Fundação envia carta para criticar OAB no caso Sean Goldman

A Fundação Bring Sean Home enviou carta ao presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, criticando o fato dele ter pedido à presidente Dilma Rousseff (PT) que intercedesse junto a Barack Obama para que os avós de Sean Goldman pudessem visitá-lo nos Estados Unidos. No documento, publicado no site da fundação, ela afirma que a OAB deveria se focar na defesa de pais e mães brasileiros cujos filhos foram abduzidos dentro do território nacional ou para países estrangeiros “Nós temos certeza que estes pais e mães vítimas de abdução adorariam ter o apoio da OAB”.

Ophir fez a solicitação para Dilma no dia 20 de março, após a Corte Superior de Nova Jersey negar o pedido de Silvana e Raimundo Ribeiro, avós de Sean, para visitar o neto sem a obrigatoriedade de obedecer às condições impostas pelo pai, David Goldman. Na carta, o presidente da OAB afirma que a decisão negou à família brasileira e à criança o direito à convivência familiar e que sua apelação não pretendia “criar embaraço diplomático, mas exclusivamente reiterar o compromisso de nossa nação com a integridade da Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como da Convenção de Haia, que identificam na família um valor indispensável para a formação da sociedade”.

Em resposta, a Fundação Bring Sean Home afirmou que a decisão da Justiça americana não impediu os avós de visitarem o menino Sean e citou trecho da sentença que afirma que “o cumprimento das condições justas e razoáveis estabelecidas por David permitirá a eles [avós] novamente usufruir da relação especial reconhecida pelo legislador quando aprovou o Estatuto das Visitas de Avós do Estado de Nova Jersey”.

“Mesmo sabendo que os avós maternos poderão visitar Sean desde que cumpram com as ‘condições justas e razoáveis’, o senhor [Ophir Cavalcante] requisitou a intervenção dos presidentes do Brasil e dos EUA por acreditar que esta situação se assemelhe a uma crise humanitária!”, destacou a entidade na carta.

A fundação considerou a atitude da OAB “hipócrita”, uma vez que, em 15 de março de 2009, o então presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto, declarou que a ordem se opunha a qualquer tática que impugnasse a soberania do Judiciário brasileiro neste caso, porém, ao solicitar intervenção de Dilma e Obama, Cavalcante estaria impugnando a soberania da Justiça americana. “Sob a lógica da OAB, a pressão do governo americano no judiciário do Brasil é inaceitável, enquanto pressão do governo brasileiro no judiciário americano e nas cortes de jurisdição competentes de acordo com a convenção de Haia, é perfeitamente legítima”.

Por fim, a fundação afirmou que, em cinco anos, a OAB nunca se preocupou sobre a violação de direitos humanos no caso de Sean Goldman. “Não nos surpreenderia se a presidente Dilma Rousseff tenha tido o bom senso de não trazer à tona este assunto em seu encontro com o Presidente Obama”.

Procurado pela ConJur, Cavalcante afirmou ser lamentável uma fundação criada para proteger os direitos de uma criança não compreender o direito de visitação por parte da família brasileira. “Essa postura instiga ódio entre as nações e nos faz acreditar que a entidade defende apenas os direitos humanos dos americanos. Nossa intenção foi pedir que o governo intercedesse para que a família pudesse ter respeitado o seu direito de visita. Continuamos a defender a soberania não só da justiça do Brasil, mas de qualquer país”.

Sean Goldman, hoje com 10 anos, é filho do americano David Goldman e da brasileira Bruna Ribeiro. Nascido nos Estados Unidos, o menino foi trazido para o Brasil em 2004 pela mãe e aqui foi retido, contra a vontade do pai. Depois de uma longa batalha judicial em tribunais americanos e brasileiros, David conseguiu, em 2009, levar Sean de volta para os Estados Unidos. Desde então, Silvana e Raimundo, que morreu na noite da última segunda-feira (21/3), vinham tentando na Justiça recuparer a guarda de Sean e trazê-lo de volta para o Brasil.

Leia as cartas:

Carta da Fundação Bring Sean Home para a OAB

Prezado Sr. Cavalcante,

Escrevemos em reposta à sua carta dirigida a Presidente Dilma Rousseff, datada 20 de março de 2011, na qual o senhor requisita que Vossa Excelência interceda junto ao Presidente Obama em favor dos avós maternos de Sean Goldman. Gostaríamos de aproveitar a ocasião para ressaltar algumas considerações que deveriam ter sido feitas antes deste pedido.

