Reinaldo Azevedo: Cabral acorrentado mostra fascismo da “lava jato”

*Artigo originalmente publicado no blog de Reinaldo Azevedo no site da RedeTV! neste sábado (20/1) com o título "Cabral acorrentado se torna um emblema da Lava Jato: é a suposição estúpida de que o fascismo dos meios levaria a um bom fim".

A imagem de Sérgio Cabral em Curitiba, com os pés acorrentados, cercado de agentes federais com o rosto coberto, atinge o paroxismo da violência moral, da ilegalidade, do ato atrabiliário, do fascismo dos meios para a suposta virtude dos fins.

Há quanto tempo tenho chamado a atenção para os abusos praticados pela operação "lava jato"? Infelizmente, importantes setores da imprensa têm sido coniventes com eles. Já nem se diga a OAB nacional, rotineiramente de uma omissão escandalosa. Quando protesta, o faz de maneira tão frágil e covarde que melhor seria calar-se.

Tanto bati que fui eu mesmo vítima daquilo que denunciava: como sabem, ou Ministério Público Federal ou Polícia Federal — ambos em conluio? — vazou uma conversa minha, ao telefone, com uma fonte, Andrea Neves. O intuito, obviamente, era me ligar a alguém que tinha tido a prisão preventiva decretada — em si, outro abuso, cumpre notar —, embora o diálogo nada tivesse a ver com a investigação nem sugerisse algo ilegal. Agredia-se, de forma desassombrada, uma garantia constitucional: o sigilo da fonte.

Assim, a "lava jato" mandava um recado: “Não ousem discordar de nós ou nos criticar. Isso poderá custar caro”.

Ou o senhor ministro da Justiça, Torquato Jardim, determina que a Polícia Federal abra imediatamente uma investigação para apurar os abusos ou pode pedir demissão. Ou o delegado-geral da PF, Fernando Segóvia, toma ele mesmo providências ou também pode pegar o caminho da roça. E podem esperar coisa pior. Infelizmente, a troca de guarda na PF e no Ministério Público Federal foi irrelevante para fazer com que esses entes do Estado voltassem aos limites estritos da lei. Raquel Dodge, a procuradora-geral, já é uma decepção. E não porque ela está deixando de fazer o que eu quero. Mas porque está permitindo, sem reação, que a corporação que comanda, por intermédio de alguns de seus próceres, jogue no lixo as leis, o decoro, o bom senso. Ainda volto a esse tema em particular. Estamos num caminho ruim e perigoso.

Não seja idiota, leitor amigo! Aplaudir a humilhação a que foi submetido Cabral corresponde a dar ao guarda do bafômetro a licença de lhe dar uns petelecos.

ATENÇÃO! INEXISTE PAÍS QUE MALTRATE SEUS PRESOS E TRATE BEM OS CIDADÃOS COMUNS.

ATENÇÃO! INEXISTE PAÍS QUE DISPENSE TRATAMENTO DIGNO A SEUS PRESOS E INDIGNO A SEUS CIDADÃOS.

Nas sociedades, o preso é um indicador do estado geral da saúde democrática. A razão é simples: aquele que está sob a guarda do Estado perdeu parte importante de sua autonomia, da capacidade de se autogerir, de tomar decisões sobre o próprio destino. O Estado toma para si tais atribuições — e assim tem de ser se houve a transgressão. Por isso mesmo, avaliar o que faz tal Estado com quem está sob a sua guarda corresponde a saber o tratamento que ele dispensa ao conjunto da população.

“Tá com peninha de Cabral?”, vomitam os idiotas. Não! Estou preocupado justamente é com esse fascismo dos meios que tem constituído a pedra de toque da "lava jato". Ora, bolas! Fui ou não o primeiro a apontar que pelo menos quatro das dez medidas de Deltan Dallagnol contra a corrupção não faziam inveja a um regime fascista ou comunista? Fui ou não fui o primeiro na imprensa a bradar contra as prisões preventivas em avalanche, tornadas instrumentos de pressão para a delação premiada? Fui ou não fui o primeiro a protestar contra as conduções coercitivas, inclusive a de Lula, que, também elas, buscavam antes o ritual de humilhação do que a eficiência da operação?

Ao repetir aqui o “fui ou não fui o primeiro”, não estou reivindicando primazias e heroísmos. É que sei bem o que isso tudo me custou e me custa. Ou também não é sob saraivada de balas que escrevo sobre as aberrações da sentença de Sergio Moro na condenação de Lula? Afinal, não sou de direita? Não sou anti-esquerdista? Não sou um dos mais antigos críticos do PT na grande imprensa? Sim, é tudo verdade! Mas a minha repulsa a esse partido deriva do fato de ser eu um liberal, um defensor incondicional da democracia e do estado de direito. Por essa razão, pouco me importa se a vítima da agressão é Sérgio Cabral, uma figura política pela qual sinto profundo desprezo, ou Luiz Inácio Lula da Silva, que pensa e encarna boa parte das coisas que repudio em política.

