Um levantamento do site Poder360, publicado nesta quarta-feira (27/5), revela que a circulação de jornais impressos no Brasil sofreu uma nova queda drástica em 2025. O total de exemplares físicos diários passou, na média, de 304,8 mil cópias em 2024 para 205,6 mil no ano passado, o que representa um encolhimento de 32,6%. A pesquisa baseou-se em dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) e da consultoria PwC.
Entre as 13 publicações tradicionais analisadas pelo site, 11 registraram retração em seus números. As únicas exceções foram a Folha de S.Paulo, que teve alta de 18,1%, e O Tempo, com aumento de 6,8%. O grupo dos quatro jornais com maior circulação impressa no país é formado por Folha, Estadão, O Globo e Zero Hora, nesta ordem.

Jornais impressos têm enfrentado uma queda livre na tiragem
Segundo o Poder360, a Folha encerrou 2025 na liderança, com 52.920 exemplares diários. Já o Estadão teve queda de 59,9%, a maior entre os periódicos pesquisados, e caiu para 52,7 mil cópias. Em seguida na lista de maiores recuos aparece o Extra, do Rio de Janeiro, com queda de 24,8% e tiragem de 13 mil exemplares.
Os demais veículos que compõem o topo do ranking também encolheram: O Globo circulou com 43,8 mil cópias (queda de 10,3%), enquanto Zero Hora fechou o ano com 28,8 mil assinantes em papel (queda de 12,4%).
O Valor Econômico registrou 10,8 mil exemplares impressos, uma diminuição de 10% em relação a 2024. O levantamento lista ainda as tiragens totais de Meia Hora (16,2 mil cópias), A Tarde (7,8 mil), Estado de Minas (7,2 mil), Correio Braziliense (7,2 mil), O Povo (5,9 mil) e O Popular (5,2 mil). Já o diário Super Notícia, que figurava nos levantamentos do Poder360 até 2024, encerrou sua edição em papel em junho de 2025.
Tendência de queda
A tiragem conjunta de 2025 equivale a apenas 27,8% da quantia registrada em 2019 (740 mil exemplares), ano em que se iniciou o governo de Jair Bolsonaro (PL). Quando a comparação é feita com o ano de 2015, cujo volume total era de 1,3 milhão de cópias impressas diárias, a queda atinge o patamar de 84,6%.
O Poder360 aponta que a redução acelerada do consumo de jornais de papel é uma tendência global, exemplificada pelo norte-americano New York Times, que hoje conta com menos de 560 mil assinaturas impressas e 12,5 milhões de assinantes no formato digital.
No Brasil, essa retração afeta até a logística: em Brasília, os jornais físicos do Rio de Janeiro e de São Paulo já não chegam mais aos leitores, que têm apenas a opção de fazer assinaturas digitais.
O site faz a ressalva de que há diferenças na verificação dos números. A maioria dos jornais é auditada de maneira independente pelo IVC, que usa métricas específicas e exige documentos e registros para comprovar assinaturas. No entanto, Estadão e Folha deixaram de pagar o instituto e contrataram a PwC internacional para verificar sua circulação, segundo o Poder360.
A reportagem afirma ainda que não teve acesso aos detalhes técnicos de como a auditoria da PwC é feita. Tampouco foram divulgadas informações que expliquem o crescimento acelerado da Folha, tanto na modalidade impressa quanto na digital.
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