O senhor teve a oportunidade de ler o parecer do Juiz Michael Guadagno da Corte Superior de Nova Jersey, EUA? Pedimos porque embora o senhor tenha feito uma referência à decisão, nos parece que o senhor esta inferindo que a corte de Nova Jersey tenha negado o pedido de visitação feito pelos avós maternos. Como advogado, o senhor certamente deve ter cuidadosamente lido e compreedido a opinião legal anexada a esta decisão. A decisão de 17 de fevereiro de 2011 claramente define que os avós maternos não tiveram seus direitos de visitação negados. O juiz estabeleceu que "o pai de Sean, David Goldman, havia concordado em permitir as visitas mediante algumas condições; porém os avós rejeitaram essas condições e buscaram pela via judicial compeli-lo a essa visitação, passando por cima das determinações estabelecidas pelo pai. Pelas razões que serão demonstradas em seguida, o pedido de regulamentação de visitas foi julgado improcedente." Mais adiante o Juiz Guadagno declara que "dado às provas documentadas dos danos que os Ribeiros causaram a Sean no passado, as condições de David para as visitações eram eminentemente razoáveis" e que "conquanto o pedido dos avós seja negado, eles continuam a deter a chave da visitação com seu neto. O cumprimento das condições justas e razoáveis estabelecidas por David permitirá a eles novamente usufruir da relação especial reconhecida pelo legislador quando aprovou o Estatuto das Visitas de Avós do Estado de Nova Jersey." (GVS – Grandparents Visitation Statute).

Mesmo sabendo que os avós maternos poderão visitar Sean desde que cumpram com as "condições justas e razoáveis", o senhor requisitou a intervenção dos presidentes do Brasil e dos EUA por acreditar que esta situação se assemelhe a uma crise humanitária! Deixaremos que o povo brasileiro julgue se isto é um bom uso do tempo e recursos de sua presidente. Gostaríamos de ressaltar a natureza hipócrita de sua posição diante das declarações anteriores de sua organização em 15 de março de 2009, na qual criticou a pressão dos Estados Unidos pelo retorno do Sean sob a Convenção de Haia. O então presidente da OAB, o Sr. Cézar Britto, declarou que a OAB se opunha a qualquer tática que impugnasse a soberania do judiciário brasileiro neste caso. No entanto, é exatamente isto o que o senhor está fazendo ao impugnar a soberania da justiça americana. Sob a lógica da OAB, a pressão do governo americano no judiciário do Brasil é inaceitável, enquanto pressão do governo brasileiro no judiciário americano e nas cortes de jurisdição competentes de acordo com a convenção de Haia, é perfeitamente legítima.

É também interessante que o senhor se refere a Convenção de Haia como um mecanismo legal no qual os avós maternos têm direito a visitação quando no passado a família brasileira conclamara que este tratado não era válido enquanto Sean estava no Brasil. Além do mais, sua sujeição em relação à Convenção de Haia, demonstra uma distorção gritante na finalidade da própria Convenção. Sugerimos que o Sr. leia os Artigos 7, parágrafo [f] e Artigo 21, sobre ‘os direitos de acesso’ ao abrigo da Convenção. Está claro que os direitos de acesso são para aqueles genitores que tiveram seus filhos abduzidos! Não é preciso ser um jurista para saber que uma criança raptada, que foi devolvida por meio da Convenção de Haia não pode, de forma alguma, ser considerada como tendo sido re-abduzida após seu retorno ao seu país de origem.

Senhor Cavalcante, é interessante notar que o senhor e a OAB jamais expressaram nenhuma preocupação sobre a violação de direitos humanos que resultou na abdução e retenção ilegal do menor Sean Goldman por mais de 5 anos. Se direitos humanos são tão importantes para a OAB, talvez o seu tempo seja melhor aproveitado defendendo pais e mães brasileiros cujos filhos foram abduzidos dentro do território nacional ou para países estrangeiros, além de apressar a resolução de casos de abdução sob a Convenção de Haia tanto no Brasil quanto no exterior. Nós temos certeza que estes pais e mães vitimas de abdução adorariam ter o apoio da OAB.

Não nos surpreenderia se a Presidente Dilma Rousseff tenha tido o bom senso de não trazer à tona este assunto em seu encontro com o Presidente Obama.

Sinceramente,
Fundação Bring Sean Home

Carta da OAB à presidente Dilma

Excelentíssima Senhora
Presidenta Dilma Rousseff
Brasília, DF

Como deve ser de conhecimento de Vossa Excelência, em face de o assunto ter ganhado repercussão na mídia internacional, são inúmeras as dificuldades impostas pela justiça norte-americana para contatos regulares dos familiares brasileiros ao menor Sean Goldman, algumas das quais caracterizando uma clara violação aos preceitos e normas relativas aos direitos humanos.

