Comissão da Verdade no Brasil pode atropelar Lei de Anistia

O governo Lula encaminhará um projeto de lei ao Congresso Nacional para criar um Comissão Nacional da Verdade sobre a prática de tortura durante o regime militar até o dia 21 de abril de 2010, segundo afirmou em entrevista exclusiva ao UOL Notícias o ministro Paulo de Tarso Vanucchi, secretário nacional de Direitos Humanos. O anúncio oficial da decisão será feito no dia 21 de dezembro, no lançamento do novo Programa Nacional de Direitos Humanos.

Na entrevista, Vanucchi disse ainda esperar que o Supremo Tribunal Federal entenda que a Lei de Anistia de 1979 não alcança os acusados de tortura. Se o STF decidir, no entanto, pôr uma "lápide" sobre o assunto, ela explodirá em breve, disse o ministro.

Em outubro passado, a Ordem dos Advogados do Brasil entrou com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo Tribunal Federal. Para a OAB, a Lei de Anistia deixou de valer a partir da Constituição de 1988. O objetivo da ação é fazer o STF declarar claramente se a lei se estende "a crimes comuns praticados por agentes da repressão contra opositores políticos durante o regime militar" ou não.

"Hoje, esse debate [sobre a tortura durante o regime militar] está no Judiciário. Estará no Legislativo a partir do anúncio da segunda-feira 21 [de dezembro], do Programa Nacional de Direitos Humanos, quando o presidente Lula assinará um decreto em que incluirá o compromisso de até abril enviar um projeto de lei estabelecendo uma Comissão Nacional da Verdade, como Chile, Argentina e Uruguai já tiveram. O Brasil não teve, então nós conseguimos dar este passo", disse Vanucchi.

Ainda segundo o ministro, os "os últimos termos do eixo seis, que é o eixo Direito à Memória e à Verdade", estão sendo definido. "O presidente mais umas vez nos uniu. Ele disse: ‘Eu vou conversar com o Jobim, nós vamos fazer essa comissão’. ‘Entendo também’, ele [Lula] disse, ‘que o Jobim tem a preocupação com a visão geral que prevalece lá no seu setor’, como eu tenho de ter com os grupos, ONGs, entidades internacionais, mecanismos OEA [Organização dos Estados Americanos] e ONU [Organização das Nações Unidas] dos direitos humanos, e cabe ao presidente fazer a arbitragem que ele considere a mais adequada."

Sobre a decisão do STF, o raciocínio é o seguinte: se o Supremo decide que a Lei de Anistia não permite processar e punir a tortura, essa interpretação entrará em choque com as convenções de direitos humanos da OEA e da ONU, das quais o Brasil é signatário.

"O Brasil pode sair [dessas convenções] na hora que quiser. Algumas republiquetas ameaçam isso. O Brasil está no caminho contrário, o Brasil quer ser um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Não será se tomar uma decisão dessas", avalia Vanucchi. "Até porque os colegas sul-americanos dirão: ‘Se o Brasil tomar uma posição contrária aos direitos humanos, nós não podemos apoiar a sua demanda."

O ministro acha também que, se o Supremo avaliar que a lei também anistiou torturadores, "o Brasil terá perdido tempo, porque daqui a dois anos, esse assunto vai explodir", disse. Para completar a equação, Vanucchi citou uma frase de Michele Bachelet, presidente do Chile e médica que disse sobre as torturas: "Nós não queremos sangrar feridas antigas. Nós queremos que elas cicatrizem. E só as feridas bem lavadas cicatrizam."

Apontando para uma possível solução negociada para o caso brasileiro, o ministro afirmou que OEA e ONU não terão como impor uma vontade contra uma decisão presidencial de comutar uma condenação em prestação a serviços à comunidade, "por exemplo". "Mas a exigência de que a tortura seja punida é desdobramento da adesão às convenções."

Tortura e história
Segundo Vanucchi, a tortura praticada hoje por agentos do Estado, em presídios e distritos policiais, está relacionada à história do país. A tortura, argumenta, não é um fenômeno só da ditadura, mas também está relacionada ao pelourinho da escravidão, aos castigos aos marinheiros que resultaram na Revolta da Chibata e à repressão durante o Estado Novo de Getúlio Vargas.

"Por que é importante que o Supremo decida basicamente que a tortura não está protegida pela Lei de Anistia de 1979? Porque nós sustentamos que há uma relação entre a tortura de hoje e a impunidade de toda a tortura anterior, inclusive a tortura do regime ditatorial, que foi uma ditadura militar-civil, não foi só militar", disse.

"A parte mais importante, que é construir o Brasil de 2009, 10, 11, 20, 2030, o Brasil sem tortura, sem impunidade, nós já estamos construindo. E a minha convicção é que o voto do ministro Eros Grau será acompanhado pela maioria do Supremo e ele não colocará uma lápide sobre o assunto", completou.

O ministro também disse na entrevista que os direitos humanos não devem ser vistos como um tema relacionado apenas à ditadura e à repressão durante o regime militar. "Direitos humanos é também a defesa da criança e do adolescente hoje, do idoso, da pessoa com deficiência, o direito à diversidade sexual, contra a homofobia, a igualdade racial, a igualdade de gêneros – homem, mulher."

