Reportagem publicada no Jornal do Commercio, de 4 de dezembro de 2007.
Em decorrência de suas decisões contundentes e preocupadas em assegurar a dignidade e os direitos humanos dos brasileiros, o ministro Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, será o grande homenageado do 25º Prêmio Franz de Castro Holzwarth de Direitos Humanos da seccional São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil neste ano.
A solenidade de premiação será no próximo dia 10, às 10 horas, no Salão Nobre da Ordem, em São Paulo. Os outros laureados com a Menção Honrosa são o desembargador Antonio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e o Corpo de Bombeiros de São Paulo.
“Na edição-2007, o prêmio de Direitos Humanos Franz de Castro Holzwarth homenageia e põe em evidência pessoas e entidades que se vestem da coragem e tomam decisões que marcam, asseguram direitos, transformam ou salvam vidas. Esses cidadãos — reconhecidos na sociedade ou anônimos — existem aos milhares e milhares em todas as partes do país, atuando na sociedade civil organizada, por meio das entidades e dos movimentos sociais e que trabalham para garantir dignidade ao povo brasileiro”, explica o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, que estatutariamente ocupa também a presidência da Comissão de Direitos Humanos da entidade.
Entre as medidas de repercussão adotadas pelo ministro Marco Aurélio de Mello destaca-se a autorização para a interrupção da gravidez quando houver laudo médico comprovando a anencefalia do feto, independentemente de a gestante dispor de ordem judicial destinada a permitir esse procedimento. “Corajoso, mesmo em meio ao bombardeio de entidades pró ou contrárias à medida, o ministro manteve a decisão de caráter humanitário com o propósito de liberar a gestante do fardo angustiante de um processo penal que permita interromper uma gravidez de risco, tanto para o feto como para a gestante”, afirma Mário de Oliveira Filho, coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP. .
Orientação sexual. O ministro Marco Aurélio Mello se declara também a favor dos direitos homossexuais e condena o preconceito por orientação sexual que aponta como o responsável pela sofrida condição dos 18 milhões de homossexuais brasileiros que são tratados como cidadãos de segunda classe. O ministro vencedor do Prêmio Franz de Castro 2007 tomou decisões também contra o INSS, em favor dos contribuintes; vem lutando pela ética na política e declarou-se contrário a uma proposta de reforma previdenciária.
Marco Aurélio de Mello, nascido em 1946, no Rio de Janeiro. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde obteve também título de mestre, traz no currículo centenas de cursos e serviços jurídicos prestados à sociedade brasileira no Judiciário e no Ministério Público, sendo ministro do STF desde 1990. Ocupou por diversas oportunidades o cargo de presidente da República em decorrência de viagens internacionais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. É casado com a juíza de direito do Distrito Federal Sandra de Santis Mendes de Farias Mello, e tem quatro filhos.
Laureado com a Menção Honrosa do prêmio deste ano, o desembargador Antonio Carlos Malheiros do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), tem uma carreira marcada por trabalhos sociais e em defesa da democracia e da cidadania, incluindo uma aguerrida atuação na Comissão de Justiça e Paz, decisiva no combate ao regime militar e totalitário dos anos 60 e 70. Fora dos sisudos ambientes jurídicos, investe no seu lado cômico em hospitais paulistas, onde se dedica a contar histórias para crianças e adolescentes com doenças crônicas, como voluntário da Organização não-governamental Viva e Deixe Viver. “Esses laureados estão fazendo uma verdadeira revolução, ampliando os conceitos de cidadania e inclusão social”, afirma o presidente D’Urso.
Os sempre prestativos trabalhos do Corpo de Bombeiros de São Paulo — evidenciados no acidente com o avião da TAM no Aeroporto de Congonhas e com o desabamento nas obras da estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô paulistano — foram decisivos para sustentar as homenagens da OAB-SP com a outorga da Menção Honrosa do Prêmio Franz de Castro, oferecido pelo segundo ano a uma organização. “A lista de atuação do Corpo de Bombeiros em favor da população é imensa, tendo o reconhecimento da população. Ninguém jamais esquecerá as imagens dos bombeiros cavando com as próprias mãos os escombros da cratera do metrô ou do prédio queimado da TAM, colocando em risco a própria vida mesmo diante das reais possibilidades de desabamentos. Por isso, essa é uma singela homenagem da Advocacia paulista a esses seres humanos movidos pela compaixão, solidariedade e bravura”, ressalta o presidente da OAB-SP.
Prêmio. O Prêmio Franz de Castro, que está completando 25 anos de existência, tem lastro histórico de homenagear pessoas, mas a partir do ano passado passou a incluir também entidades que lutam em defesa da cidadania, da democracia e da justiça social. O advogado Franz de Castro nasceu em Barra do Piraí (RJ), mas consolidou carreira no Vale do Paraíba paulista, onde desenvolvia um respeitado trabalho de evangelização com presidiários locais. Esse trabalho, por ironia, custou-lhe a vida. Em fevereiro de 1981, aos 39 anos, chamado para servir de mediador de uma rebelião na delegacia policial de Jacareí, Franz de Castro tornou-se refém dos amotinados que buscavam a liberdade. Durante a fuga, no carro metralhado, morrem todos, detentos e o advogado refém. Por isso, para lembrar seu sacrifício, a OAB-SP criou, em 1982, o Prêmio Franz de Castro, que, além de homenagear, tem a proposta de incentivar a luta pela justiça social e pelo respeito aos direitos basilares do cidadão.