Ocorre que não são os meus adversários — e as vicissitudes que os colhem — a decidir o que penso ou deixo de pensar. O que penso ou deixo de pensar não muda a depender dos alvos da ação dos entes estatais. Em qualquer caso, eles têm, de se ater os limites da legalidade. E isso vale para todo mundo.

Ocorre que o país está se acostumando à violência institucional. Pergunta-se antes “quem” para depois procurar saber o “quê”. Uma das coisas que sempre repudiei no petismo, inclusive no curto período em que lá estive, é o relativismo moral; é a noção — para citar lateralmente um texto clássico das esquerdas — de que existem “a nossa moral” (que serve à “nossa luta”) e a “deles”. Segundo essa concepção, “nós, de esquerda, podemos fazer coisas contra eles que eles jamais fariam contra nós; afinal, devemos tirar vantagens dos pruridos morais de nossos adversários, de sorte que, se a honra deles não permite o ataque pelas costas, então a nossa vantagem comparativa está em atacar pelas costas”…

Infelizmente, o pouco que havia ou se desenvolveu de pensamento liberal e conservador no país se deixou sequestrar por essa lógica incivilizada, bruta — no limite, homicida —, amoral. Alguns sinais de conteúdo ideológico estão invertidos, é claro!, mas os valores que animam uns e outros são os mesmos.

De volta a Cabral
Nessa sexta e neste sábado, todos os partidos, grupos de rua, militantes e afins que juram de pés juntos seu amor pela democracia liberal deveriam estar indignados com a imagem de Sérgio Cabral acorrentado. Por quê? Qual era o propósito de tal prática senão a humilhação do preso? Você gostou, amigo? Acha que é assim mesmo que se faz? Vamos ver a quem você vai reclamar quando o guarda da esquina resolver exercer sobre você a sua (dele) autoridade…

Eis aí. É assim que a "lava jato" está nos preparando um futuro melhor: violando leis, garantias constitucionais, direito dos presos a um tratamento digno etc. E tudo isso para quê? Para nada!

Como escrevi anteontem, os motivos alegados para transferir Cabral já são de uma fragilidade escandalosa. Se ele recebeu alguma regalia indevida no presídio do Rio, que se coibisse a prática e que se abrisse uma investigação para punir os responsáveis. Em vez disso, o juiz Sergio Moro preferiu transferi-lo para “o sistema prisional do Paraná”, como a dizer: “aqui, no olho do furacão da 'lava jato', não tem mole, não! Aqui a gente humilha mesmo os poderosos. Aqui, eles não terão os direitos que lhes faculta a lei e que só servem à impunidade”.

Estamos começando a nos aproximar do abismo legal. Ainda vou trazer aqui um momento patético, vocês verão, em que um procurador da República se revolta contra o direito que tem um investigado de não responder a uma questão — capítulo da máxima das democracias no terreno penal, segundo a qual ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Isso é pilar da democracia, não instrumento da impunidade. Acontece, vocês verão, que o procurador não gostou. E nós sabemos que, com raras exceções, procuradores acreditam poder construir a sua própria República oligárquica, à qual todos nós, incluindo os Poderes da República, estaremos subordinados, unidos pelo “direito de obedecer”.

O alarde com os tais “artigos de luxo” de Cabral já era um óbvio exagero, no qual a imprensa embarcou gostosamente, fazendo o barulho demagógico e populista que a "lava jato" queria que fizesse. Ora, com a população, então, pilhada contra o ex-governador, por que não oferecê-lo ao linchamento? E foi o que se fez.

Apenas um exemplo
E que se note: Cabral é apenas um exemplo de algo bem mais grave. O desrespeito aos limites legais passou a ser prática corriqueira de setores abrigados na PF e no MPF. Lembro de novo: eu mesmo tive violada uma proteção constitucional sem ter, como é sabido, cometido crime nenhum. Agrediram um dos pilares da minha profissão. Só para mostrar quem manda. Nesta sexta, nas redes sociais, Deltan Dallagnol pregava abertamente o impeachment do ministro Gilmar Mendes e incentivava as pessoas a assinar uma petição em favor do impedimento. O quer vai acontecer com ele? Nada obviamente. Mas que ousasse um ministro do Supremo sugerir a exoneração, a bem do serviço público, de um procurador. O mundo viria abaixo.

O caso de Cabral é tão chocante que gerou a reação negativa mesmo em setores que vivem de joelhos para a "lava jato". Em certa medida, a crítica nesses nichos é farisaica. Sua síntese: “Ao exagerar, a 'lava jato' fornece um pretexto para seus críticos”, como se a operação, na sua essência, não estivesse eivada de violações legais e de agressões à institucionalidade.

