O brasileiro Primeiro Comando da Capital nunca terá qualquer espaço no crime organizado mexicano. Enumero as razões:

a) Não tem base social. Os cartéis mexicanos existem há décadas, o maior deles, Sinaloa, já conta com um século. Eles nasceram quando o Estado mexicano ainda não estava consolidado e se tornaram um elemento dentro da sua formação política. Tudo começou quando os chineses levaram sementes de papoula para os Estados Unidos no final do século 19 e depois foram ao México onde havia condições para o plantio e estavam fora da repressão.
Emiliano Zapata e Pancho Villa foram os líderes político mexicano que trouxeram o nacionalismo. Os mexicanos acabaram matando todos os chineses e os poucos sobreviventes foram colocados em trens e enviados para a Califórnia. Tomaram para si a produção do ópio. Assim, os cartéis mexicanos têm influência social e política.
Foram os norte-americanos, na 2ª Guerra Mundial, quem lhes entregou a riqueza exuberante de hoje. Precisavam da morfina para as Forças Armadas. A Turquia estava inacessível pelo cenário da guerra, e então a solução óbvia foi comprar a matéria prima dos traficantes mexicanos. Os cartéis ficaram bilionários.
O México, ainda, deu mais um passo para o abismo com a criação de juízes eleitos, o que, nas regiões tomadas pelo crime, tem um resultado evidente. O domínio social e político dos cartéis é uma realidade histórica insuperável. Não há espaço para o PCC se instalar;
b) Não tem força econômica. O PCC pode parecer grande aqui, mas perto dos cartéis mexicanos perdem na proporção de 10 x 1. Simples observação, o México tem o monopólio da venda de drogas para os Estados Unidos, o maior mercado do mundo. O PCC é periferia no mundo.
c) Logística. Só para lembrar, o México não faz fronteira com o Brasil. Qualquer deslocamento de pessoal é cara e facilmente identificável. Ademais, a obtenção de recursos, desde os mais simples, até os mais sofisticados dependeria completamente de fornecedores locais controlados pelos cartéis.
d) Repressão. Para enfrentar as forças dos cartéis, o Estado mexicano usa as Força Armadas. Na maior parte das vezes, conta com o apoio de forças estados-unidenses. Se mesmo as forças nacionais e internacionais atuam no limite de sua capacidade, supor que o PCC possa interferir neste cenário é pura fantasia.
e) Precedentes históricos. A sucessão de cartéis, lembremos como referência dos Zetas, se dá pelo confronto ou, em casos específicos, pela lacuna deixada por qualquer intervenção, estatal ou paramilitar. Não existe espaço vazio entre os cartéis. Não há vácuo. Existem sucessões que podem ser imediatas ou não, sangrentas ou não, dependendo da capacidade dos herdeiros. Não existe espaço que possa ser ocupado por um terceiro vindo de fora. Nem o PCC, nem a Cosa Nostra, nem ninguém. PCC no México é trocar tortilha por acarajé. Os dois são bons, mas cada um na sua.
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