Oi anuncia compra da Brasil Telecom por R$ 5,8 bilhões

A Telemar Participações, dona da Oi, anunciou nesta sexta-feira (25/4) a conclusão das negociações para a compra da Brasil Telecom por R$ 5,863 bilhões. O anúncio foi feito em comunicado divulgado aos investidores. As duas empresas têm 24,60 milhões de clientes em telefonia fixa e 20,26 milhões na telefonia celular.

A nota da empresa informa que a Telemar receberá 60,5% do capital votante da Brasil Telecom. As estimativas iniciais do mercado eram de que o negócio seria fechado por R$ 4,8 milhões. Os controladores da nova empresa serão dois brasileiros: Carlos Jereissati, do Grupo LaFonte, e Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez.

A Lei 9.472/97, que trata das telecomunicações, impede a concentração de concessionárias de telefonia fixa. Para que a compra seja efetivada, a lei precisará passar por mudanças. Se a lei for alterada, o negócio precisa passar ainda pelo aval da Agência Nacional de Telecomunicações e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

“A Telemar entende que a complementaridade dos serviços telefônicos fixos comutados, dos serviços de telefonia móvel e dos serviços de comunicação de dados prestados pela Telemar e pela BrT permitirá a obtenção de economias de escala e de escopo que resultarão no melhor atendimento das necessidades do mercado e dos consumidores”, afirma nota da empresa (Clique aqui para ler o comunicado).

Do total, R$ 4,982 bilhões serão pagos para a aquisição da Invitel (dona da Solpart, que controla a Brasil Telecom Participações). Outros R$ 881 milhões serão pagos por ações de emissão da Brasil Telecom Participações. O contrato estipula prazo de 240 dias para que a Anatel aprove a compra. O prazo pode ser estendido para um ano.

Com a privatização das telecomunicações, em 1997, a telefonia fixa no Brasil ficou dividida em três grandes áreas. A Brasil Telecom ficou com os estados do Sul, do Centro-Oeste e com os estados do Acre, Rondônia e Tocantins. A Oi ficou com a região Sudeste (exceto São Paulo), com o Nordeste e os demais estados do Norte. A espanhola Telefônica ficou com São Paulo.

O Citigroup e da GP Participações, que tem participação na Brasil Telecom, deixa o setor. O banco Opportunity, de Daniel Dantas, que tem cotistas nas duas empresas, também deixa o negócio. Foi feito um acordo para acabar com as disputas judiciais entre os controladores.

As comissões de Ciência e Tecnologia e Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados farão uma audiência pública no dia 7 de maio para debater o negócio e mudanças regulatórias estudadas pela Anatel.

olhovivo disse:
25 de abril de 2008 às 19:11

Puxa, quase R$6 bi! Por isso aquela briga toda. Opportunity, Telecom Italia, espionagem, ações civis públicas geradas em computador alheio, turma do Zé, do Gushiken e muito... muito mais.

Embira disse:
26 de abril de 2008 às 10:37

Pois é, Olhovivo. Temos aí uma “supertele”: o Conjur pode até pedir a patente desse neologismo. Mas, temos, também, um supertucano: Carlos Jereissat, irmão do senador Tasso Jereissat, o homem das fechaduras La Fonte que parece ter descoberto a chave da fortuna. Não duvido que ele se torne um novo Carlos Slim, o mexicano proprietário da Claro, que é mais rico que o dono da Microsoft, Bill Gates. Assentada a poeira desse meganegócio, talvez volte a paz ao mundo das tele. Não teremos mais aquela briga de foice entre jornalistas e os editoriais contra e a favor de Daniel Dantas, o “banqueiro orelhudo”. Pena que, como efeito colateral dessa megatransação, os sites de Paulo Henrique Amorim e Mino Carta, no IG, não estão mais “no ar”, como se dizia antigamente, no jargão radialista. Na verdade, foram para o espaço. Em compensação, o setor das teles, totalmente desnacionalizado pelas privatizações, voltará a ter forte participação nacional. Se todos querem que o país cresça, por que não haveria de participar desse rico filão econômico?

rubensjn disse:
26 de abril de 2008 às 11:41

Chame o ladrão!!! Quem vai pagar esta grana? O Carlos Jeiressat (dono de Shoping)ou o dono da Andrade Gutierrez.
Sei não acho que tem dinheiro novo do contribuinte brasileiro nesta negociata.

César disse:
26 de abril de 2008 às 16:58

Tráfico de Influência é crime.
Por que só as cias de capital nacional conseguem realizar negociatas , comprar deputados , senadores , governadores , alterar a Lei à seu bel prazer , para receber concessões e crédito tributário e as cias de capital estrangeiro não conseguem ?

mario disse:
26 de abril de 2008 às 20:09

QUANTO DESCARAMENTO; "NEGOCIAR" FORA DA LEI 9.472/97 SOB A ESPECTATIVA DE MUDANÇAS DE "RESOLUÇÕES" DA ANATEL QUE MUDARÁ A LEI, PERMITINDO O ILÍCITO DE AGORA, COM FINANCIAMENTO PÚBLICO ATRAVÉS DO BONDOSO BNDES COM MAIS DE 50% DO VALOR DA OPERAÇÃO.
AUTORIDADES OMISSAS, CONIVENTES, CORRUPTAS QUE ENLAMEIAM AS INSTITUIÇÕES JÁ TÃO COMBALIDAS. TUDO ISSO NA CERTEZA DA IMPUNIDADE, DA IGNORANCIA DA SOCIEDADE QUE DE TUDO NADA SABE...
É LAMENTÁVEL.....
TERIA SIDO FORTALECIDA A TRAMA QUANDO DO ILÍCITO DA NEGOCIAÇÃO TVA/TELEFONICA ?
COM CERTEZA, SIM....

mario disse:
28 de abril de 2008 às 18:33

NÃO SEI SE ESTOU PEDINDO MUITO...
PEÇO A GENTILEZA DE DIVULGAREM QUE NÃO EXISTE A BR/OI, NO MÍNIMO BR/TELEMAR QUE NA VERDADE É NEGOCIADA ATRAVÉS DA RAZÃO SOCIAL TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A.
É SÓ
GRATO
mario oliveira

Bira disse:
01 de maio de 2008 às 17:11

Mudar a lei em beneficio de uma empresa é legal?
Tempos "modernos" hein...nem Bill Gates faria melhor.

PEREIRA disse:
10 de maio de 2008 às 09:33

É lamentável nós termos esse tipo de coisa em nosso país. A antiga Telemar, ou disfarçada de Oi, recebeu quase de graça dois terços do território nacional da telefonia fixa, financiada pelo BNDES e fundos de pensão públicos no período FHC.Hoje é Lula quem está financiando e apoiando o monopólio das comunicações no Brasil. Quem diria que Lula um dia se transformasse tanto para defender oligopólios empresariais.
Sabemos hoje que a privatizaçãoda Telebrás não foi com o intuito da livre concorrência, mas para beneficar grupos empresariais financistas de campanhas presidenciais. Isto é uma vergonha.

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