Desembargador é flagrado jogando xadrez durante sessão do TJ-BA

Haroldo Abrantes / Agência A Tarde

desembargador TJ-BA jogando xadrez - Haroldo Abrantes / Agência A Tarde

O desembargador Carlos Roberto Santos Araújo foi flagrado jogando xadrez em seu computador na mais importante sessão do pleno do Tribunal de Justiça da Bahia este ano (veja foto ao lado). A reunião ocorrida nesta sexta-feira (4/9) foi convocada extraordinariamente pela presidente da corte, desembargadora Sílvia Zarif, para se discutir o fechamento do Instituto Pedro Ribeiro de Administração (Ipraj), braço gestor do TJ baiano. A sessão foi tensa, já que se debatia uma determinação do Conselho Nacional de Justiça no último dia do prazo concedido. As informações são do Jornal do Commercio de Pernambuco.

A sessão foi aberta por volta das 9h30 e os desembargadores faziam saudações ao colega Gilberto Caribé, que participava da última reunião do pleno antes de se aposentar. Também faziam críticas à cobertura da imprensa sobre os assuntos do TJ-BA, quando o repórter fotográfico Haroldo Abrantes, do jornal A Tarde, percebeu a cena. Foram feitas seis fotos, nas quais Araújo aparece concentrado, olhando para o monitor do computador.

Na sexta foto, a interface do programa mostra que a partida entre o desembargador e a máquina estava na 18ª jogada. E era a vez do magistrado jogar. “You move”, avisava o programa. O desembargador Araújo pensava na sua próxima jogada, enquanto os desembargadores reclamavam do resultado da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgada na terça-feira (1º/9), cujo resultado deu ao TJ-BA a pior avaliação do Brasil.

“Eu não estava jogando xadrez. Abri a página antes de a sessão começar, por curiosidade”, alegou o desembargador. “E a página ficou aberta [ao longo da sessão]”, completou ele, que só se manifestou uma vez na sessão, que durou cerca de quatro horas. Os cliques do fotógrafo, no entanto, dizem o contrário.  Entre a primeira e a sexta foto foram feitos dois movimentos: o 17 e o 18.

Perguntado sobre a importância do uso do computador durante a sessão, o desembargador afirmou que a ferramenta serve para “dirimir dúvidas rapidamente”.

O fotógrafo do jornal conta que o desembargador foi avisado sobre as fotos. “Alguém da plateia nos viu fotografando e telefonou avisando ao desembargador para ele mudar a tela do computador. Quando me virei, a tela já tinha sido modificada”, conta Abrantes.

Os desembargadores debateram o projeto de extinção do Ipraj e decidiram pelo seu adiamento.

[Foto: Haroldo Abrantes / Agência A Tarde]

disse:
05 de setembro de 2009 às 17:04

Vou rezar e torcer para o juiz Gerivaldo ir logo prá lá e, logicamente, ocupar a presidência daquele tribunal, com o devido respeito e vênia aos atuais ocupantes.

Vander disse:
05 de setembro de 2009 às 19:08

vai dizer que ninguém nunca fez isso, usou o computador no horário de trabalho para interesses pessoais.
só porque é desembargador?
ora, convenhamos, é gente como a gente.

Vander disse:
05 de setembro de 2009 às 19:12

'todo mundo vê as pingas que o desembargador toma, mas ninguém vê os tombo que ele leva'
essa matéria é piada!!!

Valdemiro Ferreira da Silva disse:
05 de setembro de 2009 às 20:22

SEM COMENTÁRIOS...

rogério lima disse:
05 de setembro de 2009 às 22:12

Se produtividade deste desembergador for satisfatória, estará salvo desta atividade paralela e que em nada acrescenta ou diminuio a vida dos jurisdicionados. Mas, se seus processos acumulam ou moram em seu gabinete, sem decisão, ai sim o pecado e grande e a falta é grave.

Felipe Lira de Souza Pessoa disse:
05 de setembro de 2009 às 22:44

Pior do que jogar é dormir, quantas milhares de sessões plenárias da tardinha depois do almoço foram regadas por um bom ronco de nossos desembargadores, ao menos o juiz se estimula intelectualmente.

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) disse:
06 de setembro de 2009 às 07:51

Esse negocio de PODER JUDICIARIO acho que chegou ao fim, não existe mais qualquer condição de PESSOAS estar julgando o outro e ou julgando qualquer questão.
*
O Estado Democrático de Direito faliu !
*
Pessoas ligadas a esse poder não julgam mais nada em conformidades com as leis, tão pouco se linchado pra dor do próximo, haja vista o dilaceramento social, uma baderna promiscua em que só havendo Justiça poderíamos resolver, mas isso já era o que vale é o BOLSO do freguês.
*
Lamento não ter opinião de como solucionar esse caso, mas uma coisa eu acredito, O PODRE PODER JUDICIARIO ESTA DOMINADO.

