Protógenes acredita em conspiração internacional para criminalizar árabes

""Spacca” data-guid=”protogenes-queiroz-spacca.png” />O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB–SP) acredita que existe um esquema internacional para financiar uma campanha de imprensa no Brasil com o objetivo de criminalizar a comunidade árabe residente na Tríplice Fronteira de Brasil, Paraguai e Argentina. O ex-delegado da Polícia Federal não só está convencido disso, como convenceu seus colegas do Congresso a aprovar uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC), uma quase CPI, para investigar a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que, a seu ver, são os agentes brasileiros da conspiração internacional que  estaria tentando pintar como terroristas os muçulmanos residentes na região de Foz de Iguaçu. Protógenes acusa também a PF de desviar "para fins escusos" o dinheiro à luta antiterrorismo. 

Como se sabe, Protógenes teve sua carreira de delegado da Polícia Federal interrompida depois que foi acusado de cometer irregularidades nas investigações da chamada Operação Satiagraha, que apurava a suposta prática de crime financeiro por parte do banqueiro Daniel Dantas e do Grupo Opportunity. Entre as denúncias feitas contra o então delegado estava a de usar indevidamente agentes da Abin em investigações policiais. Condenado em primeira instância por quebra de sigilo funcional, o delegado ainda espera julgamento de recurso que foi parar no Supremo Tribunal Federal, já que como deputado federal tem direito a foro privilegiado. Já o caso em que é analisado o uso indevido de agentes da Abin está em julgamento no Superior Tribunal de Justiça.

Protógenes apóia a PFC do Programa de Antiterrorismo da Policia Federal, proposta pela deputada Perpétua Almeida e do qual é relator. Nela se pretende fiscalizar supostas irregularidades na política pública do governo, executada pela PF e pela Abin. Segundo Protógenes, a linha de investigação do programa que apurava a discriminação de árabes e muçulmanos em Foz do Iguaçu (PR) desembocou em outra, sobre a suposta ação internacional para criminalizar a comunidade árabe da região.

“Pelo que nos foi trazido em documentação, há indícios de que existe um programa internacional de investimento de recursos destinados a financiar a grande mídia para desqualificar e criminalizar o público árabe muçulmano na América Latina, e principalmente do Brasil”, afirma.

De acordo com o site Congresso em foco, a investigação da Subcomissão de Investigação, que foi criada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, com base nos indícios ainda está em fase de coleta de dados. Nela, também é investigado o suposto financiamento internacional, em repasses ilícitos ao Brasil, para subsidiar as arbitrariedades praticadas “há anos” pelos agentes do programa antiterrorista.

A proposta
A PFC foi apresentada em abril. Na justificativa é mencionada uma reportagem da revista Veja intitulada “A Rede — O terror financia bases no Brasil”, que relata “atividades de pessoas ligadas a grupos nacionalistas árabes em território brasileiro, entre eles a Al Qaeda”. A reportagem descreve os movimentos, em território brasileiro, de Khaled Hussein Ali, que seria o responsável por estratégias de comunicação e propaganda da rede terrorista.

O deputado também considerou uma reportagem da revista Carta Capital sobre a ação do programa, de acompanhar e controlar o cotidiano de árabes que se radicaram no Brasil. Nela, são relatados casos de constrangimento e operações ilícitas do serviço antiterrorismo da PF.

Segundo ele, após ler as notícias, foi até Foz do Iguaçu e lá encontrou alguns árabes e muçulmanos, “uma população tomada pelo medo e pelo temor, ressentida de alguns constrangimentos e possíveis constrangimentos futuros”. Além disso, diz ter encontrado “até mesmo alguma animosidade relacionando mulheres com vestimentas típicas da sua cultura muçulmana sendo molestadas na rua, bem como crianças nas escolas também sendo tratadas com certa indiferença”.

Dizendo-se preocupado com a situação de preconceito, Protógenes declarou ter percebido um “direcionamento discriminatório por parte de algumas autoridades e integrantes desse sistema antiterrorismo”.

Oitiva
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado já reuniu os colegiados da Câmara e do Senado em uma audiência reservada para ouvir as principais autoridades envolvidas no programa. Segundo o delegado, os depoimentos serão confrontados com as informações já recolhidas e com os relatos “das vítimas desse sistema implantado aqui no Brasil” que ainda serão ouvidas.

O deputado conta que o programa antiterrorista foi implementado no país há mais de dez anos para acompanhar a “movimentação de possíveis integrantes de organizações terroristas aqui no Brasil”, mas seu propósito preventivo foi corrompido com o tempo.