Cadê Cármen Lúcia?
A propósito, cadê Cármen Lúcia, presidente do Supremo, que responde pelo STF durante o recesso? Ela tem o hábito de se manifestar de moto próprio sobre isso e aquilo — geralmente causas que caíram, vamos dizer, no gosto dos defensores do populismo judicial. E sempre é muito sentenciosa a respeito. Quero saber o que pensa a ministra sobre a decisão deliberada de humilhar um preso.

“Ah, está reclamando porque é Cabral, né?” Não. Se você clicar aqui, lerá um texto deste blog, escrito no dia 8 de janeiro de 2014, em que bato duramente nas esquerdas porque elas se ocuparam apenas de combater a tortura a presos políticos, dando de ombros para o tratamento dispensado a presos comuns. Lá está escrito:
“A persistência da tortura e da violência nos presídios brasileiros — praticadas por autoridades ou pelos próprios presos — se deve ao apreço seletivo de nossos bem-pensantes pelos direitos humanos. A sua raiz, no fim das contas, é ideológica. A ditadura acabou em 1985. De Itamar Franco a esta data, o país está sob o comando de forças políticas ditas “progressistas”. A situação, no período, não fez senão se agravar.
Em suma, já não se trata de um problema da ditadura. É um problema da democracia.”

Não! O cara que condescende com a barbárie não sou eu. Eu sou um cara que a combate, venha de onde vier.

Com a palavra as entidades que congregam advogados.

Com a palavra os grupos defensores dos direitos humanos.

Com a palavra o diretor-geral da Polícia Federal.

Com a palavra o ministro da Justiça.

Com a palavra a procuradora-geral da República.

Com a palavra o juiz Sergio Moro, que resolveu dividir “o preso e a presa Cabral” com o também juiz Marcelo Bretas.

Com a palavra os ditos movimentos de rua, que se colocaram como animadores de torcida da "lava jato". Era para isso? É a essa a democracia que têm em mente, com esses valores?

Os responsáveis por aquele espetáculo deprimente têm de ser punidos.

Ah, sim: a PF informa que a corrente nos pés de Cabral segue “protocolo de segurança”. Bem, então que se exibam os protocolos. Ainda que existissem, eles não poderia estar, como estariam, acima da lei e da Constituição. A propósito: quantos outros passaram pela mesma humilhação? Um ato vergonhoso só poderia ser justificado com palavras também vergonhosas.

Observador.. disse:
21 de janeiro de 2018 às 11:29

Cabral fez um mal IMENSO ao RJ.
Mas muitos outros também o fizeram, e ao Brasil, e estão aí, soltinhos, ou em suas casas com tornozeleiras.
Alguns fazem até campanha sem problema algum.

Outros já ficaram presos, foram soltos, indultados e nunca os vi sendo transportados assim por autoridades policiais.

Enfim...o conceito de Bode Expiatório, onde muitos querem expiar seus pecados através do sacrifício de outros, pode ser encarnado pela exagerada imagem do Cabral e os grilhões.

Sempre fui a favor das algemas.
Mas para criminosos de sangue ou pessoas que podem se matar ou atentar contra vida dos policiais. E algemas.
Teria que ter um fato muito claro para se ir além das algemas (das sandálias já foram há muito tempo).
Ver o ex Gov todo acorrentado, como se fosse o "Hannibal Lecter" ....só me fez lembrar dos rituais do bode expiatório.

Uma pena.
Justiça é uma coisa.
Expiação é outra.
Que cada um saiba a diferença para podermos construir um país realmente melhor.
Ou estaremos sempre nos enganando.
Mudando apenas de algoz.
E isso me recuso.

Força e Honra para todos !

Rejane Guimarães Amarante disse:
21 de janeiro de 2018 às 11:51

Quem está muito chocado com as correntes de Cabral não está ligando o caso ao Estado do Rio de Janeiro tomado pelo crime organizado que necessitou até das Forças Armadas para conter um pouco a situação.