Por esta razão, sente-se a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sem entrar no mérito de decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal assegurando a guarda da criança ao pai biológico residente naquele país, no dever de apelar para sua intercessão junto ao Presidente dos Estados Unidos da América do Norte, Barack Obama, no sentido de que cessem os óbices às visitas de caráter afetivo, naturais nas relações familiares que os unem.

Ocorre que, a partir de posterior decisão proferida pela Justiça norte-americana, negou-se à família brasileira e à criança o direito à convivência familiar, mesmo que por meio de visitas no território daquele País, e, além disso, proibiram-se contatos telefônicos que não fossem realizados em língua inglesa, bem como a utilização da palavra ‘saudade’.

Esperamos que Vossa Excelência, como mãe, entenda o sentido desse apelo, que não visa criar embaraço diplomático, mas exclusivamente reiterar o compromisso de nossa Nação com a integridade da Declaração Universal dos Direitos Humanos, bem como da Convenção de Haia, que identificam na família um valor indispensável para a formação da sociedade.

Diante do exposto, apresento nossos protestos de respeito e consideração.

Cordialmente,
Ophir Cavalcante Junior
Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

Marcos Alves Pintar disse:
25 de março de 2011 às 12:41

Acho que os americanos não sabem ainda que no Brasil o que manda é "estar bem na fita". O sujeito ou instituição pode ser abominável, levando adiante toda espécie de conduta inapropriada, mas enfocando alguns pontos chaves consegue ser bem visto. Foi nesse sentido que a OAB fez toda essa lambança querendo aparecer. Sabemos que a requisição de Ophir se assemelha a pedir que a noite dure mais um pouco, ou que a maré não suba tanto, mas isso empolga o cidadão comum brasileiro, que não sabe como as instituições de fato funcionam, notadamente nos EUA. O que a OAB vai fazer agora é tentar reverter o vexame usando mais uma vez a própria falta de cultura do povo brasileiro. Vai querer dizer que a fundação em questão é contrária ao interesses do Brasil, tentando a todo custo desmoralizá-la, o que será fácil.

Marcos Alves Pintar disse:
25 de março de 2011 às 12:46

Mas cá entre nós. O que a Fundação Bring Sean Home fez foi uma verdadeira "lavada" usando aqui uma expressão popular, seguindo a tradição de liberdade de opinião e pensamento garantia pela constituição dos Estados Unidos, que aqui seria considerado insulto.

Spartacus disse:
25 de março de 2011 às 13:11

A OAB poderia ter ficado sem levar essa paulada. A carta da Fundação Bring Sean Home deixa entrever como lá, nos EUA, as leis são aplicadas racionalmente, com lógica, enquanto aqui, no Brasil, as leis são aplicadas conforme o alvedrio do julgador que não tem nenhum pudor em distorcer seu sentido para atender a um modo de pensar emocional ou seja lá o que for, desde que bem distante da lógica que deveria governar todo argumento e toda fundamentação jurídica. A lógica da OAB é a adoção de dois pesos e duas medidas: naquilo que a Convenção de Haia contraria os interesses dos avós de Sean, ela é írrita; naquilo que lhes interessa, ela é válida. No Brasil essa lógica deplorável sói ser usada desde a colonização e é responsável por sermos encarados internacionalmente como um povo inferior, menos racional. Nos EUA, ao contrário, vale a razão que enaltece a espécie humana e a distingue dos outros animais.
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Quanto aos avós, estão colhendo o que plantaram.
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Raul Haidar disse:
25 de março de 2011 às 13:20

Manifestação de uma instituição privada estrangeira em nada interfere no que possa fazer a OAB, cujas funções institucionais estão definidas no artigo 44 da lei 8906. Estrangeiros que nos insultam não constituem novidade. Um ministro brasileiro no exercício do cargo, que nos representava,já tirou os sapatos num aeroporto americano. E já chegaram ao absurdo de, na capital brasileira, em território brasileiro, com nossa bandeira tremulando, revistar ministros de estado numa recepção em palácio! Os revistadores deveriam ser expulsos imediatamente ou os revistados que se acovardaram deveriam ser demitidos. A tal "liberdade" americana é uma farsa e a maior prova disso está em Guantanamo. Quem aplaude essa lambança travestida de fundação está totalmente equivocado. Isso é apenas "business" ou "money", meus caros...

