Já está na rua a campanha para escolha do próximo ministro do Supremo

U.Dettmar/SCO/STF

Ministro Eros Grau - U.Dettmar/SCO/STFAo anunciar esta semana que, dada a proximidade de sua aposentadoria, não participará mais das sessões de Turma do STF, o ministro Eros Grau fez acelerar as discussões sobre sua substituição na Corte.

Prognósticos em eleições de um eleitor só são complicados. Mas como já disse o próprio presidente Lula a este site, ele mesmo faz sua pesquisa pré-eleitoral: "Eu ouço muita gente antes de escolher um ministro do Supremo. Eu ouço advogados, juristas, eu ouço todo mundo para não errar. Eu me dou com todos os ministros do Supremo. O cara que vai para o tribunal não tem que ir lá fazer a própria biografia. Ele tem que ter personalidade, firmeza.”

"ArnaldoSpacca” data-guid=”arnaldo_malheiros_filho.jpeg” />Dos principais nomes examinados por pessoas que o presidente costuma ouvir, quatro já estavam na fila. A eles veio se somar o advogado criminalista Arnaldo Malheiros Filho, que conta com a nada desprezível simpatia do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A favor de Arnaldo compute-se sua biografia, a admiração e o respeito dos ministros do STF e o fato de que a casa carece de um criminalista de origem desde a aposentadoria de Sepúlveda Pertence em 1977. Contra ele: o tribunal já conta com cinco paulistas, entre natos (Celso de Mello, Cezar Peluso e Toffoli) e naturalizados (Lewandowski e Eros Grau).

"AsforSpacca” data-guid=”asfor_rocha.jpeg” />O ministro Cesar Asfor Rocha, outro notável da lista, por seu turno, é favorecido pela questão geográfica. O Nordeste brasileiro, onde Lula nasceu, tem hoje apenas um representante no STF (Ayres Britto, de Sergipe). Não por acaso, a nomeação do cearense Asfor Rocha agradaria os nove governadores da região. A seu favor o ministro tem ainda não só o cargo de presidente do STJ, mas a sua consistente liderança na Casa, sua capacidade articuladora e sua força doutrinária. Contra ele, o mesmo punhado de intrigas já enfrentado pelos ministros hoje no STF enquanto eram cogitados para o cargo.

U.Dettmar

Teori Zavascki - U.DettmarUm nome que já foi mais citado meses atrás — e menos agora —, é o do tributarista Teori Zavascki, também ministro do STJ. Catarinense com carreira no Rio Grande do Sul, Teori foi trazido à ribalta pelo ministro da Defesa Nelson Jobim. Conta muito a favor do ministro do STJ sua forte vocação para proteger o Erário e seu instinto doutrinário em matéria tributária. Saiu-se muito bem como representante do Judiciário no âmbito do Pacto Republicano, o núcleo integrado pelo Legislativo, Executivo e Judiciário para aprovar as leis de sistematização da Justiça proposto pelo ministro Gilmar Mendes. Contra ele parece pesar a falta de atrativos

Senado

Luiz Fux - SenadoTambém remanescente de campanhas passadas, Luiz Fux, colega de Asfor Rocha e de Teori Zavascki no Superior Tribunal de Justiça. É um luminar no campo do Direito Civil. Não por acaso é quem preside a Comissão de Reforma do Código de Processo Civil. Arrojado no campo organizacional, Fux cultiva fórmulas de racionalização do sistema judicial. Entre seus apoiadores está o senador petista Eduardo Suplicy, que o considera um paradigma de juiz pelas suas preocupações sociais. Contra seu nome está a aparente falta de apoios políticos mais visíveis.

A favor de Asfor Rocha, Teori e Fux está o fato de o Supremo estar órfão de um representante do STJ desde a morte do ministro Menezes Direito, em setembro de 2009.

Spacca

Luis Roberto Barroso - SpaccaOutro nome reverenciado no STF é o do emérito constitucionalista Luís Roberto Barroso — que, assim como Fux, é natural do Rio de Janeiro. Dono de cultura jurídica sofisticada e cabedal sólido, Barroso dificilmente perderia a eleição se os votantes fossem os especialistas em Direito Constitucional.

Uma das razões para que ele nunca saia da fila é que, justamente por suas qualidades, Barroso está envolvido em grandes questões que tramitam na corte que pretende integrar. É o caso da ADPF 54 em que ele defende o direito de se fazer aborto em casos de gestação de fetos anencéfalos. Contra ele pesa a mesma falta de apoios políticos que atrapalha o nome de seu conterrâneo. Mas o grau de rejeição é baixo, uma vez que ele próprio sempre fez questão de desinflar o entusiasmo de seus apoiadores.

Como se sabe e está escrito na Constituição, a escolha de ministro do Supremo é de exclusiva competência do presidente da República, sujeita apenas ao referendo do Senado. É portanto, uma escolha política. Isso significa que num ano eleitoral, o presidente fica mais constrangido para fazer uma indicação com conotação partidária. Paga a dívida de gratidão do presidente a seu antigo advogado Antonio Dias Toffoli, nomeado no ano passado para a vaga deixada pelo ministro Menezes Direito, torna-se praticamente impossível que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha a indicar agora um quadro do PT. O ex-ministro da Justiça Tarso Genro, que andou pleiteando o posto, nesse momento só tem olhos para sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul.

