Chamado à razão

The Economist: Trump precisa acabar logo com guerra entre EUA e Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisa definir rapidamente os seus objetivos na guerra contra o Irã e encerrar o conflito antes que a situação se deteriore em um caos regional irreversível. Este é o alerta feito pela revista britânica The Economist em editorial publicado nesta quinta-feira (5/3).

A publicação analisa os desdobramentos da ofensiva conjunta dos EUA e de Israel iniciada em 28 de fevereiro com o assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

RS / Fotos Publicas

Funeral de crianças iranianas mortas em bombardeio a escola em Minab, no sul do país

Embora reconheça a morte do aiatolá como um “sucesso operacional devastador”, o texto adverte que a missão pode se perder pela falta de objetivos claros. Na visão da revista, a rápida substituição de Khamenei por um triunvirato de liderança (o Conselho Interino de Liderança) demonstra que os iranianos sobreviveram ao golpe inicial.

O principal argumento da The Economist é a falta de uma estratégia clara por parte de Washington. Enquanto Israel tem um objetivo bem definido, que é eliminar a ameaça bélica de Teerã, Trump tem dado “uma série de sinais contraditórios” em relação a suas metas, que vão da destruição de instalações nucleares iranianas até a mudança de governo. A revista aponta que essa indefinição estratégica é a maior vulnerabilidade da ação norte-americana.

A análise descreve o conflito atual como uma “guerra de dupla personalidade”: no aspecto militar, segundo o editorial, a aliança EUA-Israel é altamente dominante devido à destruição da maior parte da marinha, da força aérea e da capacidade de lançamento de mísseis por parte do Irã.

No campo político, porém, a revista avalia que os iranianos vêm conseguindo emplacar sua tática de sobrevivência, que consiste em semear dúvidas e “atacar em todas as direções”. O editorial destaca três potenciais consequências graves da retaliação iraniana:

Expansão do conflito: Outros países estão sendo arrastados para o caos. Isso inclui as nações do Golfo, que eram vistas como refúgios de estabilidade, e o Líbano, graças ao conflito entre Israel e o Hezbollah.

Impacto econômico global: O Irã tentou fechar o Estreito de Ormuz, ameaçando cerca de 20% do fornecimento global de petróleo. O preço do barril de petróleo Brent subiu 14%, chegando a 83 dólares, e o gás natural na Europa disparou mais de 70% em poucos dias.

Risco de guerra civil e fragmentação: Ao apoiar insurgentes curdos para pressionar o Irã, os EUA e Israel estão executando uma ideia “imprudente” que pode inflamar o nacionalismo persa ou causar uma guerra civil no Irã, cujos efeitos inevitavelmente transbordariam para vizinhos como Iraque, Síria e Turquia.

RS/Via Fotos Publicas

Bombeiros trabalham em Teerã após ataques com mísseis de Estados Unidos e Israel

A revista alerta para o risco de que Trump prolongue o conflito devido à sua necessidade de aprovação nas pesquisas. Na avaliação do editorial, o presidente pode se sentir tentado a buscar uma “vitória inegável” tentando bombardear o país até sua exaustão, o que, segundo a publicação, pode não ser alcançado mesmo com todo o imenso poderio militar dos EUA.

A recomendação central da The Economist é que Trump reduza o escopo de seus objetivos de guerra. A meta, na opinião da revista, deve ser degradar as capacidades militares iranianas e, em seguida, parar. “Ele está quase lá”, avalia o editorial. Para a revista, é preferível que os EUA declarem vitória cedo do que saiam “mancando” de uma guerra impopular por puro esgotamento.

Por fim, o texto critica duramente a postura do presidente norte-americano em seu segundo mandato, classificando sua abordagem como impulsiva e precipitada. A revista lembra que, antes desta intervenção militar, o governo iraniano estava no seu momento mais fraco em 47 anos de história por conta de protestos e crises internas, e “poderia ter caído sem uma única bomba americana”.

Para a The Economist, Trump corre o risco de mergulhar a região no caos ou de abrir caminho para um novo líder da linha dura. “Os Estados Unidos precisam de uma estratégia no Irã, assim como precisam de uma no mundo”, conclui a publicação.

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