Opinião

Tecnologia e soberania: os desafios da educação

O Fórum de Lisboa chegou à sua 14ª edição em 2026, sob o tema central “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”.

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A aula magna de abertura deu o tom. Idealizador do evento, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, ecoou o conceito de tecnofeudalismo [1] para descrever a nova ordem econômica: o capitalismo convencional teria cedido lugar a um sistema em que as plataformas digitais operam como feudos, monopolizam a atenção coletiva, ditam comportamentos e extraem rendas de usuários e empreendedores. Nessa configuração, alertou o ministro, os cidadãos assumem a condição de “servos digitais”. O diagnóstico convoca o constitucionalismo a uma nova frente: limitar o poder privado dos grandes atores da internet. A tarefa exige, de forma aparentemente paradoxal, cooperação supranacional para regular as plataformas e a inteligência artificial.

A repercussão da palestra do decano estendeu-se a todo o evento. Direta ou indiretamente, a questão das plataformas digitais esteve presente na maior parte dos painéis e nas mesas de debate sobre democracia, governança, saúde, educação, cultura e responsabilidade social. O Fórum de Lisboa tratou, sob rubricas distintas, de uma mesma transformação estrutural imposta pela tecnologia. No centro do debate estão, portanto, as plataformas digitais: objeto de estudo cuja compreensão cabe especialmente ao campo da comunicação, conhecimento a que se dedica a Escola de Comunicação da FGV, voltada a investigar os fenômenos culturais e sociais das transformações tecnológicas.

As big techs são mais do que grandes empresas de tecnologia. Elas instituíram um modelo de negócios apoiado em uma infraestrutura comunicacional que organiza a visibilidade do que circula e condiciona a produção social de sentido. É nesse ambiente que se disputam atenção, reputação, legitimidade e influência, categorias próprias do campo da comunicação. Daí a hipótese que orienta este artigo: analisar as plataformas exige investigar os processos comunicacionais que estruturam a sociedade contemporânea. Esses processos não se restringem a um setor: impactam na economia, no trabalho, na saúde no direito e na democracia. A educação é também um dos campos atingidos e talvez um dos mais sensíveis, por lidar com sujeitos em formação.

É desse pano de fundo — tecnologia e soberania — que parte a reflexão a seguir, conduzida a partir do olhar da comunicação. Seu ponto de partida é um conceito que abordei na mesa de debate sob o título: “Educação na Sociedade da Informação: os desafios da transformação tecnológica e demográfica”.

 

Clique aqui para ler o artigo na íntegra

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[1] Tecnofeudalismo: termo cunhado pelo economista Yanis Varoufakis

Patricia Werner

é professora da Escola de Comunicação da FGV (Fundação Getulio Vargas).

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