Cirovisk disse:
25 de março de 2011 às 13:28

Esta claro que na carta da OAB tem a influência dos renomados advogados que tê interesse na causa, mas a Ordem não deveria ter caído numa besteira destas e afirmar que esta "lutando" pela "convenção de Haia" ah façam me o favor é ridículo o argumento. Como diz a carta dos americanos se passou por hipócrita. Neste caso até a população brasileira esta do lado do americano PAI legítimo do garoto, que por certo tem q tomar os cuidados necessários afinal de contas teve o filho quase tomado a força pelos avos brasileiros. A OAB com tantos bons serviços prestados não poderia ter sujeitado a um banho da fundação americana.

Marcos Alves Pintar disse:
25 de março de 2011 às 15:57

Já chegou o comitê de defesa incondicional da OAB, que como sempre evita o tema principal e tenta desmoralizar o oponente. Ora, Dr. Haidar, o que tem a ver com o assunto "sapatos", "revistas" e "Guantanamo"? Os EUA possuem 290 milhões de habitantes, produzem 60% da pesquisa científica do mundo, e concentram uma boa parte da riqueza da humanidade, sendo absolutamente certo que TANTO O ESTADO COMO A SOCIEDADE AMERICANA APRESENTAM INÚMEROS PROBLEMAS GRAVES, sendo extremamente fácil criticá-los. Mas porque não se centrar no assunto, ou seja, na extrema gafe cometida pela OAB? A vontade é desviar o foco?

Raul Haidar disse:
25 de março de 2011 às 16:41

Se o presidente da OAB cometeu gafe ou não, é questão a ser examinada pelo Conselho Federal. Não faço defesa "incondicional" de ninguém. Não preciso disso e nem da "oposição sistemática". Como brasileiro senti-me envergonhado quando um ministro do Brasil foi humilhado ao entrar naquele país, tratado como bandido, tendo que tirar o sapato! Também me senti ofendido quando pessoas fortemente armadas se sentiram no direito de revistar ministros do meu país dentro do território nacional, na capital da república. Não pode falar em "foco" quem parece ter um foco só: falar mal da entidade que representa a sua profissão. Esse caso não é desvio de foco, mas desvio de personalidade: a pessoa escolheu uma profissão, mas ocupa seu tempo tentando desqualificar os que a dirigem.Quem não está satisfeito com a direção da OAB, tente mudá-la nas próximas eleições, quem sabe sendo candidato. Isso se chama democracia. Quanto à tal fundação não creio que seja útil para alguém discutir as besteiras que ela faça ou deixe de fazer. Meu foco é a defesa da Advocacia. Quem a representa, quer eu queira ou não, é a OAB e o dr. Ophir é quem a preside no momento. O resto é resto.

Marcos Alves Pintar disse:
25 de março de 2011 às 18:07

Prezado colega Raul Haidar. O conceito que tem de "democracia" é diferente do meu e dos demais. Nós acreditamos que em democracia as pessoas e profissionais devem ser livres para votar e serem votados, e também para lançar críticas construtivas e fundamentadas sobre questões que interessam à coletividade ou a um grupo determinado. Infelizmente o Dr. acredita que a democracia se limita ao direito de voto, o que entendo como lastimável falta de visão. Por outro lado, posso dizer que ficaria feliz caso eu ou qualquer outro advogado pudesse de fato se candidatar a Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, e receber votos ou ser repudiado por todos os advogados do Brasil, o que não se torna possível já que no regime feudal implantado pela Ordem seus inscritos não votam na eleição do Presidente de sua entidade, embora pague todos os meses uma pesada mensalidade, inclusive para o Conselho Federal. Por outro lado, vejo com estranheza a alegação no sentido de que o colega se sentiu ofendido com supostas revistas realizadas em autoridades desta República por pessoas armadas, JÁ QUE TODOS NÓS ADVOGADOS, INCLUSIVE O DR., SOMOS TODOS OS DIAS HUMILHADOS COM REVISTAS POR PESSOAS ARMADAS no exercício da nossa função, uma vez que a Ordem dos Advogados do Brasil, ao invés de cuidar das prerrogativas profissionais, consumiu seu tempo com golpes midiáticos (aqui em São José do Rio Preto até a vendedora de coxinha entra no fórum sem ser revistada, mas nenhum advogado põe o nariz dentro sem uma boa revista). Ora, será que as autoridades revistadas valem mais do que nós advogados? Ou será que é melhor simular e alardear revolta quando pomposas autoridades são revistadas, para "ficar bem na fita"?