Durante a entrevista, Jobim tratou de temas como violência policial, acesso a documentação básica – em especial à certidão de nascimento, uma vez que dado do IBGE aponta que 9% das crianças brasileiras não são registradas até completar 15 meses de vida -, direitos dos idosos em ônibus e educação em direitos humanos.

Ainda segundo o ministro, o novo Programa de Direitos Humanos será assinado por 29 ministérios. "É a prova de que direitos humanos se exercem em vários ministérios, em todos. Alguns decidiram não assinar, porque se consideram áreas técnicas, como a Fazenda e o Planjeamento", disse.

Rodrigo Bevilaqua disse:
13 de dezembro de 2009 às 19:50

O símbolo da pacificação, da integração e da monolítica identidade do território brasileiro — o insigne Duque de Caxias — além de toda uma vida de dedicação à Pátria, com folha e tempo de serviço incomparáveis, nos deixou mais uma lição na arte humanista do entendimento, compreensão, perdão e recomposição, dando mostras de magnanimidade, como representante e defensor do Estado, mesmo após os ensangüentados dez anos de luta na Guerra dos Farrapos, iniciada em 1835, no conturbado período da Regência a exigir pulso forte, para não fragmentar o solo já verde-amarelo, como ocorrido na América espanhola. Nem guilhotina, nem fuzilamento, práticas do reinado de terror do passado próximo, da Revolução Francesa e do que o mundo iria assistir na Revolução comunista de 1917 na Rússia, ou do regime de Fidel Castro-Che Guevara em Cuba, de 1959 aos dias atuais. Mas, sim uma mensagem de PAZ, de LUZ, de ALMA.
“Uma só vontade nos una!” Proclamaram os vencedores de ambos os lados dos brasileiros audazes da Guerra Farroupilha, manifestando a enlevada intenção de pacificação, de energia e de prevalência da unidade. Prosseguindo, exclamam com determinação e admoestação: “Maldição eterna a quem ousar recordar-se das nossas dissensões passadas.”

Zerlottini disse:
14 de dezembro de 2009 às 01:05

De quê, mesmo? VERDADE? No Brasil? Forjada pelo molusco? Isso só pode ser uma piada de MUITÍSSIMO MAU GOSTO! Esse (des)governo e seus asseclas nem sabem o que seja verdade! O diionário deles vai até o "r", de "ROUBO". Tem também o "s", de "SAFADEZA". Mas, VERDADE? Tão gozando a gente.
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.

Joaca disse:
14 de dezembro de 2009 às 11:09

Hitler matou 6 milhoes de judeus,a bomba atômica 200 mil joponeses.O AI-5 matou a defesa militar,que os militares nem pra servir ao povo prestam mais.O fator prevideniario tortura os trabalhadores,aposentados e pensionistas que somam 26.5 (aposentados e pensionistas),sem direito a receber o que lhes roubaram.Mas os torturados sabem se fazer de vitimas e muitos já estão de bolsos cheios do nosso dinheiro,isso é mais uma industria à roubar o povo e acuar os miseraveis militares,covardes.Os bandidos,guerrilheiros,assaltantes,assassinos,ladões,na ditabranda,mostraram que os militares so tem ordens para seus suditos,soldados,provando o nivel de imbecilidade alevadissimo,AÍ-5 estão as provas da imcopetencia!!!

Neli disse:
14 de dezembro de 2009 às 14:50

O Brasil,à nossa custa,pagou indenização maior,aos esquerdistas e pessoas que fizeram investimento oposicionista contra a ditadura,muito ,mas,maior do que a Alemanha pagou pelo Holocaustro.
Essa gente não sossega não?Se fossem idealistas não teriam recebido(inclusive o lula),essas polpudíssimas indenizações,como se eles fossem os únicos a terem lutado contra a ditadura.Tenho renite alérgica,como resultado de ter aspirado bomba de efeito moral.
Até quando esse pessoal viverá nas décadas de 1960/70?Acordem,nós ficamos velhos!
Por falar em idosos,é um acinte dar polpudíssima indenização para a esqueda e se esquecer de dar aumento aos aposentados...
E,os autores do assassinato do soldado Mário Kozel Filho foram processados?

Fabrício disse:
14 de dezembro de 2009 às 17:14

Comissão da Verdade? No lulo-petismo? Falta pouco para que eles criem o Ministério da verdade e a gente passe a ser obrigado a falar a novilingua...

