O contínuo aumento no número de ações judiciais no país gera preocupação, porque o alto volume de processos ameaça comprometer a qualidade das decisões. Para superar o desafio, é preciso aliar a tecnologia com o fomento de uma cultura voltada ao consenso.
A avaliação é do advogado Vander Giordano, vice-presidente institucional da Multiplan, que falou à revista eletrônica Consultor Jurídico no lançamento do Anuário da Justiça Brasil 2026, neste mês.
Vander Giordano, da Multiplan, no lançamento do Anuário da Justiça Brasil 2026
Para Giordano, a adoção de sistemas de inteligência artificial e a consolidação de precedentes nas cortes superiores são avanços fundamentais, mas não bastam para resolver o gargalo estrutural.
“Temos acompanhado esse aumento expressivo do número de ações, do número de processos que tem tramitado nos tribunais no Brasil. É claro que a gente vê com uma certa preocupação, porque isso pode comprometer, de certa maneira, a qualidade dessas decisões, ainda que, claramente, nós vemos um esforço de todo o sistema judiciário em aumentar essa produtividade”, observa.
Segundo Giordano, a digitalização e o aumento no quadro de magistrados aprimoraram a prestação jurisdicional, mas a capacidade produtiva não acompanhará a demanda sem uma busca mais ativa pela autocomposição.
“É preciso que haja uma campanha, também, em relação à cultura de judicializar tudo nesse país. Eu acho que precisa de mais diálogo, eu acho que precisa de mais consenso conciliação, enfim, de outros instrumentos que ajudem também o sistema de justiça a desafogar”, afirma.
Clique aqui para ver a entrevista ou assista abaixo:
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