Richard Smith disse:
25 de março de 2011 às 22:58

a) concordo absolutamente com o comentário do Dr. Sergio Niemeyer;
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b) por coerência, discordo do comentário do caro Dr. Haidar. Em tempos muito mais sensíveis, logo depois do atentado ao World Trade Center e do fanatico islâmico ter tentado explodir um avião com o seu tênis bomba, um chanceler do Brasil de Fernando Henrique Cardoso foi execrado pelos PeTralhas pelo seu "servilismo", quando simplesmente não quis dar "carteirada" e seguiu as normas impostas pelo governo do país que estava visitando. O Apedeuta Sem-dedo, depois, passou a sempre bazofiar dizendo que "nunca mais nestepaiz" um chanceler ou outra autoridade passaria por isso.
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E aí, pudemos ver a verdadeira humilhação a que foram submetidas autoridades petistas EM TERRITÓRIO NACIONAL, com apalpões verdadeiramente nutridos(e que, queiram desculpar-me a acidez, não devem ter resultado no encontro de muito conteúdo no interior das roupas íntimas!)!
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c) Caro Dr. Pintar, lembro-lhe que no Brasil vivemos (supostamente!) uma Democracia REPRESENTATIVA e que as formas da chamada "democracia direta", comportam perigos inauditos, como pudemos bem pudemos observar do episódio com Jesus Nosso Senhor e o assassino (ôps, "revolucionário"!) Barrabás.
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Saudações a todos

Raul Haidar disse:
26 de março de 2011 às 10:42

O conceito de "democracia" é simples e não precisamos discutí-lo. Nas eleições da OAB deve-se acabar com o sistema de chapas. Já levantei essa tese até em um livro. Isso já foi objeto de projeto que na Camara foi arquivado. Eleição "direta" da diretoria do Conselho Federal causaria desequilíbrio na advocacia, pois o ele é constituido por representantes dos Conselhos Estaduais. Não seria razoável que SP sempre dominasse a OAB federal. É similar ao que ocorre no Senado. Os membros do cada Conselho são eleitos diretamente, no sistema de chapa, que é ultrapassado. Minha opinião me autoriza a sugerir mudanças, não a me tornar crítico feroz da entidade. Já vi, neste espaço, colegas que querem eliminar a OAB, o que seria o caos total, como acontece hoje no jornalismo, onde qualquer idiota semianalfabeto ocupa espaço de profissional de nivel superior. Já fui revistado algumas vezes e não vejo problema nisso. Mas desde que a revista se faça por brasileiro quando no território nacional. Qualquer um que viaje de avião passa por isso. Mas no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, ministros de Estado serem revistados por guardas, seguranças ou agentes estrangeiros, viola qualquer noção de soberania. Críticas são "construtivas e fundamentadas" quando nós as fazemos. Mas se as recebemos elas são "inconsistentes" ou revelam "falta de visão"? Engraçado! O presidente da OAB representa todos os advogados brasileiros nos termos da lei. A manifestação que fez nessa qualidade foi legítima, embora eu mesmo, pessoalmente, a entenda desnecessária. Eu me sentiria honrado em integrar o "comitê de defesa" da OAB se ele existisse. Isso significa defender a Advocacia, que há tempos sofre a ação nefasta de muitos inimigos, dentre os quais colegas equivocados.

Richard Smith disse:
26 de março de 2011 às 12:06

Nestes e em outros momentos, me ocorre o pensamento seguinte: o que o grande, magno, Heráclito Fontoura Sobral Pinto, Homem e Brasileiro ( e Católico!) com letras maíúsculas, diria das opiniões e "polêmicas" (falsas polêmicas, alíás) ventiladas aqui neste democrático espaço?

Marcos Alves Pintar disse:
26 de março de 2011 às 13:41

Prezado colega Raul Haidar. Devo deixar claro que não sou inimigo da Ordem dos Advogados do Brasil, muito pelo contrário. O que ocorre de fato é que não raras vezes temos visto colegas que exercer cargos e funções na Ordem, instituição ao qual todos nós advogados estamos umbilicalmente ligados, levando adiante condutas que claramente atentam contra a própria honrabilidade da Instituição, e em via de consequência apena todos nós advogados. Ora, qualquer pessoa de número cultural médio pode compreender a gravidade da conduta de Ophir nessa lambança envolvendo Dilma e Obama. É nítido como a luz do dia a busca por holofotes, o que acaba afetando não só a imagem da instituição como a de todos os advogados em atuação. Ophir Cavalcante pode fazer o que bem entender com sua imagem, mas é certo que quando atua na condição de Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil algumas cautelas são necessárias. Vivemos em um País de incultos, que pouco se importa com as instituições (veja-se que nos EUA se chegou a montar uma fundação para discutir e apoiar o caso, o que por aqui não aconteceu), mas resta certo que o caso certamente repercutiu fora do País, com prejuízo à imagem de todos nós advogados pelo mundo a fora.

