Diante de inquéritos, Uniban readmite aluna expulsa por causa do vestido

A aluna Geisy Arruda, expulsa da Universidade Bandeirante de São Paulo depois de ser hostilizada e xingada por centenas de alunos por assistir aulas com um vestido curto, poderá voltar à faculdade. A reitoria da Uniban decidiu rever a expulsão depois que o Ministério Público Federal em São Paulo instaurou Inquérito Civil Público para apurar os detalhes da demissão. O intuito do MP era saber se a estudante teve o devido direito de defesa garantido. Outro inquérito será aberto pela Polícia Civil de São Bernardo do Campo para apurar crime de injúria contra a estudante, de acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher no ABC paulista.

O Ministério da Educação também deu prazo de dez dias para que a Uniban explique o caso, já que a expulsão da aluna foi divulgada por meio de um anúncio da universidade em jornais de São Paulo, no último domingo (8/11). Segundo a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Educação Superior do MEC, a notificação será entregue esta semana à universidade. Se as explicações não forem satisfatórias, deve ser aberto um processo de supervisão especial para avaliar se a aluna teve direito a defesa.

Geisy estava matriculada no curso de Turismo do campus São Bernardo do Campo da universidade. No dia 22 de outubro, ela teve de deixar a faculdade escoltada pela Polícia, com medo de ser agredida pelos alunos. Eles gritavam palavrões e a ofendiam por ela estar com um vestido um pouco acima do joelho. Segundo testemunhas, Geisy se insinuou aos rapazes, que começaram a humilhá-la.

Na nota da universidade publicada nos jornais, a instituição responsabilizava exclusivamente a aluna pelo episódio. "Foi constatada atitude provocativa da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar", diz a nota da Uniban, que considerou ”flagrante desrespeito aos princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade”. A instituição considerou ainda que a atitude dos outros alunos foi uma "reação coletiva de defesa do ambiente escolar".

De acordo com o procurador-regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, que conduz a investigação, o objetivo do inquérito do MP é investigar se foi adotado o devido processo legal e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa e se a Uniban agiu de forma discriminatória.

“O que se espera de uma universidade é que ela tenha condições de formar cidadãos. No presente caso, é bastante preocupante a postura da Uniban, que pode indicar que ela não está preocupada com essa formação integral. Além disso, aparentemente, a vítima foi transformada em culpada sem que tivesse a condição de expor a sua versão dos fatos”, disse.

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, também comentou a expulsão. Segundo ele, o gesto consagra "uma mentalidade obscurantista e nefasta, que há muito se supunha extinta deste país". Para a OAB, segundo Britto, houve no episódio intolerância, discriminação e violência contra a mulher, por parte também do Ministério da Educação da União Nacional dos Estudantes.

Em discurso no Plenário do Senado, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) chamou de "ato de vandalismo e histeria coletiva" a agressão dos estudantes da Uniban contra Geisy, segundo o Estadao. "Aqui, a questão central, a ferida aberta é o preconceito, a intolerância, o desrespeito, a injustiça que ainda se esconde na cabeça e no coração de alguns poucos. A jovem Geisy deve ser protegida e seus direitos garantidos contra essas ofensas e arbitrariedades", discursou Serys. Com informações das assessorias de imprensa do MPF-SP, OAB e MEC.

Shay... disse:
09 de novembro de 2009 às 22:41

Concordo plenamente ela tem todo o direito, sim. Mas se a democracia é o voto da maioria, aonde a democracia nisso? Ah!! Já sei! Democracia no Brasil é algo que tem significado de coação e se não cumprir ou aceitar é punido severamente. Mas, realmente, alguém precisa avisar à senhorita, existem lugares próprios para naturismo. E que as instituições precisam sim, manter o seu respeito, que o diga o exército, que merece todo o respeito. Concordo que ninguém é obrigado a nada, e pode ser o que bem entender desde que respeite o ambiente e os que nele estão. Aposto que ela não entraria no templo da LBV em Brasília vestida como estava. Agora fica a pergunta, entraria no Congresso Nacional...?!!

Fernando Queiroz disse:
10 de novembro de 2009 às 05:38

A força da opinião pública, uníssona, fez a Taleban modificar sua decisão. Pior, assemelha-se àquelas vinculadas à OBAN dos "democráticos da revolução -golpe"
Brilhante,ultra; lembram-se?
Agora o culto defensor da Uniban . . . ou, mofidicará sua manifestação pública; Não fui compreendido, a universidade reviu seu ato, etc.
Finalizo: Pegou sua viola, juntou os cacos e enfiou no saco.
No popular: Jogaram no ventilador, espalharam e, agora, recolhem com pinça.
Pensemos a força popular aplicada em outros absurdos semehantes que ocorrem pelo país!

