A população não confia na Justiça, mas mesmo assim procura o Judiciário para resolver seus conflitos. A conclusão faz parte da análise do primeiro índice que mede o nível de confiança no Judiciário, o ICJBrasil, divulgado pela Fundação Getulio Vargas em São Paulo nesta terça-feira (1/9). O ICJBrasil será divulgado trimestralmente.
Para chegar ao índice, os pesquisadores passaram por sete regiões metropolitanas do país e ouviram 1.636 pessoas. Das sete capitais pesquisadas, onde vive um terço da população do país, Salvador tem o pior nível de confiança na Justiça, com índice de 63 pontos. Segundo Luciana Gross Cunha, professora de Direito da GV e idealizadora do pesquisa, a maioria dos entrevistados da capital baiana apontou como problema o custo, o acesso à Justiça e a incapacidade do Judiciário de solucionar os conflitos. A FGV não especificou em quais casos a população soteropolitana procuraria a Justiça.
Porto Alegre é a capital com melhor índice, com 67 pontos. A maioria dos entrevistados destacou a imparcialidade, a honestidade e a confiança no Judiciário. Por isso, a população tende a recorrer mais à Justiça. 90% da população disseram que acionariam a Justiça para solucionar caso envolvendo o poder público, contra 65% envolvendo o direito do consumidor e 92% para casos envolvendo direito do trabalho.
Em São Paulo, que tem a maior estrutura judiciária do país, o que chama atenção é o tempo de solução. Mais de 95% dos entrevistados acham que é a Justiça é lenta e 61% acreditam não ser um sistema confiável. O direito do consumidor é o que mais mobiliza na cidade. Em São Paulo, os casos em que a população disse que procuraria a Justiça envolvem consumo (92%), família (91%) e o poder público (89%).
Segundo Neide de Sordi, do departamento de pesquisas judiciárias do Conselho Nacional de Justiça, a pesquisa reflete o que o levamento Justiça em Números organizado pelo CNJ já previa em algumas questões. “Mostrar que a população de Salvador é mais insatisfeita bate com o fato de o estado ter sido o primeiro a passar por mutirões por baixa produtividade. Já o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul é o que tem menor taxa de congestionamento, segundo a nossa pesquisa.”
A pesquisa relevou que, quanto maior a renda e a escolaridade, pior é a avaliação da Justiça. Os respondentes com renda superior a R$ 5 mil, formados em mestrado ou doutorado, são os que menos confiam na Justiça. Na escolaridade, a disparidade entre as opiniões é razoável. Entre os que tem o primário incompleto, a pesquisa atingiu 63 pontos. Já os que tem o maior nível de escolaridade o índice é de 56 pontos.
A própria pesquisa não respondeu a este porquê, mas Luciana Gross Conha, aposta que quanto maior informação se tem, mais próximo da realidade se chega. Já na opinião de Fabio Mirto, do CNJ, as pessoas com menor renda e escolaridade têm a visão de que o "juiz é quem resolverá os problemas de sua vida, é alguém que sabe mais que ele, é uma pessoa distante. Já para quem é formado em nível de mestrado e doutorado, o juiz é tratado como um servidor da Justiça, que deve cumprir sua função".
Confiança na Justiça
O primeiro índice sobre a confiança da população no Judiciário atingiu 65 pontos, de um total de 100 pontos, que seria o ideal. O índice foi calculado a partir de dois subíndices. O indicativo da “percepção”, que chega a 50 pontos, em que as questões que mais se destacaram foram as críticas ao tempo de processo, os custos e falta de imparcialidade e honestidade do sistema. Esse subíndice também coletou a opinião dos entrevistados sobre a confiança, o acesso e eficiência da Justiça.
Já o subíndice de “comportamento”, que atinge 80 pontos, pretende entender se e quando a população pensa em recorrer à Justiça. Os casos mais citados foram o relacionados ao Direito do consumidor e do trabalho. A área criminal ficou de fora da pesquisa porque, em caso de crime, não há escolha de procurar a Justiça ou não. O índice geral e os subíndices não são o mesmo que porcentagem, que não foi divulgada pelos pesquisadores.
De acordo com Luciana Gross Conha, só será possível avaliar se o número é alto ou baixo a partir de um histórico que virá com as próximas pesquisas. "O que se pode perceber é que o que puxou o índice para cima foi a questão comportamental dos entrevistados, em que a maioria pretende procurar a Justiça, mas não entendo que 50 pontos de percepção seja positivo", explica.
