Após 10 anos, Justiça manda José Alencar reconhecer paternidade

Há dez anos a professora aposentada Rosemary de Morais, de 55 anos, resolveu entrar com uma ação judicial para que José de Alencar a reconhecesse como filha. Hoje, Alencar é vice-presidente da República e a professora aposentada viu seu pedido ser aceito. A Justiça determinou, na quarta-feira (21/7), que ele oficialize a paternidade, como informa o jornal O Globo.

O vice-presidente se negou a fazer o exame de DNA. Entretanto, várias testemunhas e outras provas anexadas ao processo convenceram o juiz José Antônio Oliveira Cordeiro, da Vara Cível de Caratinga (MG), de que Alencar é mesmo o pai da professora aposentada. Quando o suposto pai se nega a fazer o teste de DNA, a paternidade é presumida pela Justiça.

Rosemary ficou sabendo quem era o pai por intermédio da própria mãe. Criada pelos avôs paternos, a professora aposentada levou quatro anos para entrar com a ação. Quando os pais dela se relacionaram, nenhum dos dois era casado.

Em visita a Caratinga (MG), Rosemary pôde ver o pai de perto. Em campanha para o Senado, Alencar visitara a cidade de 85 mil habitantes. A multidão, porém, impediu que ela se aproximasse. “Fui até a rádio onde ele deu uma entrevista e lá consegui dizer que eu era sua suposta filha”, conta Rosemary, “Ele ficou surpreso e disse que estava disposto a me dar toda atenção. Só que nunca mais me ouviu”.

A mãe de Rosemary, Francisca Nicolina de Morais, morreu de câncer, aos 82 anos. Para mover a ação de paternidade, a professora aposentada precisou se desfazer do sobrenome Neves, que ganhou do pai adotivo. Em relação ao reconhecimento da paternidade por Alencar, a professora aposentada é cética. “Eu tenho medo que gaste mais outro tanto tempo de briga na Justiça. Eu não quero nada daquilo que ele pensa que eu tenho direito”, conta.

A sentença foi dada a quinze dias do prazo para apresentação de recurso. De acordo com a assessoria de Alencar, não há nenhum tipo de ação de paternidade movida contra ele.

Carlos Nóbrega disse:
22 de julho de 2010 às 18:57

Ninguém é perfeito! Mesmo aquele que admiramos por sua extraordinária vontade de viver.

PAULO FRANCIS disse:
22 de julho de 2010 às 22:39

Um homem de sua estatura, segundo mandatária da nação, homem publico, jamais poderia recusar o exame do DNA. DEvia ter feito antes da entrada da ação.
Perdi a admiração. O Pelé, de muito ja não admiro.
Não possuem nobreza.Não se trata de ausencia de perfeição, mas sim de caráter.

Ana Só disse:
23 de julho de 2010 às 05:34

Tem pai que é cego.

Mig77 disse:
23 de julho de 2010 às 09:58

Talvez o dinheiro.
Não se pode esperar de um dos poucos homens públicos lúcidos deste país a recusa do teste de DNA.
Quando tem filho envolvido, o resto é o resto.

JFreitas disse:
23 de julho de 2010 às 11:55

De um homem que como ele se prestou a dar uma máscara de seriedade ao Governo Lula, deve se esperar tudo, inclusive um ato covarde e de mau caráter, diferentemente de grandes figuras como François Mitterrand e Fernando Henrique Cardoso.

Maria Aparecida da Silva Dojas disse:
23 de julho de 2010 às 14:50

Infelizmente, tem ficado cada vez mais raro encontrar um homem público que possa ser chamado de um homem de bem - o que significa um homem de caráter.
Lamentávelmente o vice-presidente preferiu se perfilar ao lado de homens do tipo do pelé - é isso mesmo - pelé com p minúsculo, para ficar do tamanho do dele.
Um antigo professor de Direito Penal, costumava dizer que um homem que não reconhece seu próprio filho não merece ser chamado de homem.
Grande decepção sr. vice-presidente! (minúsculas de propósito).

Roberto MP disse:
24 de julho de 2010 às 11:32

Um dia destes recebi uma entrevista de JA em sua luta contra o câncer, cujo remetente destacava seu altruísmo. Logo depois eu leio a notícia de sua recusa em não submeter-se ao teste de DNA para reconhecer sua filha. Por quê? Medo de quê? O homem está pra morrer e ainda age desse forma? E nada de transferir a responsabilidade a sua assessoria, pois Há dez anos a filha postula por esse reconhecimento.
É mas é assim mesmo, caráter não se compra como os votos dos eleitores miseráveis, caráter é inato e se cultiva. É isto.

maria disse:
24 de julho de 2010 às 19:00

A recusa sugere que seus atuais herdeiros não querem partilhar patrimonio no futuro.
Inaceitável o batido argumento ao desqualificar a mãe da requerente. Cuidar da própria saúde (com tantas facilidades inerentes ao cargo) não é qualidade excepcional.
Triste exemplo!

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