O governador José Serra nomeou Fernando Grella Vieira para ser o novo procurador-geral de Justiça de São Paulo. O anúncio foi feito no final da noite de terça-feira (25/3). Grella Vieira ganhou o topo da lista na eleição para o cargo de chefe do Ministério Público paulista. O procurador de justiça obteve 931 votos, ficando à frente de José Oswaldo Molineiro e Paulo Afonso Garrido de Paula, que figuravam na lista tríplice enviada ao Palácio dos Bandeirantes. Mesmo com eleição interna, a última palavra cabe ao governador que tem a prerrogativa constitucional para indicar o procurador-geral de justiça.
A nomeação foi saudada durante a madrugada e as primeiras horas desta quarta-feira (26/3) no Blog do Promotor, canal criado por integrantes da instituição. “O governador assentiu democraticamente à vontade da maioria. É preciso lembrar que nossa luta não terminou. Temos que continuar defendendo a democratização plena do MP”, afirmou o promotor Sérgio Turra Sobrane, que atua na Promotoria de Justiça da Cidadania da Capital.
Também ocorreram manifestações externas como a da procuradora da República, Janice Ascari. “Parabéns ao governador [José] Serra pela atitude, mostrando ser perfeitamente possível aliar prerrogativa com espírito democrático. Parabéns ao colega Fernando Grella Vieira, a quem desejo uma excelente gestão à frente do maior MP do país. Parabéns ao Promotor – de quem sou fã declarada – por manter o blog, que a cada dia se firma como uma importante ferramenta de comunicação, e pela serenidade na condução e mediação dos debates”, declarou a integrante do Ministério Público Federal.
Fernando Grella ficará à frente do Ministério Público pelos próximos dois anos. O procurador de justiça está há 24 anos na instituição, já fez parte do Conselho Superior do MP e representou a instituição no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. O novo procurador-geral integra o grupo de oposição ao atual chefe da instituição, Rodrigo Pinho. Antes da posse, Grella deve definir seus principais assessores.
O cargo de procurador-geral de Justiça é cobiçado pelo seu poder e prestígio. O chefe do Ministério Público tem atribuição para investigar e processar deputados estaduais, secretários de Estado, magistrados, promotores de Justiça e até o governador em atos de improbidade administrativa. A instituição é definida pela Constituição como guardiã da democracia e fiscal da lei.
Nova era
Esta foi a primeira vez na história do Ministério Público paulista que um candidato oficial, com apoio do chefe da instituição, perdeu a eleição no voto. José Oswaldo Molineiro, que tinha a preferência de Rodrigo Pinho, ficou em segundo lugar com 669 votos. O resultado eleitoral e a nomeação do governador marcam o retorno da oposição à frente da Procuradoria-Geral de Justiça depois de 12 anos longe dela.
O Ministério Público de São Paulo é o maior do país, com 1.620 promotores de 201 procuradores de Justiça. Grella recebeu 17,88% dos votos, Molineiro ficou em segundo lugar 12,85%, Em terceiro veio Garrido de Paula, com 8,70% e em último apareceu Benedito Tarifa com 3,74%.
A campanha da eleição para o biênio 2008-2010 foi a mais tranqüila dos últimos anos. Todos os candidatos apresentaram programas parecidos com promessas de democratizar o Ministério Público, de combater o crime organizado e de não dar tréguas à corrupção no serviço público.
Faço minha as palavras da ilustre Procuradora Janice Ascari sobre a nomeação do novo Procurador Geral de Justiça, em São Paulo.
Otavio Augusto Rossi Vieira, 41
Advogado Criminal em São Paulo
A matéria diz que estamos em uma “nova era”. “Pela primeira vez na história desse estado”, como diria nosso Guia, “um candidato oficial, com apoio do chefe da instituição, perdeu a eleição no voto”. Isso, ao menos em tese, garante sua independência com relação ao governo estadual. Nos tempos de Orestes Quércia, a Constituição Estadual estabelecia que o procurador-geral era de livre nomeação do governador. A imprensa dizia, com todas as letras, que o procurador-geral, cujo nome não recordo, mas que tinha um sobrenome itálico, tinha sido nomeado pelo governador mercê de uma velha amizade. Estamos em novos tempos: mudou a Constituição; mudou o governante, que agora conta com a simpatia da mídia. Melhor assim: terá ele independência para levar a cabo investigações que parecem estar andando de lado, que nem caranguejo. Dentre elas, citaríamos: uso de notas frias na campanha tucana de 2002; uso de cartão de débito em casas noturnas; superfaturamento nas obras do metrô; nepotismo no TCE; cobrança de propina e envio ilegal de dólares para o exterior, pelo presidente do TCE.
Carlos de Araujo Pimentel Neto (titular da Pimentel Neto Advogados Associados)
Como já havia me manifestado anteriormente, fico particularmente muito feliz com a nomeação do Dr. Fernando Grella Vieira para o cargo de procurador-geral de justiça de São Paulo. Além de possuir os requisitos necessários, com folga, o eminente procurador de justiça é um exemplo a ser seguido por seus colegas do Ministério Público de São Paulo. Para os advogados, a nomeação, sem dúvida alguma, é muito bem vinda. Agiu muito bem o governador, nomeando o mais votado. Parabéns ao Dr. Fernando Grella Vieira. Daqui sigo seus passos, torcendo muito por seu sucesso. Que Deus o abençõe.
Carlos de Araujo Pimentel Neto
Sim, "nova era". Começou no último dia 14, sexta-feira: foi o dia em que o sonho de um capitalismo de livre mercado (neoliberal) e alcance mundial morreu.
Parabens governador. Mantenha esta posição democrativa de entregar a quem é o mais votado. Seria interessante que este posicionamento se extendesse ao Quinto Constitucional onde o mais votado pelo Tribunal nem sempre leva a nomeação.
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