Neli disse:
12 de junho de 2010 às 10:20

A depender de minha torcida o Ministro Teori Zavascki deveria ser o novo ministro.
Muito competente,gosto muito de suas decisões.Um jusrista de escol e o Brasil precisa de um jurista no STF.
Vai elevar o STF.
Envio-lhe a Luz de Cristo para que seja abençoado e que ilumine quem vai escolher o próximo ministro.

rogério lima disse:
12 de junho de 2010 às 12:38

Continuo com quem melhor defende o direito constitucional.
com respeito e venia aos demais fortes concorrentes.
Rogério Lima.

Spartacus disse:
12 de junho de 2010 às 16:20

Entre nomes de tanto peso a escolha não será nada fácil. Pode, no entanto, socorrer-se de critério capaz de distinguir os candidatos e fazer a diferença necessária. Se o Presidente Lula levar em conta a natureza do Supremo Tribunal Federal e que suas funções representam para seus membros uma missão homérica, certamente desbastará as dificuldades da escolha.
.
É que o Excelso Pretório está concebido como Corte Constitucional e nessa condição de guardiã suprema do Contrato Social Mor é de mister seja composto por pessoas cujo traquejo e familiaridade com a matéria constitucional seja inconcussa. Assim, sem desmerecer qualquer um dos candidatos, não se pode deixar de considerar a história profissional de cada um especificamente no que diz respeito às questões constitucionais, que estão intimamente relacionadas e influenciadas pelas questões políticas.
.
Penso, portanto, que se o Presidente Lula quiser deixar mais um legado como marca do seu governo, que divide a história da República brasileira em duas partes, uma antes e outra depois dele, com tantas conquistas que jamais experimentamos enquanto povo e Nação, a indicação deve levar em conta o aperfeiçoamento e o amadurecimento da matéria constitucional em cada candidato, de modo que o indicado deve ser aquele que apresentar o melhor currículo nessa matéria. Trata-se de escolha curial para manter a coesão e a independência intelectual que permeia o Supremo Tribunal Federal, cuja composição, hoje, é a melhor de sua história.
.
(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito e doutorando pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Elza Maria disse:
12 de junho de 2010 às 17:04

Arnaldo Malheiros: criminalista. Tem sua clientela saída dos parias da sociedade, pessoas acostumadas a violar a lei e lesar os outros. Portanto não serve.
*
Cesar Asfor Rocha: min. do STJ, já foi candidato. Entrou no STJ pelo 5º constitucional e depois virou as costas para os advogados. Tem um espírito autoritário, talvez por influência atávica do coronelismo nordestino. O Pres. Lula sabe como é isso. Vindo de baixo como veio, seguramente vivenciou a opressão imposta pelos coronéis do nordeste antes de migrar para São Paulo com a família. A notícia lança ainda nuvens de fumaça sobre o ministro ao mencionar as intrigas em que esteve envolvido. Isso basta para não ir para o STF. Não serve.
*
Teori Albino Zavascki: juiz de carreira. Não sabia que era tributarista. Sempre pensei que fosse processualista. Tem os vícios dos juízes de carreira, e o STF precisa de arejamento. Lá já tem muitos juízes de carreira (Marco Aurélio, Ellen Gracie, Cezar Peluso). Chega. Também não serve.
*
Luiz Fux: é outro juiz de carreira. Aliás, brilhante carreira. Mas é processualista. Não constitucionalista. E pra piorar, meteu-se a coordenar esse projeto de CPC que tem sido muito criticado. A boa intenção não conta. O inferno está cheio delas. Já foi candidato. Sua insistência dá a impressão de querer promover-se pessoalmente. Como disse o Pres. Lula, o indicado não pode estar movido por sua própria biografia. Também não serve.
*
Luiz Roberto Barroso: é advogado e professor de Direito Constitucional, mundialmente respeitado. Tem a experiência de quem postula, portador da crítica viva sobre quem julga. É o que mais pode agregar valor ao STF. Se nomeado, manterá o equilíbrio que Tribunal porque substituirá Eros Grau, que era advogado e professor. É O MELHOR CANDIDATO.

olhovivo disse:
12 de junho de 2010 às 18:24

Já será de bom tamanho não escolher mais um que julga de acordo com o JORNAL NACIONAL. Vade retrum...

Le Roy Soleil disse:
12 de junho de 2010 às 19:54

Se depender do meu palpite, Teori Zavascki ou Luiz Roberto Barroso.
As decisões do Min. Teori Zavascki são sempre dotadas de muita densidade jurídica, o problema é que se for indicado para o STF, certamente fará muita falta no STJ.
O professor Luiz Roberto Barroso é também um jurista renomado, que reúne todos os predicados necessários a um Ministro da Alta Corte.

Olympio B. dos S. Neto disse:
12 de junho de 2010 às 22:35

QUEM SERIA, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, A MELHOR OPÇÃO PARA MINISTRO SERIA O PROFESSOR BARROSO. MAS SERÁ QUE O LULA FARIA UMA ESCOLHA TÃO ACERTADA?

Sunda Hufufuur disse:
15 de junho de 2010 às 00:50

Nenhum entre esses figura como Barroso entre os grandes constitucionalistas. O professor Barroso ganha de longe de todos os candidatos. Apenas lamento não estar na disputa o Lênio Streck.

Fernando Queiroz disse:
16 de junho de 2010 às 08:46

. . . e o fato de que a casa carece de um criminalista de origem desde a aposentadoria de Sepúlveda Pertence em 1977 . . .
.
Como o tempo passa. São 33 anos de aposentadoria do Ministro.
.
O dado reflete a precisão matemática da CONJUR . . .
.
Risível

Você precisa estar logado para enviar um comentário.