Raul Haidar disse:
26 de março de 2011 às 14:29

Caro dr. Marcos: o artigo 44 da lei 8906 define no seu inciso I as funções institucionais da entidade.Não vejo que a manifestação da OAB nesse caso esteja fora daquelas normas que incluem pugnar pela boa aplicação das leis. O artigo 55 do estatuto diz que o presidente "exerce a representação nacional e internacional da OAB". Qualquer do povo pode representar ao Conselho federal questionando eventual prevaricação do presidente. Todavia, imaginar que tais atitudes "atentam contra a própria honorabilidade da Instituição" é no mínimo um exagero. A advocacia brasileira é respeitada internacionalmente e há inúmeras provas disso.Há alguns anos um grupo de advogados brasileiros foi recebido em Nova Iorque, inclusive na Suprema Corte, com grandes demonstrações de respeito e admiração. Ao que parece, para os advogados brasileiros e principalmente para a OAB só falta o respeito dos advogados brasileiros. Tal respeito não foi obtido à custa de cartas ou brigas com "fundações", mas ao longo de uma história de lutas pelo direito e pela justiça, onde alguns colegas perderam a liberdade e até a vida. Não podemos dar credibilidade a "fundações" ou "ongs" que são criadas neste ou em outros países com supostas finalidades elevadas mas que são geralmente meras fábricas de factóides a serviço de interesses obscuros ou até mesmo instrumentos para beneficiar espertalhões ou politiqueiros. O colega já leu as notícias mais recentes sobre a "fundação" da cantora Madonna para proteção de criancinhas? Ou ainda para que serviram aqueles shows de "proteção" à selva e aos índios, promovidos pelo Sting ? Somos advogados, meu caro. Advogados não podem ser ingênuos.

Marcos Alves Pintar disse:
26 de março de 2011 às 20:39

Como eu disse no primeiro de meus comentários, muito tangenciamento e pouco ataque ao problema.

Raul Haidar disse:
26 de março de 2011 às 21:07

O principal problema que existe aqui é alguém imaginar que a OAB está "querendo aparecer" e que pretende desmoralizar uma "fundação" criada em outro país com o óbvio propósito de criar factóides para veicular na mídia imbecilizada que dá crédito a qualquer fantasia estrangeira. A OAB representa hoje cerca de 700.000 profissionais de nível superior que atuam na 7a. economia do planeta! Não precisa "aparecer" por causa de meia dúzia de gatos pingados que, provavelmente desempregados, resolveram promover interesses que nem sabemos direito quais são. Portanto, imaginar que a OAB precisa disso é devaneio difícil de explicar. Também é um grande problema que alguns advogados tanto se esforcem para tentar desprestigiar a única entidade que legalmente os representa e que tem a obrigação legal de protegê-los, mesmo quando eles, na tentativa alucinada de promover-se, cometem atos impensados, chegando em alguns casos a ter que responder por eles perante a justiça. Eis o grande problema: o advogado "mete o pau" na OAB o tempo todo e ao fazer uma besteira ou grosseria qualquer no exercício da profissão, corre a pedir que a OAB, aquela que está "querendo aparecer" , que pratica "golpe midiático", venha a defendê-lo. Ao que parece esse tipo de profissional não está vocacionado para a advocacia. O advogado (CF e lei 8906) "presta serviço público e exerce função social". Ao dedicar-se ao esporte de "meter o pau" na OAB por causa de qualquer besteira, parece que ocorre um desvio de personalidade profissional. É a pessoa que faz uma coisa e gostaria de estar fazendo outra. Por isso que há tantas pessoas mudando de profissão durante a vida, até mesmo mais de uma vez. Conheço um advogado que virou cantor, outro que virou ator, etc.- Quem não gosta da OAB, caia fora.

