OAB, Ajufe e AMB criticam declaração de Lula sobre Justiça Eleitoral

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as decisões da Justiça Eleitoral gerou uma série de críticas de advogados e juízes. Na quinta-feira (8/4), Lula participou de um ato político de apoio do PCdoB à pré-candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT). No discurso, ele falou sobre as as multas por propaganda antecipada aplicadas a ele pelo Tribunal Superior Eleitoral: “não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não fazer".

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, considerou a atitude do presidente “assustadora e incompatível com a responsabilidade do cargo”. Para Ophir, a sociedade deve repudiar esse tipo de postura que tem como único objetivo diminuir um dos poderes da República. “A desobediência à Justiça deve ser condenada porque a sociedade só é forte quando o Judiciário é forte”, disse.

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Mozart Valadares, também criticou Lula. “O que o presidente da República precisa saber é que todos os cidadãos, independentemente do cargo que exercem, estão subordinados à legislação brasileira. E ele, mesmo como presidente, não tem o direito de infringir a lei eleitoral e fazer campanha antecipada para favorecer a sua candidata. Não prestamos contas a um juiz, mas à legislação”, afirmou o presidente da AMB.

Valadares elogiou as punições impostas a Lula. “O TSE tem dado uma demonstração de que não vai admitir qualquer tipo de infração eleitoral; o presidente vai ter que se adaptar às regras como todos os cidadãos brasileiros”, disse. E continuou: “O presidente não pode utilizar a máquina pública para pedir votos nem favorecer sua candidata”, ressaltou.

A Associação dos Juízes Federais também criticou as declarações do presidente. "Ao ser multado pela Justiça Eleitoral, o Presidente da República, como Chefe de Governo e Chefe do Estado Brasileiro, deveria ser o primeiro cidadão a defender o cumprimento da Constituição Federal e das decisões judiciais, fazendo valer os princípios da harmonia e da independência dos Poderes", disse, em nota, o presidente da entidade, juiz Fernando Mattos. Com informações das assessorias de imprensa da AMB, da Ajufe e da OAB.

Leia a nota da Ajufe:

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), entidade nacional de representação dos Juízes Federais, vem a público, manifestar-se sobre as afirmações do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro realizado ontem (8):

1. A AJUFE lamenta as declarações do Presidente da República no sentido de que “não podemos ficar subordinados ao que um juiz diz que podemos ou não”.  Não é a primeira vez que comentários dessa natureza sobre decisões da Justiça Eleitoral são feitos pelo Presidente.

2. Toda decisão judicial agrada uma das partes do processo e desagrada a outra. Isso faz parte da democracia.  Tantas vezes, o então candidato, e agora Chefe do Poder Executivo recorreu e teve seus pedidos acolhidos pelo Poder Judiciário.  Os juízes não esperaram elogios por isso, porque estavam cumprindo seu papel, decidindo com independência, de acordo com a Constituição, as leis e as provas apresentadas.

3. Ao ser multado pela Justiça Eleitoral, o Presidente da República, como Chefe de Governo e Chefe do Estado Brasileiro, deveria ser o primeiro cidadão a defender o cumprimento da Constituição Federal e das decisões judiciais, fazendo valer os princípios da harmonia e da independência dos Poderes.

4. No regime democrático – que tantos lutaram para restabelecer no País, inclusive o Presidente da República -, o Poder Judiciário representa a última fronteira do cidadão contra o arbítrio praticado por seu semelhante e contra a violência do Estado, na medida em que seu papel é assegurar o cumprimento da Constituição.  Fortalecer o Poder Judiciário e suas decisões é fortalecer a democracia.

5. A AJUFE endossa inteiramente com as afirmações do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, no sentido de que “não se deve fazer brincadeiras com a Justiça”. Lamenta a AJUFE que o Presidente da República se esqueça que os magistrados de todas as instâncias também são membros de Poder e não merecem o tratamento contido em comentários dessa natureza.

A AJUFE reafirma que os magistrados federais com atuação na Justiça Eleitoral estarão atentos para que as Eleições de 2010 transcorram com observância da Constituição e da legislação eleitoral.  Se a lei não é ideal, as propostas de alteração devem ser submetidas ao Congresso Nacional para que este examine o seu aperfeiçoamento.

Brasília, 9 de abril de 2010.
Fernando Cesar Baptista de Mattos

rodolpho disse:
11 de abril de 2010 às 11:00

Por ocasião da derrubada do czar da Rússia, em fevereiro de 1917, Lenin estava abrigado na Finlândia, para fugir da prisão decretada pelos juízes czaristas. O irmão de Lenin já tinha sido enforcado, por ordem desses juízes. Quanto a Trotsky, o criador do exército Vermelho, este último também tinha fugido da Rússia, pois estava condenado a quatro anos de prisão na Sibéria, de onde tinha conseguido fugir. Com a vitória da revolução, esses juízes czaristas foram presos, julgados, condenados à morte e executados, pagando assim com a vida as barbaridades que praticaram enquanto usufruíam das benesses do poder.
Lula tem o direito sim, tanto como cidadão, quanto como Chefe de Estado, de criticar decisões escancaradamente políticas, do super privilegiado, do super criticado, do super injusto Poder Judiciário Brasileiro.
Fez pouco o Lula, muito pouco, já que, na Venezuela, Hugo Chaves tem mandado prender dezenas de juízes, que agem politicamente contra o regime.
Parece que Kant ainda não caiu de moda: “Na medida em que podem ser percebidas no espaço como simultâneas, todas as substâncias estarão em constante ação recíproca” (Critica da Razão Pura – Analítica dos Princípios – Terceira Analogia)

