saúde e educação
Nogueira disse que não assinou, nem vai assinar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, classificando essa pauta como “impossível” e sem chance de prosperar no Senado.
O senador falou durante o jantar do grupo Esfera Brasil, nesta segunda-feira (27/4), em São Paulo, em que analisou cenários eleitorais possíveis de 2026. Além de Nogueira, participaram do debate as presidentes de partidos Paula Corradi (PSOL) e Renata Abreu (Podemos).
Nogueira chamou à responsabilidade os veículos de comunicação, que deveriam priorizar temas de interesse direto da sociedade. E criticou a insistência em explorar conflitos com ministros, afirmando que isso gera uma percepção distorcida e pouco produtiva — além de desprezar questões relacionadas a políticas públicas.
Perda de tempo
Pedidos de impeachment de ministros não têm viabilidade política no Senado, e insistir nesse tema é “perder tempo”, disse o presidente do PP. Ele se manifestou frustrado com a possibilidade de alguém escolher um senador tendo por critério promessa de candidato por impeachment de ministros. “Não se pode fazer isso”, protestou.
Nogueira insistiu: para ele, esse quadro que impõe aos candidatos ao Senado se posicionarem sobre impeachment de ministros do STF se deve a um exagero da imprensa e da política, já que o tema não tem viabilidade e desvia atenção de assuntos como saúde e educação.
Segundo Nogueira, os problemas que se discutem em torno do STF não são exclusivamente do Judiciário, mas de toda a máquina pública — “o que pede uma grande reforma administrativa que alcance o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, sem demagogia”.
“O grande desafio é rediscutir o tamanho do Estado”, afirmou, ressaltando que o Brasil tem o Judiciário, o Legislativo e o Executivo mais caros no mundo e que não funcionam direito.
Nogueira disse também não acreditar que os factoides turbinados em torno do banco Master sejam decisivos nas eleições deste ano.
Flávio Bolsonaro e a eleição presidencial
Ciro afirmou que a próxima eleição presidencial “está nas mãos do Flávio Bolsonaro (pré-candidato do PL), mas ele pode jogar fora”, avaliando o senador como possível candidato competitivo no campo da direita. Segundo ele, Flávio “tem tudo para ter o nosso apoio, mas precisa mostrar que vai unificar o país”.
Nogueira alertou que Flávio pode desperdiçar a oportunidade “se for falar apenas para a extrema direita e for ouvir aquele discurso dele dos Estados Unidos” — referência à participação do filho de Bolsonaro na CPAC, no Texas, em março. “É uma eleição que vai ser definida na margem de erro. Não pode errar”, declarou.
O senador afirmou não ver espaço para uma terceira via na disputa para a Presidência enquanto Lula e Jair Bolsonaro “forem vivos”: “O Brasil teve quatro grandes líderes: Getúlio, Juscelino, Lula e Bolsonaro. Pela primeira vez dois deles se enfrentam. Enquanto eles estiverem nesse campo, não tem espaço para terceira via”. Sobre nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, disse que “não existe possibilidade de acontecer”.
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