* Reportagem publicada no Anuário da Justiça Saúde Suplementar 2026. A versão impressa está à venda na Livraria ConJur (clique aqui). Acesse a versão digital pelo site do Anuário da Justiça (anuario.conjur.com.br).
Capa da 2ª edição do Anuário da Justiça Saúde Suplementar
Maria, 58 anos, moradora de Benevides, Pará, chegou a uma unidade básica de saúde com dor no peito e falta de ar. Já havia passado por um hospital privado, dias antes, pelo plano de saúde, mas, como não melhorou, voltou a buscar atendimento, agora no SUS. Na consulta, o médico acessou, em um único sistema, exames, internações e diagnósticos das duas redes — e obteve uma visão ampla do histórico da paciente. Isso só foi possível porque os dados da saúde suplementar passaram a alimentar a RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde).
Plataforma nacional do SUS, a RNDS passou a incorporar informações dos planos de saúde, ampliando o conjunto de dados disponíveis para o atendimento. Atualmente, conta com 4,4 bilhões de registros acessíveis a pacientes, médicos e gestores de saúde. A iniciativa é resultado da cooperação entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e foi formalizada como base da política nacional de dados em saúde instituída pelo Decreto 12.560/2025.
Segundo a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, a RNDS passou a funcionar como um espaço de governança de dados, estruturado para reunir um conjunto mínimo de informações clínicas padronizadas e garantir a continuidade do cuidado. “Esse conjunto mínimo de dados é validado por vários atores que trabalham nesse processo e transformado num modelo informacional. Com isso, é possível levar para a plataforma da RNDS dados numa mesma linguagem”, explicou em entrevista ao Anuário da Saúde.

Os dados integrados na RNDS são acessados por meio das plataformas do SUS Digital. No Meu SUS Digital, o cidadão acompanha seu histórico de saúde e recebe informações sobre o atendimento; no SUS Digital Profissional, médicos acessam dados clínicos durante o atendimento; e, no SUS Digital Gestor, estados e municípios monitoram indicadores assistenciais. A adoção do CPF como identificador único dos pacientes também integra a estratégia de unificação das informações. O fluxo é unidirecional: as operadoras enviam informações ao SUS, mas não recebem dados da rede pública.
A necessidade da transformação digital foi acelerada com a pandemia, como destaca a secretária Ana Estela. Na RNDS, os dados sobre a vacinação são os mais completos, tendo em vista um legado de 50 anos já informatizados. Também estão sendo incorporadas informações da atenção primária, atestados, prescrições médicas e dados da regulação.
Além da saúde suplementar, os 26 estados e o Distrito Federal já compartilham seus dados na plataforma. Outra frente que tem avançado é a construção de um modelo informacional para a telessaúde.
Todo esse trabalho acontece em parceria com a ANS. De acordo com Maria Rachel Jasmin, assessora da ANS, a interoperabilidade impactou a regulação ao aprimorar a cobrança de ressarcimento ao SUS e ao aperfeiçoar a recepção de dados do Sistema de Nascidos Vivos, o que possibilitou a elaboração do Painel dinâmico sobre Atenção à Saúde Materna e Neonatal, ferramenta que permite a consulta de indicadores de prestadores de serviços de saúde e de operadoras de planos de saúde.
Para Gustavo Ribeiro, presidente da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), a interoperabilidade tende a fortalecer um modelo de atenção à saúde mais coordenado. “Favorece um sistema de saúde mais eficiente e sustentável. A interoperabilidade também representa um passo importante para aproximar os diferentes componentes do sistema de saúde brasileiro e melhorar a coordenação do cuidado em benefício do paciente”, destacou.
ANUÁRIO DA JUSTIÇA SAÚDE SUPLEMENTAR 2026
Lançamento: 10/6/2026
ISSN: 2595-8690
Número de páginas: 204
Versão impressa: R$ 50, à venda na Livraria ConJur (loja.conjur.com.br)
Versão digital: Gratuita, disponível a partir de 10/6 no site do Anuário da Justiça (anuario.conjur.com.br)
Viabilizadores desta edição
Instituto Consenso
Abramge
CNSaúde
Prevent Senior
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