Ricardo Cubas disse:
06 de setembro de 2009 às 10:07

O maior culpado de toda essa estória é de um único sujeito: o jornalista.
Invadiu a privacidade do digníssimo "sua excelência". Deveria ter avisado previamente o desembagador que iria fotografar o ambiente de julgamento. Agiu de forma ardilosa, sorrateira.
Se eu fosse o Lula, colocaria a imprensa brasileira nos moldes legislativos do nosso grande Hugo Chavez. Aliás, como esse jornalista irresponsável ainda não foi preso?

não tem disse:
08 de setembro de 2009 às 09:39

É isto ai. R$ 27 mil mensais, tem o poder de julgo. Ou acompanha o relator ou dele discorda ou pedirá vistas do processo. Maior descaso com o assunto tão sério e de interesse do TJ-BA leva o cidadão a desligar-se do pleno, fico a imaginar como será sua posição quando para julgamento dos pobres mortais. O mais grave: somos julgados por cidadãos com este perfil.

Jurubita disse:
08 de setembro de 2009 às 10:58

Cena lamentável.

Antônio Baracat disse:
08 de setembro de 2009 às 11:06

Isso não me surpreende nem um pouco, só confirma o que venho dizendo..., que os Juizes, Desembargadores e até mesmo os Ministros do STJ não estão nem ai..., não leem mais os processos , a não ser que seja um caso de repercussão e que a mídia esteja em cima, caso contrário dão suas sentenças, seus pareceres genéricos,
igualando todos os casos, e não analizando com minudência caso a caso, esse Desembargador não foi o primeiro e nem será o último a tratar a justiça com descaso, com isso, culminando ao Judiciário Baiano a ser um dos piores do Brasil, onde processos ficam anos parados nas mesmas instancias sem nem se quer serem julgados, e quando são julgados correm um grande risco de serem analisados e julgados por magistrados como este que trata a justiça e os interesses do povo com descaso. podem ver que os processos julgados no TJBA são quase que na maior parte deles por unanimidade, confirmando essa cena acima, o que um fala, ou o que resolvem os outros seguem...sem nem saber o por que, o do que se trata..., de quem estão falando..., o que essa pessoa fez, se fez mesmo..., o relator da o seu voto e todos o acompanham..., sem nem se quer questionar, analisar com um pouco mais de escrupulos.
Como diria Boris: Isso é uma vergonha, a justiça Baiana é uma vergonha, uma lastima..., sei bem do que tô falando.

aprendiz disse:
08 de setembro de 2009 às 11:47

Sr. Vander o senhor é um desses? Só comparsas justificam brincar em serviço. Isso explica porque tantas decisões sem pé nem cabeça.

Citoyen disse:
08 de setembro de 2009 às 14:18

Em Plenário é Magistrado,
Jogando, amando, dormindo, bebendo, fumando, não estará em Plenário, não prestará jurisdição, e espero que em plena consciência se saiba somem um Cidadão.
Mas assim mesmo DUVIDO!
Se for bahiano correto, ao Santo prestará respeito!
Mas se desrespeita o Plenário um carão deverá levar!
Se os Pares do Plenário não o fazem, ao Eg. CNJ caberá, então, agir.
Censura não me parece que deverá haver.
Para o xadrez na tela, no Plenário, uma suspensão bem aplicada melhor será levar, para que passe alguns dias, livre a jogar, amar, dormir, beber e fumar!
Depois, se à jurisdição prestar, ficarão na telinha do seu computador textos legais, judiciários, sobre os quais deverá falar!
Não confunda, minha gente, o chafurdar do porco na lama com a lama chafurdada do porco lançada sobre os Patos, que todos nós o somos, ao pagarmos com os impostos os salários dos que jogam, bebem, dormem ou amam, enquanto no Plenário as luzes acesas aquecem debates, deboches!
Se o EG. CNJ deve zelar por um Estatuto, da Magsitratura chamado, deve ele chamar aos deveres, os Magistrados, os togados, que nos tabuleiros da vida, armam um xadrez divertido, dele fazendo assim, um Estatuto de Vida!
Se o Eg. CNJ deve julgar disciplinares processos, preocupa-me que, na defesa ampla que ao Magistrado será assegurado, alegue ele, preciso, que a prova contra si colhida, por na lei não estar prevista, dos autos deva ser de vez riscada, cuspida, banida!
Ficará, pois, ao Povo Bahiano, honrado, trabalhador, o saber que paga em dia, Magistrado todo pomposo, que durante seção do Plenário, planifica na telinha do seu computador, belo jogo de xadrez, que enfeita seu ambiente, que lhe ocupa o cérebro, a atenção, o espírito, revelando, então, um Grande Jo(ul)gador!

