* Editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quarta-feira (25/1) com o título O futuro ministro do STF.
Diante do trágico acidente aéreo em Paraty (RJ), que matou o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, cabe agora ao presidente Michel Temer a tarefa constitucional de indicar um brasileiro nato para integrar a Suprema Corte. Depois da indicação presidencial, o candidato deverá ser sabatinado pelo Senado Federal.
A Constituição de 1988 estabelece, em seu artigo 181, as condições para o cargo: “O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada”.
Tais critérios — notável saber jurídico e reputação ilibada — são requisitos mínimos, como bem sabe o presidente Michel Temer, professor de Direito Constitucional. O papel institucional da Suprema Corte, atuando em todas as grandes questões e desafios do país, exige do futuro ministro do STF algumas precisas qualidades.
Em primeiro lugar, faz-se necessário alguém que, além de um sólido embasamento jurídico, conheça a fundo os problemas nacionais. Não basta dominar o Direito — é preciso ter uma noção exata da situação econômica, política e social do país. Afinal, é ao STF que, de modo especial, cabe garantir o fino equilíbrio institucional entre o Direito e a Política, entre o Direito e a Economia, entre a norma e a vida cotidiana.
Logicamente, os ministros do STF devem saber circular com domínio e precisão pela teoria jurídica contemporânea, em suas variadas correntes. O prudente e frutuoso exercício do cargo vai, porém, muito além da técnica jurídica, exigindo um conhecimento isento — não ideológico — da realidade econômica e social do país.
Outro requisito, especialmente necessário nos tempos que correm, é que o candidato tenha uma perfeita noção da estrutura institucional brasileira. Deve estar convencido de que não cabe ao pessoal sobrepor-se ao institucional e que, mais do que um protagonismo de tom messiânico supostamente civilizatório, a eficácia do trabalho de um ministro do STF vem do zeloso cumprimento de seu dever primário — garantir a aplicação da lei.
Nessa difícil tarefa de avaliar quem reúne as melhores condições para o cargo de ministro do STF, mais do que escutar momentâneas proclamações bem-intencionadas, o presidente Temer deve ter em conta o comportamento passado dos possíveis nomes a serem escolhidos. Mais do que as palavras, são as ações que devem revelar a profunda convicção de que o cargo público — o de ministro do Supremo, em especial — não é destinado ao brilho pessoal, mas ao serviço do país.
Além de uma correta percepção sobre o papel institucional do STF, há outra condição que talvez seja ainda mais difícil de ser preenchida: a coragem cívica e profissional para enfrentar — e, se necessário, quebrar — os falsos dogmas criados em torno da Constituição de 1988. O país precisa de ministros do STF capazes de dizer, quando necessário for, que o rei está nu. É urgente corrigir uma noção de Estado, absolutamente inviável e geradora de crises, que foi se fazendo norma ao longo dos anos não por força do texto constitucional, mas em decorrência de interpretações ideologicamente enviesadas.
O novo ministro precisará ter a audácia de romper com modismos jurisprudenciais, que tentam impor um artificial consenso tantas vezes prejudicial aos interesses nacionais. O substituto de Teori Zavascki deverá ter aquele bom desapego de sua imagem pessoal perante a opinião pública — e perante a opinião do mundo jurídico — para interpretar com maturidade a Constituição.
Não estava previsto que Michel Temer assumisse a Presidência da República. Assumiu-a por força da atribuição constitucional, após o impeachment de Dilma Rousseff. A princípio, também não estava previsto que ele precisaria indicar algum ministro do STF. Agora, uma vez mais, o destino coloca sobre os ombros de Michel Temer uma séria responsabilidade. Mais do que um problema, tem-se uma oportunidade única para uma nomeação absolutamente técnica, madura e em linha com as necessidades do país. Com a independência que lhe confere sua decisão de não se reeleger e o seu profundo conhecimento do mundo do Direito, Michel Temer tem todas as condições para escolher um nome em função tão somente do bem do país.

Já passou da hora de mudar isso, concurso público à cada dez anos.., três vagas para integrantes do MP, três vagas para advogados, cinco vagas para desembargadores e ministros do STJ, que também seriam concursados.
Em outras palavras, o ministro escolhido não deve ter ideias progressistas e deve ser "neutro", ou seja, jogar a favor da minha ideologia, que entenda como o país funciona e deve funcionar, a partir de nosso ponto de vista. Além disso, ele deve ter coragem de deturpar o texto da Constituição, de preferência flexibilizando as relações trabalhistas, acabando com as garantias processuais. Não importa o que ele escreve em livros, deixemos isso de lado. Tudo bem o jornal ter um posicionamento, mas poderia explicitá-lo e não fingir que é neutro e quer o "bem" do país.
Quero me solidarizar ao articulista do jornal Estadão quando defende a nomeação de ministro que tenha compromisso e submissão à Constituição Federal. É chegado o momento de se dar um basta àquele integrante da Corte que se preocupa mais em ser protagonista do ativismo momentâneo do que interpretar a Carta Magna nos estritos limites que ela permite. O caminho da vaidade de alguns não é porto seguro desejado para a segurança jurídica. Quis o destino premiar o presidente Temer - jurista consagrado - com tarefa de tamanha importância. Oxalá, saiba o presidente se desincumbir desse pesado ônus, escolhendo um magistrado descompromissado com as luzes dá ribalta e que mereça o nome de munistro da Suprema Corte. O protagonismo deve sempre caber ao STF.
É exatamente disso que o Brasil precisa, quem quiser ativista ou "progressista", como mencionado por uma pessoa acima, que se candidate a um cargo no Congresso nacional! Lá que é o lugar, previsto na CF e democrático, de se fazer opções políticas! Fora isso, como bem dizia o Ministro Teori, é ditadura, e ditadura de pessoas com cargo vitalício! Isso jamais admitiremos, e é assim em todos os países civilizados do mundo, inclusive os que deram certo, para onde pessoas tentam ingressar clandestinamente para lá viver e trabalhar. Faltou também dizer que precisamos de ministros que, como líderes, deem bom exemplo e cumpra a loman, que é uma lei que obriga os juízes a se absterem de criticar decisões de colegas, a menos que seja nos autos ou de forma acadêmica!
Prezados Senhores,
Paz e Bem!
01 - Bem escrito o editorial;
02 - A realidade apresenta o Brasil com outra "cara";
03 - Temos que abrir à porta do aprendizado para reconhecer as novas deficiências e assumi-las de "peito aberto";
04 - Não basta retóricas e frases de efeito diante do "fracasso das sombras" do verdadeiro direito;
05 - Assim, "não podemos exigir que os outros sejam como queremos, pois nem nós somos." (Lao-Tsé);
06 - O exemplo vem com o caminho, a verdade e a vida"
07 - Vamos exercitá-los "todos juntos" para o Bem do Brasil!
08 - No momento histórico e altamente significativo que, a Nação Brasileira está vivendo, vamos começar pelo o óbvio "Cumpra-se a Lei e a Ordem!"
09 - Portanto, "se a pessoa não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável." (L.A.Sêneca)
Cordialmente,
RT
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