rodolpho disse:
11 de abril de 2010 às 11:01

Essas manifestações são expressamente proibidas pela Lei, pela Loman, Lei Orgânica da Magistratura. E, tanto a AJUFE, como a AMB, apoiaram essa medonha violação da lei, e da desobediência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Portanto, o Lula tem sim o direito de criticar uma decisão judicial, visto que o próprio Poder Judiciário chegou a fazer badernas e passeatas nas ruas para criticar uma decisão do Poder Judiciário, a saber: do Supremo Tribunal Federal.
O Poder Judiciário Brasileiro é considerado, internacionalmente, um dos piores do mundo. Em nenhum país do mundo juiz tem direito a dois meses de férias por ano, mas no Brasil juiz faz uma gritaria quando o Congresso Nacional quer retirar esse repulsivo privilégio.
Para os incautos, que querem divinizar decisões judiciais, recomendo a leitura do livro “A Lei dos Juízes”, de François Rigaux, onde, no capítulo 7, é exposta a atuação dos juízes nazistas, acumpliciados com as barbaridades praticadas no III Reich alemão. Também recomendo a leitura da obra “Magistrados e Feiticeiros na França do Século XVII”, de Robert Mandrou, onde se narra que esses Magistrados faziam malabarismos para burlar a lei e mandar milhares e milhares de infelizes mulheres para as fogueiras, sob a acusação de serem bruxas. E como arremate de leitura recomendo “História da Revolução Russa”, de Edward Hallett Carr, ou as obras de Isaac Deutscher, notadamente “O Profeta Armado”, e também, é claro, “A História da Revolução Russa”, de Leon Trotsky.

rodolpho disse:
11 de abril de 2010 às 11:02

A AMB e a AJUFE sentam em cima do rabo porque endossam todos os abusos praticados pelo Poder Judiciário Brasileiro. O único judiciário do mundo em que os juízes não respondem por erros e crimes funcionais. Em qualquer país civilizado, democrático, o juiz que sentencia contra a lei é imediatamente expulso do cargo e condenado a penas que variam de cinco a quinze anos de prisão. Mas aqui, no Brasil, os juízes, com base no tal “livre convencimento”, deitam e rolam, e escarnecem da Lei e da Constituição Federal, e dão as mais monstruosas e estapafúrdias decisões, sem nunca serem punidos por isso. Além disso, onde estão a AMB e a AJUFE, quando, na Semana Santa, todos os tribunais do país decretaram a emendão da quinta feira, que não é feriado, e em que todos os brasileiros estão trabalhando? O povo tem que arcar com as despesas desses contínuos e intermináveis emendões, decretados pelo próprio Poder Judiciário, em benefício de si mesmo. E depois os juízes vêm a público dizer que há poucos juízes, quando o que há é a ociosidade auto decretada a custa dos cofres públicos.
O Lula criticou uma decisão judicial, enquanto que, centenas de juízes federais fizeram um manifesto contra o Presidente do Supremo Tribunal Federal, e saíram pelas ruas fazendo badernas, tudo para apoiar um juiz que desobedeceu uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

rodolpho disse:
11 de abril de 2010 às 11:03

Nota zero para a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, porque senta em cima do rabo e puxa o rabo dos outros.Nota zero para a AMB, Associação dos Magistrados Brasileiros, porque senta em cima do rabo e puxa o rabo dos outros.Nota zero para a AJUFE, Associação dos Juízes Federais, porque senta em cima do rabo e puxa o rabo dos outros.A OAB senta em cima do rabo porque, durante anos e anos, vem se recusando a cumprir a Constituição Federal que determina que qualquer autarquia deve ser fiscalizada pelo Tribunal de Contas. E a OAB é sim uma autarquia, que cobra tributos dos advogados, que usa espaço físico em cada fórum estadual e federal do território nacional, sem pagar aluguel, e, portanto, usufruindo dos cofres públicos. Portanto, a OAB tem sim que prestar contas ao Tribunal de Contas, mas, quando foi posta pelo Ministério Público Federal a ação de prestação de contas, a OAB colocou centenas de advogados, nomeados por ela, para impedir que isso fosse feito. Sendo assim, a OAB não tem moral alguma para vir criticar o Lula só pelo fato de ele ter dado uma opinião desfavorável ao internacionalmente criticado Poder Judiciário Brasileiro.

Zerlottini disse:
12 de abril de 2010 às 12:18

Tremenda perda de tempo. O que esse sujeito fala, ninguém assina em baixo. Essa anta nem sabe a hora em que está com fome! E ainda tem mais de 70% de aprovação. Ou seja, este país é mesmo uma republiqueta de bananas (que somos nós, que o colocamos e à sua corja onde eles estão). E a coisa ainda vai piorar, se essa guerrilheirazinha de merda for eleita.
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG

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