Enzo Yosiro Takahashi Mizumukai disse:
08 de setembro de 2009 às 16:51

Rui Barbosa ja sabia e dizia o quanto a ociosidade e a falta de respeito pleitava não tão somente na bahia, mas no país inteiro. E ai está a prova de que quase nada mudou em tempos atuais.
Infelizmente temos que deparar-mos com esses tipos de pessoas pobres, e pior, ocupando cargos, como e.g. presidência do Senado, Desembargador, etc

Anselmo Regis Ramos disse:
08 de setembro de 2009 às 19:31

Isto só denota quão grande deve ser a inteligênci do desembargador que faz duas atividades ao mesmo tempo(joga xadrez e delibera em assembléia). Pelo visto, fez até injunção em penário, o que é digno de nota. O xadrez só faz aumentar a argúcia e perspicácia necessárias no julgamentos das lides, não vejo nada de reprovável na atitude do Juiz.

JCláudio disse:
08 de setembro de 2009 às 20:47

Então, é assim que funciona o judiciário? Mas isto não é novidade. Somos capazes de contar nos dedos quantos juízes lêem realmente os processos que serão julgados. A maior parte das decisões são dadas sem saber o que realmente anda acontecendo. É por esta e outras razões que nada muda. Todo mundo se lambusa nesta mixórdia que o judiciário brasileiro. Vamos para festa que é o melhor que podemos fazer. E viva a bagunça e a negligência.

JB. disse:
08 de setembro de 2009 às 23:08

Esse desembargador da Bahia pelo menos estava acordado, pois estava jogando. Aqui em SP acontece sempre coisa pior. Quem se dispuser a assistir a uma sessão de julgamento do TJ verá que muitos desembargadores dormem tranquilamente enquanto os outros estão lendo seus votos ou e principalmente se algum pobre advogado estiver fazendo sustentação oral.

minuso disse:
09 de setembro de 2009 às 08:10

A filosofia explica o comportamento do nosso ilustríssimo e nobre componente do judiciário, a sensação de estar sózinho, tranquilo, ninguém esta vendo, "IMPUNIDADE", leva aqueles cujo as reais intenções são negativas, maleficas, desprovidas de virtudes a se libertarem deixar cair a máscara. PÔ meu amigo mas durante a sessão, AGORA LASCO.
SOUZA

VINÍCIUS disse:
09 de setembro de 2009 às 09:43

Meu então professor Georgino Jorge de Souza, perguntado porque batia tanto na tribuna do TJMG respondeu que "é para que os velhos não fiquem dormindo".
Xadrez é coisa de gente inteligente.
OUtra coisa: um aluno levou um pedaço de rapadura para a sala de aulas e o professor perguntou para ele: Pq este pedaço de rapadura? E o aluno respondeu: Pq quando a aula estiver ruim eu vou me divertingo com ela aqui na boca.
Ai, ai Brasil velho...é assim que eles julgam os processos e depois na hora de votar dizem "com o relator", isto quando o processo não é do interesse dos doutos...
Tchau

dani disse:
09 de setembro de 2009 às 16:21

Pior do que o descaso, é a justificativa do nobre julgador. A mentira, na cara dura, ao negar que estava jogando. Isso é pior. Isso é impunidade.

SÍLVIA SEMPRE PELA JUSTIÇA disse:
10 de setembro de 2009 às 20:44

PIOR AINDA! PRESENCIEI, AO MEU LADO, QUANDO PROCURADORA DE JUSTIÇA NO TJ/MT, O PRESIDENTE DO TRIBUNAL, EM SESSÃO PLENÁRIA, FALANDO NO CELULAR O TEMPO TODO COM SEUS COLEGAS "MOTOCICLISTAS", RELATANDO A BELEZA DE SUA MOTO NOVA, AS CORRIDAS PROGRAMADAS E TUDO O MAIS A RESPEITO...NEM SABIA O QUE SERIA JULGADO. A DIRETORA LHE REPASSAVA AS PAPELETAS, ELE ANUNCIAVA O JULGAMENTO E TCHAU...NEM OUVIA OS VOTOS. POIS É...VALE TUDO, MENOS O DIREITO E A JUSTIÇA! SER GENTE COMO A GENTE NÃO SIGNIFICA QUE UM DESEMBARGADOR PODE DEIXAR O TRABALHO DE LADO PARA SE DEDICAR AOS JOGOS, DISPUTAS DE MOTOS E TUDO MAIS. QUER USAR O COMPUTADOR PARA JOGAR? FAÇA-O EM SUA CASA. QUER COMBINAR DISPUTAS DE MOTOS? FAÇA-O EM SUA CASA. O TRIBUNAL DE JUSTIÇA NÃO É LUGAR PRÓPRIO PARA SEU LAZER.AINDA BEM QUE O CNJ TEM SIDO MUITO EXIGENTE COM MAGISTRADOS DESSA ESTIRPE!...

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