Marcos Alves Pintar disse:
27 de março de 2011 às 20:29

De fato, prezado colega Raul Haidar, não sei de qual "advogados" ou de qual "OAB" está falando. A Ordem dos Advogados do Brasil não defende advogados no exercício da profissão. Defende, tão somente, os interesses imediatos do "grupinho" que a domina. Sem querer continuar aqui com tanto blá-blá-blá, que é inútil com fanáticos, vou trazer aqui um exemplo muito claro. O Dr. sabe que a Ordem considera que uma multa processual aplicada pelo juiz contra o advogado da causa ofende prerrogativa profissional, ensejando assim desagravo público. Vários atos de desagravo já foram deferidos e realizados quando o ofendido era da "txurma". Pois bem. Há alguns meses um juiz federal que vem com apoio da OAB praticando vários atos ilegais contra mim acabou por aplicar a famigerada multa, que no entender dele seria paga solidariamente por mim e meu cliente. Peticionei à Comissão de Prerrogativas Profissionais expondo o caso e juntando a documentação pertinente há meses, e até o presente momento nem uma resposta.

Marcos Alves Pintar disse:
27 de março de 2011 às 20:37

Defendia os interesses de uma segurada da Previdência Social pobre e enferma. Assim, no mesmo dia ingressei com duas ações requerendo a concessão de benefícios por incapacidade, cuja fundamentação era praticamente a mesma, sendo que as duas demandas foram distribuídas para a mesma Vara Federal. Fato é que por razões desconhecidas o Juiz Federal que conduzia o feito passou a conferir um tratamento diferenciado para as duas ações, privilegiando a do cliente do sexo masculino sob o argumento de que a mulher estaria amparada pelo marido, por ser casada, e seu processo não necessitava da mesma urgência no andamento. Depois de alguns incidentes veio aos autos laudo pericial favorável, nas duas ações, sendo que em uma delas (a do homem) o juiz deferiu a antecipação de tutela, e na da mulher alegou que só iria analisar quando da sentença. Ingressei com agravo de instrumento e alguns meses depois foi prolatada decisão pelo Tribunal determinando ao Juiz Federal decidir imediatamente o pedido de antecipação de tutela. Assim, em retaliação pelo trabalho que vinha fazendo, o Juiz Federal que conduzia o feito considerou que eu estava cometendo crime ao postular, determinando o envio de ofício à OAB e ao Ministério Público. Imediatamente comuniquei a OAB, e PASSADOS MAIS DE TRÊS ANOS nunca obtive uma única resposta. Houve a instauração de um inquérito policial, e logo fui indiciado por um crime qualquer, mas interposto o habeas corpus (por mim) o TRF3 mandou trancar o inquérito ao considerar que inexistia qualquer espécie de delito e que minha atuação se dava nos ditames das regras que regem a advocacia, sem qualquer excesso ou abuso. Formulei pedido de desagravo, no ano de 2008, e até agora uma única resposta da Ordem.

Marcos Alves Pintar disse:
27 de março de 2011 às 20:52

Poderia passar a noite aqui descrevendo situações de omissão da Ordem, apenas relacionadas a mim. As regras que regem a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil são claras: quem exerce o "puxa-saquismo", bajulando os ocupantes de cargos e funções são premiados, desagravados, e considerados como "advogados respeitáveis"; quem não se adéqua a esse modelo é inimigo da Ordem e deve ser combatido a todo custo. É nesse contexto que os mais fracos, aqueles que necessitam de uma "proteção especial" para sobreviver na advocacia devido a suas deficiência estão a defender os desvios da Ordem a todo custo. Tentam desviar o foco da discussão, desmoralizar o oponente, tal como se fossem agentes publicitários contratados para defender um produto no melhor estilo "é dando que se recebe". Lastimável.

Raul Haidar disse:
28 de março de 2011 às 13:49

Marcos: só conheço uma OAB na estou inscrito desde 1974, que é a mesma na qual o sr está desde 2002. Mas, nos termos da lei, todos os advogados são iguais. Os termos que o sr. usa tornaram grosseiros. Nao pratico "puxasaquismo" nem bajulo ninguém. Nunca precisei ser desagravado pela OAB porque nunca sofri agravo algum nesses 37 anos de atividade. Não sou melhor que ninguém. Talvez isso seja apenas porque nunca desrespeitei juiz, nem delegado, nem serventuário da justiça, enfim, pessoa alguma.Mas infelizmente há colegas que por serem tratados de "doutor" (bobagem acadêmica) julgam-se importantes. Ocupo algum espaço aqui para defender a Advocacia quando minha profissão (e de uma das minhas também) é injustamente ofendida por pessoas como o sr. que insistem em generalizações estúpidas. Se o sr. não foi atendido pela OAB em algum pedido, procure a Justiça Federal, move a ação cabível, peça indenização, faça o que lhe parecer melhor. Procure o CNJ até. Mas não tente responsabilizar a profissão e a entidade pelos resultados insatisfatórios que o sr. tenha colhido na sua atividade. O sr. não tem a importância que imagina para que a OAB ou um juiz federal tentem persegui-lo. Parece que a entidade e o juiz tenham coisas a fazer...