atojr disse:
15 de dezembro de 2009 às 00:59

Acredito que o sr Vanuchi coloca seus interesses politicos e ideológicos acima dos interesses nacionais.
Alem do mais, tem muita gente que já está mamando dos nossos impostos. Quer pagar mais indenização? Quem deve ser responsabilizado é o PC do B e seus afins que enganaram, aliciaram, fanatizaram, deram uma arma na mão de jovens irresponsáveis que até justiçaram(mataram sumariamente colegas)para nos impor uma ditadura nos moldes da cubana. SE SEU PROJETO PESSOAL "COLAR", como vão ficar os terroristas, ALGUNS , COMO ELE , NO PODER? Ou será que Vanuchi, tal qual um Bolchevique, deseja tambem se vingar de algum seu concorrente de esquerda,bem ao estilo Lenine x Trotski? Devemos responsabilizá-lo , juntamente com o sr Tarso, num eventual ,mas possível, retrocesso político.
Ora, quem acredita nessa sua "boa intenção?" Ele elegeu um projeto pessoal, predominatemente recalcado,para colocar como projeto de nação.Ele pensa que engana quem? Será que ele pensa que todo brasileiro é militante? Sabe quando ele vai conseguir isto? Nunca!Essa ditadura que ele tanta fala ,foi um dia cunhada, acertadamente, de DITABRANDA.Se tivesse sido mesmo como ele conta, ele deveria ter sido morto.Foi tão dura que ele e tantos, apesar dos assaltos a bancos e do terrorismo que vitimou inúmeros inocentes, foram sobreviventes e hoje estão revisionando a sua história.É bom lembrar que as Forças Armadas continuam com muito prestígio, e permanece aversa ao esquerdismo bocó e virulento.Para finalizar: a todo novo escândalo político que repercute nacionalmente,logo o assunto DITABRANDA, OSSADAS, DIREITO A VERDADE,ETC vem como que para "acalmar os quartéis".Será que acalma?

Bonasser disse:
15 de dezembro de 2009 às 04:02

NOSSOS DIRIGENTES SÃO UNS BABÁCAS MESMO, FOI SÓ HONDURAS MENCIONAR A TAL COMISSÃO DA VERDADE, PARA O TONTO RETORNO DO ZELAYA PARA QUE O BATRÁQUIO PROCURE IMITÁ-LOS, É DE LASCAR.
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O que esse povo deve observar é que graças à mencionada ditadura, que na realidade foi uma contra-revolução, lhes proporcionou o privilegio de hoje estarem hoje falando com a tão sonhada liberdade. Graças aos governos onde somente o Presidente era Militar, e não governo Militar, e que a sociedade não se encontra vestida de caqui e munida de insumos agrícolas, como em Cuba, China e na época da contra-revolução à ex-URSS. Graças aos Governos do período dito ditatorial que não tivemos implantado em nosso País a sonhada democracia praticada em Cuba e China, pois aquelas democracias fizeram milhões de cadáveres e continuam, e continuam sua pratica para o prazer de muitos terroristas nativos que hoje se encontram nos altos cargos do atual governo. Graças aos nossos militares não tivemos os saudosos PAREDONS, como os de Cuba. Graças aos Governos ditatoriais não tivemos naquela época essa enxurrada de escândalos, furtos e corrupção, como começaram com o advento dos governos ditos populares. Toda a sociedade sofreu de uma forma ou de outra, tortura e ameaça, quando não foram diretamente atingidos indiretamente por atos terroristas dos terroristas heróis aclamados pela secretaria dos DDHH, pura palhaçada e desserviços ofertados à sociedade. Esses rancorosos e rançosos deveriam refletir um pouco e olharem seus filhos quando em seus berços dormem em paz, pois do contrario estaríamos igual ou pior de como se vive em Cuba.
(CONTINUA...)

Bonasser disse:
15 de dezembro de 2009 às 04:04

(CONTINUAÇÃO...)
Em todos esses governos populares que sucederam o período da contra-revolução, não vimos se quer um político ou agente publico, de qualquer nível se manifestar em seu mister por amor à Pátria, sempre imperando o interesse particular, e se político, visando sua reeleição. Os Governos da contra-revolução deixaram materialmente suas realizações para a sociedade, tais como: as estradas, a ponte rio/Niterói, o funrural, o MOBRAL o projeto Rondon e etc., uma infinidade de programas e projetos que até hoje continuam a beneficiar, não a políticos, mais sim à Nação; reflitam antes de criticar, em qualquer revolução haverá sempre que existir mártires e vitimas só assim o objeto terá o seu real valor. Por que os políticos não se relacionam a contento com os Militares? Por que os primeiros não têm a doutrina de trabalhar em prol torrão onde nasceu, visam o objetivo primário perseguido pela sociedade, nada pessoal, sempre em busca do bem coletivo, já o segundo está sempre em busca da realização pessoal e nas vantagens decorrentes, que essa realização lhe trará. Não existe patriotismo para a maioria dos não Militares, principalmente dos políticos, pois em sua maioria estão sempre a promoverem tudo para que esse tipo de doutrina prevaleça no seio dessa sociedade, esse é o mote, eles usam dessa forma maquiavélica para terem as camadas socioeconômica de menor expressão, sob suas vistas, com único objetivo de manipula-las com bem entenderem, justamente em época de eleição.
Um abraço a todos.

atojr disse:
16 de dezembro de 2009 às 08:21

No comentário postado em 15/12/2009 00:59 onde consta atojr (Oficial da Aeronáutica), com o título "preocupante", solicito que o site informe que sou "OFICIAL DO EXÉRCITO" e não da "AERONÁUTICA". Atenciosamente

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