Em boa hora a OAB/SP presta uma justa homenagem ao Ministro Marco Aurélio. Defensor intransigente dos direitos e garantias individuais, ele nos dá o gosto de continuar advogar. Independência, humanismo e competência, um trinômio que tanto e tão bem o caracterizam.
Parabéns ao eminente Ministro Marco Aurélio e também à OAB/SP pela feliz iniciativa.
Alberto Zacharias Toron, advogado, Secretario-Geral Adjunto do Conselho Federal da OAB e Presidente da Comissao Nacional de Prerrogativas.
Não faltou um adjetivo nesse Direitos Humanos? Talvez, "dos privilegiados"?
Será que a OAB convidou o ex-banqueiro Salvatore Cacciola para participar da justa homenagem ao Ministro Marco Aurélio?
Não sei se o Ministro sabe?...
Mas ao defender o direito individual, cumpre o direito ao livre-aribtrio, instituito pela maior autoridade do universo, descrita em Salmos 83:18, " Para que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová,
Somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra."
Um povo livre, mas responsável
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — JOÃO 8:32.
LIBERDADE. Que palavra poderosa! A humanidade tem suportado incontáveis guerras e revoluções, bem como incalculáveis distúrbios sociais, por causa do desejo dos humanos de ser livres. Sobre isso, The Encyclopedia Americana diz: ‘Na evolução da civilização, nenhum conceito tem desempenhado um papel mais importante do que o da liberdade.’
2 Não obstante, quantas pessoas são realmente livres? Quantas sequer sabem o que significa ter liberdade? A Enciclopédia Delta Universal diz: “Para que uma pessoa tenha liberdade completa, não deve haver restrições ao seu pensamento, expressão e ação. Deve saber quais são as suas opções e ter o poder de decisão sobre elas.” Encarando isso assim, conhece alguém que é verdadeiramente livre? Quem pode dizer que ‘não tem restrições ao seu pensamento, expressão e ação’? Realmente, apenas uma pessoa em todo o Universo se enquadra nesta descrição: Jeová Deus. Apenas ele tem liberdade absoluta. Somente ele pode adotar qualquer opção e executá-la apesar de todas as oposições. Ele é “o Todo-poderoso”. — Revelação (Apocalipse) 1:8; Isaías 55:11.
Edy - Consultor
e-mail: egnngutierrez@hotmail.com
Além do Cacciola, tem que convidar o "bicheiro" "Turcão, a quem o homenageado ministro soltou 2 vezes e soltará mais uma provavelmente , após o Estado Brasileiro gastar milhares e milhares de reais que poderiam ter sido aplicados nos direitos humanos dos excluídos ( como saúde pro exemplo - morrem milhares de pessoas por falta de recursos básicos).
É tudo uma grande hipocrisia: OAB, Poder Judiciário, Mello, Mendes e outros. Este país de instituições cujos representantes só sabem discursar e não trabalhar verdadeiramente, pelo jeito, não vai mudar tão cedo.
Merecidíssima a homenagem. Quanto aos críticos, cabe aquele velho brocaro: os cães ladram mas a caravana passa. Traduzindo, os linchadores furibundos vociferam mas os direitos fundamentais, no fim, devem se sobrepor.
Parabéns a seccional paulista pela homenagem e obrigado, Ministro Marco Aurélio, pela forma firme, independente e corajosa com que defende os direitos e garantias fundamentais, não importando quem seja o titular das mesmas.
Acho que seria bom lembrar para o Ministro Marco Aurélio não ir acreditando e s eempolgando muito com esse tipo de prêmio, pois quando aposentar vai entender o porquê.
Depois, só no Brasil homenagear ministro porque respeita Direitos Humanos. Ou seja, fazer o que tem que fazer merece prévio. É só aqui.
Parabéns a seccional paulista da OAB e parabéns Ministro Marco Aurélio. Feliz do país que tem um juíz com sua estatura, coragem, independência e espírito absolutamente legalista.Pelo bem da democracia e da justiça continue assim.
Por outro lado, nada mais triste que alguns comentários imbecis, certamente daqueles que preferem hipócritas, demagogos, e conservadores vaidosos que falem alemão e que foram guindados ao STF mais pela idiossincrasia polícita do que pela capacidade técnica ou senso de justiça e , até por tal motivo, polemizam seções em busca da notoriedade pessoal e expiação de seus complexos, mas NUNCA por conta das frequentes violações de direitos ocorridas nesta república de...
Parabéns a advocacia brasileira
Comentarista (Outros 07/12/2007 - 14:29
Além do Cacciola, a OAB/SP poderia ter convidado também as famílias das vítimas assassinadas por alguns dos Ilustres membros do MP paulista (e que, atualmente, estão respondendo em liberdade pelos respectivos crimes praticados, ou seja, homicídios doloso e culposo)...
Aí, sim, a solenidade se tornaria bem mais "humana"...
Isso sim é escárnio, ministro Joaquim!
Que tal instituir o prêmio "Salvatore Cacciola"?
Seria um justo reconhecimento àqueles que deferem aos criminosos o direito de insubmissão à lei.
E os assassinos que arrastaram a criança nada? E os pais de familia chacinados em semaforos nada?.
Direitos humanos de quem?
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