Marcos Alves Pintar disse:
28 de março de 2011 às 14:22

Caro Dr. Raul Haidar, não seja cínico. Acha que o Juiz Federal que violou minhas prerrogativas profissionais vai acatar um pleito contra a OAB, por suposta omissão, quando ele mesmo e seus colegas são os interessados? Quanto à "atenção dispensada" a mim, ou melhor, a minha atuação profissional pelo juízes federais, trago aqui parte de uma decisão preferida pela Corregedora Nacional do Ministério Público Federal, que esclarece em parte a "atenção" que juízes federais tem dispensado a minha atuação profissional: "Percebe-se que se instalou entre o Advogado de uma parte e, de outra, os membros do Judiciário Federal e do Ministério Público Federal na região, uma animosidade que perturba a apreciação das condutas de uns e outros. O importante é encontrar o caminho do diálogo e da superação dessa animosidade que causa prejuízo às pessoas envolvidas diretamente e à administração da justiça em geral." Tal consideração mostra claramente a "importância" do trabalho que venho realizando em favor dos meus clientes, e os atritos que estão frequentemente surgindo devido ao revanchismo de magistrados e membros do Ministério Público. A propósito, bastou que um Procurador da República se desentendesse com a Diretoria da OAB de Jales para que um desagravo fosse imediatamente deferido PARA A DIRETORIA. Para os demais, que não fazem parte do "grupinho", não há desagravo, providência, enfim, absolutamente nada muito embora todos contribuímos igualmente.

Marcos Alves Pintar disse:
28 de março de 2011 às 14:34

A propósito, caro colega Raul Haidar, não foram poucas as conquistas que obtive nos últimos anos, principalmente no tocante à concessão de benefícios previdenciários por incapacidade, mesmo sem o apoio da OAB. Veja-se por exemplo a questão da manipulação de laudos periciais em favor do INSS, que avassalava toda a região, e a questão dos quesitos padronizados. Trabalhei duramente em cima disso, por vários anos a fio, e obtive melhoria ampla nas condições de atendimento não só em favor de meus clientes mas da população em geral. Foram dezenas de recursos; reclamações disciplinares; ações cíveis de indenizações e até representações criminais (ensejando a ira de dezenas de autoridades), até que os problemas foram mitigados, o que me garante extremo respeito e consideração junto à clientela, que cresce a cada dia. Sei que é difícil falar dessas coisas com quem não está acostumado a encarar a advocacia como instrumento de melhoria das condições de vida da população e aperfeiçoamento do aparelho estatal, nos termos do que determina o Código de Ética, mas de qualquer forma fica aqui registrado que magistrados, membros do Ministério Público e autoridades em geral se preocupam sim com meu trabalho, de forma muito mais intensa do que qualquer outro advogado desta região.

Raul Haidar disse:
28 de março de 2011 às 16:16

Marcos: no primeiro de seus comentários você disse "que no Brasil o que manda é "estar bem na fita". O sujeito ...pode ser abominável, levando adiante toda espécie de conduta inapropriada, mas ...consegue ser bem visto." Disse ainda que "a OAB fez toda essa lambança querendo aparecer". Tentei demonstrar que não é lógico que uma entidade com 700.000 membros, num país que é 7a. economia do mundo tenha necessidade de "aparecer". Se o sr. visse o site da tal "fundação" veria que lá existe um link para arrecadar no mínimo 400.000 dólares que seriam as despesas do pai do garoto. Tentei demonstrar que advogados não podem dar credibilidade a essas "fundações" criadas no exterior muitas vezes como instrumento de arrecadação para fins que desconhecemos. Por fim, o sr. resolve me chamar de "cínico", o que recebo na concepção de Antístenes (sec. IV A.C. - Ginásio Cinosargos) : ideal de vida conforme a simplicidade da vida canina, onde o único fim do homem é a felicidade. Mas vendo seus comentários mais recentes, onde o sr. afirma que sua clientela aumenta com a repercussão de seus serviços, fico feliz pois o sr. está "bem na fita" e "consegue ser bem visto". Mas a advocacia não precisa ser uma fonte de desavenças entre advogados. Já temos inimigos demais.

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