Marcelo Idiarte disse:
10 de novembro de 2009 às 10:09

A opinião de um leitor do El País resume a contenda: "No debe ser en Sao Paulo. Eso será en un país de religión islámica. ¿Seguro que no habéis tenido un desliz geográfico?. Y en una Universidad. ¿Que les enseñarán allí?, desde luego tolerancia y respeto, no. Visto las justificaciones del Claustro cualquiera se acerca a ese "templo" del saber y de las buenas costumbres. Vade retro. Si dedicaran tanto o más vigor a defender la amazonía y a sus habitantes, otro gallo cantaría en el emergente Brasil." Pois é...

Ricardo Lima disse:
10 de novembro de 2009 às 10:22

O mundo é cheio deles, tem o prisma da jovem Santa que foi para a faculdade cheia de boas intenções. Na praia seu visual é menor e só ganha elogios! Mas, talvez por conta de sua conduta "anterior" aos fatos ela foi vista pelo prisma de quem já esta no limite de sua conduta. Porque muitos no Brasil já estão adequados ao prisma da loirona da cerveja.
Mas o prisma dos alunos foi outro, foi o de condenação, agora pelo prisma de alguns pais de alunos o valor da faculdade será menor, vão utilizar o CDC no artigo 18, pelo prisma dos reitores da faculdade aquela era a melhor do mundo, perdendo somente para as Americanas.
Pelo Prisma Biblico - Galatas 5 fala das obras da carne e uma delas é a lacivia ou sensualidade, a moça ficaria sem acesso ao reino de Deus.
Agora quem tem o prisma correto?
Presidente da Republica, Ministros do Supremo,Juizes, Senadores, Deputados, Vereadores, politicos em todo o seu conhecimento de causa.
A loucura do homem gera cada vez mais loucura!
Já que ela faz curso de turismo, porque não utilizar agora o uso de um uniforme de agencia de viagens?
Sei que o problema não teria acontecido.

Jose Antonio Dias disse:
10 de novembro de 2009 às 13:13

Não consigo entender como pode ser Reitor de uma Universidade um cretino que toma a atitude imbecil de expulsar a aluna que usava mini saia, contra a opinião dos demais membros da Universidade. Trata-se, evidentemente, de um complexado doente, que necessita, urgentemente, de um tratamento psiquiátrico. Acredito que o Ministério da Educação precisa, urgentemente, tomar providencias em face do aludido Reitor, pois seu ato foi muito mais grave do que o praticado pela aluna em questão.

Roland Freisler disse:
10 de novembro de 2009 às 13:15

Essa "santa" conseguiu o que queria: aparecer, se tornar pública e, certamente ser convidada a posar nua em uma revista masculina e, quem sabe, com mais um pouco de sorte, tornar-se atriz pornô. Anotem isso ai.

Zerlottini disse:
10 de novembro de 2009 às 13:17

É inadmissível que um ato de vandalismo daqueles aconteça numa "universidade". A suposta "elite intelectual" do país se transforma num bando de loucos enfurecidos, simplesmente porque uma aluna QUE TEM O QUE MOSTRAR resolve exercer seu direito de se vestir de acordo com a sua idéia. Pelos vídeos que vi, na Net, a coisa mais parecia uma penitenciária com os presos rebelados. E, além disso, os IDIOTAS dos diretores ainda expulsam a vítima, invertendo completamente os valores. Se ela estava praticando - o que não estava - um atentado ao pudor, o certo seria chamar a polícia e mandar prendê-la. Mas o que se viu foi:
1. Os "homens" - são uns verdadeiros boiolas, por não gostarem da "fruta";
2. As mulheres - uma cambada de "barangas", com inveja da gostosura da outra;
3. Os diretores - uma tropa de incompetentes, que não souberam nem manter a disciplina, num tumulto.
Essa "escolinha" não merece o nome de "uiversidade".
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

Daniel disse:
10 de novembro de 2009 às 17:12

o que se esperar de uma escolinha como essa?
na minha empresa nao entra alunos e nem ex desta universidade

Valdemiro Ferreira da Silva disse:
10 de novembro de 2009 às 17:59

Apesar de toda a liberdade no mundo moderno, precisa existir limites. O que os alunos fizeram não esta certo, e o que a santa aluna fez também não esta certo. O vestido já era curto, e quando ela passeava pela rampa (segundo apurou a faculdade) ela ainda puxou o vestido para mostrar as suas partes íntima. E, apesar de todos os transtornos causado à faculdade, pasmem, a UNIBAN ainda é culpada. Certamente o fim esta chegando, não existe mais moral e nem ética num ambiente escolar que foi tomado completamente pelo despudor. Tudo isso, é muito triste.

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