Segundo a professora da USP e estudiosa do Judiciário, Maria Tereza Sadek, para avaliar essa pesquisa, é preciso entender que a população entrevistada faz parte de diferentes regiões e faixas de renda, com uma visão diferente do que é Justiça. “Pode se entender a Justiça como a Polícia, como o fórum perto de casa, a Defensoria, o Ministério Público, os tribunais. Trata-se de uma visão muito ampla.” Para ela, é preciso conscientizar a população que ela tem outros direitos, além do trabalhista e do consumidor. "É o caso do direito em relação ao poder público, quando se acha injusta ou imprópria a cobrança de um imposto,” diz a professora
Sadek concorda que o índice terá maior usabilidade a partir do histórico que for criado com as próximas edições. “Essa medição trimestral poderá observar por exemplo se o resultado do julgamento do Pallocci ou os mutirões do CNJ refletem na população o nível de confiança em relação à Justiça.” Segundo Luciana, a ideia é que nas próximas edições sejam incluídas algumas perguntas para detectar dúvidas que surgiram na primeira edição, como, por exemplo, como fazem para resolver conflitos pessoas que não querem procurar a Justiça. A pesquisa deve ser apresentada a gestores dos tribunais para que eles possam contribuir para esse aperfeiçoamento.

A consequência não poderia ser outra, pois, quem lê jornal, os ditos esclarecidos, não filtram a tendência da imprensa em criticar o Judiciário - criticam sem ao menos entender do assunto. Vira progressão geométrica, gerando descrença.
A justiça, neste país, é como um médico: um mal necessário. Não funciona, demora, falha... E, obviamente, quanto maior o grau de instrução da pessoa, menos ela acredita numa coisa assim. É como nos "poderes" (podres) desta nação: não dá pra acreditar! Fizeram tudo para porem a perder a própria credibilidade. Agora, aguenta.
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.
Se levarmos em conta que a grande maioria das pessoas não levam suas demandas a justiça por saber que a chance de ser resolvida de forma celere é zero então passa-se a entender o por que da desconfiança. Quanto ao fato de "apesar" da desconfiança ser alta e a população continua levando seus casos a justiça é muito obvio o motivo. Se não for assim so restaria resolver a situação a "bala". Por isso o fato da população ainda levar as demandas para justiça não pode ser nenhum merito e sim é por que é a única forma civilizada de se resolver tais pendencias, mesmo sabendo q é lenta e em grande parte dos casos injusta.
O Emerson tem razáo, as tabelas da OAB sáo uma loucura.
No Rio de Janeiro a OAB fixou R$ 600,00 por uma consulta VERBAL, faz sentido ?? No tocante aos Juizados Especiais Criminais o mínimo é de R$ 3.600,00 em Brasilia, R$ 268,00 no Rio de Janeiro e R$ 1600,00 em Minas GErais, qual a lógica ? (chute e achismo).
Estas tabelas sáo inventadas por uma elite da advocacia que náo quer concorrëncia com os recém-formados. A Tabela vale para todo o EStado e mesmo em cidades pobres. Se algum Advogado quiser cobrar menos tem que pedir uma autorizaçao PRËVIA à Capital. Isso nem existe na lei, inventaram em um Código de Ética (sem ética alguma).
Para o advogado, criticar o Judiciário poderá representar um tiro no pé. Depois não reclama de se ter juízes tímidos ao despachar processos contra os interesses do MP.
As estatísticas não mentem e quem utilizou decepcionou-se. Lerda e sem pé nem cabeça. O Juiz decide sabe lá como. Nem o STF escapa. Veja-se o caso Palocci. 4 juizes acharam que era condenável, 5 não!!! É samba de criolo doido.Loteria.
Se no Sul se acredita mais e se o Sul tem maior índice de escolaridade, discordo da conclusão de que quanto maior esta menos confia no Judiciário.
Quanto à impunidade, esta se deve muito mais pela existência de leis feitas sob o manto de mensalão (dentre outros esquemas) e julgamentos feitos por órgão de cúpula (STF, onde existe apenas UM JUIZ DE CARREIRA) do que por parte do verdadeiro judiciário - que lógico tem sua parcela de culpa, ainda que mínima nesse contexto).
Os advogados (ruins e desgostosos com sua profissão) é que criticam porque só vêem os lados das vantagens de ser magistrado. Os bons sabem que tanto o advogado (bom) quanto os juízes (que na maioiria são bons, em virtude do processo seletivo mais rigoroso) possuem vantagens, porém não sem o seu ônus.
Esse papo é de advogado frustrado. Gosto de bons profissionais, sejam eles juízes ou advogados, porque são felizes nas suas profissões.
As críticas feitas a decisão do STF não atingem o judiciário pois a cúpula é formada de magistrados por conveniência (em sua maioria), POIS SOMENTE UM é magistrado de carreira.
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