Ataque à Venezuela

EUA acusam Maduro e aliados de ‘conspiração para o narcoterrorismo’; leia denúncia

Os Estados Unidos divulgaram neste sábado (3/1) a acusação contra Nicolás Maduro e aliados que justificou o ataque militar à Venezuela. O ato foi formalizado pelo Tribunal do Distrito Sul de Nova York, que deverá julgar o presidente venezuelano.

Segundo a denúncia, líderes do governo venezuelano “abusaram de suas posições de confiança pública por mais de 25 anos, corrompendo instituições legítimas para exportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”.

RS/via Fotos Publicas

Denúncia dos EUA contra Maduro justifica sua prisão e o ataque militar contra a Venezuela

De acordo com o documento, Maduro lidera essa organização criminosa, usando o poder do Estado para facilitar o tráfico de drogas em larga escala em parceria com grupos guerrilheiros e cartéis internacionais.

Os promotores afirmam que a cúpula do governo venezuelano não apenas permitiu o tráfico, mas gerenciou ativamente o chamado “Cartel de Los Soles”, uma rede criminosa que, segundo as investigações, envolve militares e políticos do país.

A organização, segundo o documento dos EUA, usava a infraestrutura estatal, incluindo portos e aeroportos, para transportar milhares de toneladas de cocaína. A acusação aponta que os lucros da atividade enriqueceram a elite política e militar da Venezuela, “consolidando o poder do regime através de um ciclo de corrupção financiado pelo narcotráfico”.

Além de Nicolás Maduro, o indiciamento atinge figuras centrais do chavismo e familiares do presidente. Entre os acusados estão Diosdado Cabello Rondón, ministro do Interior e Justiça; Cilia Adela Flores de Maduro, primeira-dama; e Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, filho do presidente e membro da Assembleia Nacional.

Também foi denunciado Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o “Niño Guerrero”, apontado como líder da facção criminosa Tren de Aragua.

As acusações formais

O grupo responde por quatro acusações principais. A primeira é conspiração para narcoterrorismo, que envolve o uso do tráfico de drogas para financiar ou apoiar atos terroristas; a segunda é conspiração para importação de cocaína para os Estados Unidos.

As outras duas referem-se ao uso e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos para proteger as operações de tráfico. O texto descreve o uso de armas pesadas, incluindo fuzis AK-47, AR-15 e lançadores de granadas, para fazer a segurança dos carregamentos.

Os promotores alegam que a liderança venezuelana transformou o país “em um porto seguro para criminosos dispostos a pagar por proteção”. A acusação busca a condenação dos réus e o confisco de todos os bens e propriedades derivados direta ou indiretamente das atividades criminosas relacionadas.

Imputações a familiares

A acusação detalha como cada réu teria utilizado seu cargo para blindar operações criminosas. Durante sua gestão como Ministro das Relações Exteriores (2006-2013), Maduro teria fornecido passaportes diplomáticos a traficantes e facilitado o trânsito de aviões carregados com dinheiro do tráfico vindo do México, garantindo que não fossem inspecionados por autoridades ou militares.

O filho do presidente, “Nicolasito”, é acusado de coordenar o transporte de drogas utilizando aeronaves da estatal petrolífera PDVSA. Segundo a denúncia, ele supervisionava o carregamento de pacotes de cocaína em aviões oficiais na Ilha de Margarita, afirmando que as aeronaves poderiam voar para qualquer lugar sem restrições, inclusive para os Estados Unidos.

A denúncia descreve uma rede transnacional de parcerias. Os réus teriam colaborado por décadas com organizações classificadas como narcoterroristas, incluindo as FARC e o ELN (Exército de Libertação Nacional). Além disso, mantinham alianças com redes criminosas do México, como o Cartel de Sinaloa e os Zetas, para distribuir a droga na América do Norte.

Clique aqui para ler a denúncia

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