Gelson de Oliveira disse:
21 de janeiro de 2018 às 12:57

O autor do texto concedeu a palavra a várias autoridades, mas, como cidadão, no pleno uso e gozo dos direitos civis e políticos, penso que também tenho o direito de dar a minha opinião sobre esse assunto. Creio que está havendo uma inversão de valores no Brasil, com excessiva proteção a criminosos, especialmente os ligados à corrupção, quando a justiça atinge as classes mais privilegiadas, a elite da sociedade, os poderosos, que se consideram acima da lei e da Constituição. Alguns deles entendem que não podem nem ser investigados, de tão poderosos que são, porque assim que a investigação é iniciada eles ingressam com ações contra os promotores e procuradores alegando alguma ilegalidade. Não se trata de direito de defesa, consagrado na Constituição, mas direito de ataque contra as instituições. O mesmo comportamento é reiterado após a comprovação dos crimes e deflagração do processo penal, agora contra os juízes e tribunais. Os criminosos do colarinho branco pensam que podem obrigar juízes e tribunais a decretar a sua inocência, mesmo contra as provas dos autos. O crime no Brasil vem sendo muito protegido ultimamente. Nenhum trabalhador brasileiro honesto tem recebido tanta proteção, como os criminosos do colarinho branco, numa gravíssima inversão de valores. Deste modo está mais do que evidente que o crime compensa, e muito. E o fato é tão grave que o crime está dominando o Brasil, em todas as esferas da sociedade. A população brasileira está refém do crime. Os órgãos do sistema de justiça, Ministério Público, Polícia Federal e Judiciário têm recebido todo tipo de ataque pela mídia insistentemente todos os dias. Nós temos uma Constituição que diz que "todos são iguais perante a lei" e não se justifica que alguns criminosos tenham privilégios.

Da proibição nasce o tráfico. disse:
22 de janeiro de 2018 às 03:56

Esse autor já escreveu coisas que me deixaram furioso pela desonestidade, mas agora não há como não concordar inteiramente com ele.

E quando ele diz

"ATENÇÃO! INEXISTE PAÍS QUE MALTRATE SEUS PRESOS E TRATE BEM OS CIDADÃOS COMUNS."

Mostra exatamente como o Brasil colapsou e a maior prova disso é nosso sistema prisional. Masmorras que desrespeitam completamente a dignidade da pessoa humana. Como um governo, uma polícia e uma justiça que faz isso com os presos, vai ser boa pro cidadão comum?

Bom, se pro Cabral já está aparecendo pra fazer o justiçamento que todo mundo quer ver, imagina o preso pé rapado, que foi pego com 10g de maconha e foi pro inferno por isso e vai sair de lá sem humanidade, soldado do crime?

Ser negro, pobre e de periferia no Brasil seve ser o inferno, ao mesmo tempo que nunca se sabe quando vai piorar, já que na primeira chance, serão jogados nas masmorras, sem nem serem julgados por isso.

Servidor estadual disse:
22 de janeiro de 2018 às 08:16

Mas, e se Cabral fosse resgatado? Concordo que ele não deveria ter sido algemado, tão somente porque o STF determinou, e a polícia tem que obedecer os poderes, em especial o Judiciário, mas em termos de prática de segurança eles não erraram. Assim é feito o transporte de presos no mundo, em especial nos EUA, com quem gostam tanto de nos comparar.

VALDOMIRO ZAGO disse:
22 de janeiro de 2018 às 08:19

Será que se fosse um outro alguém, estariam perdendo tempo em tecer comentários, se é legal ou não o uso de algemas para quem, nunca se preocupou com o próximo, e, deixou um estado sempre tido como maravilhoso em lamentável situação. Todos aqueles que roubam ou roubaram merecem um tratamento desprezível, para nunca mais se esquecerem do mau que causaram a tantas pessoas, trabalhadoras e humildes deste nosso País. Vamos aplaudir sempre as atitudes destes Juízes.

sytote disse:
22 de janeiro de 2018 às 17:24

Esse jornalista mediocre está totalmente apavorado com a iminente condenação do seu chefe e da onde sai o dinheiro para seu pagamento. Em seus comentários pede o fim Da Lei de Ficha Limpa, quer a volta de Dilma pra preparar o caminho para o maior ladrão que apareceu na face da terra.
sua moleza vai acabar.

Erminio Lima Neto disse:
22 de janeiro de 2018 às 17:54

Abusos de autoridade, em qualquer circunstância, é agressão ao Estado Democrático de Direito, mais! é "caudilhismo" as avessas.

Wagner Brasil disse:
28 de janeiro de 2018 às 15:55

"O crime avulso, desorganizado e não estruturado merece a polícia, as surradas varas criminais, os fóruns atulhados de processos, a cadeia desumana. O crime dos bandidos de terno e gravata sempre aguarda em liberdade alguma decisão de tribunais superiores. Infelizmente, entre nós, a
cidadania não se apoia no direito coletivo —ela tem a ver com o poder econômico.
Quando policiais enfiam o pé na porta da casa do pobre, armas na mão, sem mandado de prisão, arrastando um suspeito algemado até a moradia de outro, as
câmeras de televisão dos programas vespertinos transformam isso num espetáculo. E são brindadas com altas audiências, fruto da sede de vingança das
possíveis vítimas. Ou seja, todos nós. Mas quando um banqueiro acusado de falcatruas milionárias é algemado, o império da lei se manifesta imediatamente. Bandos de advogados usando ternos Armani correm para diante das mesmas câmeras." Carlos Amorim - Assalto ao Poder.

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