Sem plano
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já declarou que não está nos planos do Brasil a criação de uma unidade especial de prevenção de atentados terroristas durante a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Ele acredita que um plano de segurança já será suficiente para garantir a segurança nos eventos, inclusive porque a PF já dispõe de um serviço específico de ações de contra terrorismo, e o país não é vulnerável a práticas terroristas.

Segundo o ministro, ainda não foi identificada a existência de células terroristas no Brasil, e no caso do país o tráfico de drogas não tem qualquer relação com o terrorismo. “Não é o que vivenciamos”, ponderou.

Protógenes acredita que grandes aportes de dinheiro público são aplicados, sem foco, em ações antiterroristas nas fronteiras. Por conta da falta de foco, diz que esses montantes acabam por ser desviados e a ação antiterrorista brasileira é, na verdade, um pretexto para que mais repasses de dinheiro sejam autorizados pelo Ministério da Justiça e, continuem servindo a interesses escusos. 

PFC
O deputado diz que a proposta foi “muito bem recebida” e que o Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal, Banco Central devem ser acionados para fundamentar o objetivo da PFC.

Quanto ao poder desse instrumento processual legislativo, Protógenes diz já ter apresentado outras PFCs, uma delas para fiscalizar as políticas de combate ao crack que foi substituída por uma comissão especial de combate ao crack e outras drogas afins. Contudo, ele reconhece que o presidente da Câmara, a quem cabe assinar os requerimentos de PFC e encaminhá-los às comissões competentes, pode retardar o processo.

“Ela [a PFC] pode, em razão do volume de projetos que há na Câmara, entrar na vala comum. Mas todos os que eu propus até agora tiveram um bom encaminhamento. O resultado prático vai ser a conclusão dela”, diz Protógenes. Ele acrescenta que terá atingido seu objetivo quando seu relatório estiver pronto, “incriminando ou não incriminando, dizendo se tem crime ou não”.

O deputado diz que o importante é que seja revelada a fonte do dinheiro estrangeiro, a quem ele serviu, em que atividades foi aplicado e quantos trabalhos foram feitos a partir de tal financiamento, bem como seus efeitos na sociedade brasileira.

Atividade legislativa
As últimas propostas apresentadas pelo parlamentar foram o Projeto de Lei 1.078/2011 e 1.077/2011, no dia 13 de abril. No primeiro, o deputado propõe que a Lei 10.446/2002 (sobre infrações penais de repercussão interestadual ou internacional que exigem repressão uniforme) seja alterada para dispor sobre a participação da PF na investigação de crimes em que houver omissão ou ineficiência das esferas competentes e em crimes contra a atividade jornalística. O PL foi encaminhado as Comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e Constituição e Justiça e de Cidadania.

No segundo, é proposta a instituição do Dia Nacional do Povo Muçulmano no dia 12 de maio. A proposta foi devolvida ao autor por questões formais.

A assessoria de imprensa da Polícia Federal declarou que a PF “já prestou todas as informações às reuniões conjuntas de comissões realizadas no Congresso, em audiência reservada para tratar do assunto. A PF não tem mais nada a acrescentar além do que já foi dito aos deputados”. Com informações do site Congresso Em Fovco.

Clique aqui para ler o requerimento apresentado por Protógenes para a criação da Proposta de Fiscalização e Controle.

Marcos Alves Pintar disse:
06 de junho de 2011 às 19:19

Que caos esse País. Um servidor público afastado do cargo, inclusive condenado em primeira instância por crime praticado no exercício da função, propondo projetos de lei. Protógenes pode ser até inocente mas, convenhamos: ao menos enquanto as acusações não restem esclarecidas não cabe a ele propor modificação alguma na Polícia Federal.

Vince disse:
06 de junho de 2011 às 20:07

Apesar de costumeiramente concorda com o Marcos Alves Pintar, desta vez terei que discordar. Ele ter sido condenado em primeira instância não quer dizer nada em nosso sistema. Por que convir que ele não pode propor modificações se ele pode continuar recorrendo da condenação, mantendo assim seu status de inocente puro e imaculado? Não faz sentido.

Advogado Santista 31 disse:
07 de junho de 2011 às 00:06

Mais uma vez, o delegado-maluquinho e suas conspirações imaginarias ganham destaque na imprensa. Coitado de quem acredita nessas histórias da carochinha que ele conta. Daqui a pouco ele irá dizer que há uma invasão de ETs no mundo. Tenha santa paciência.

Paulo_07 disse:
07 de junho de 2011 às 09:21

O nobre deputado eleito na esteira do efeito TIRIRICA, que atuava com o então juiz De Sanctis, tão preocupado com os muçulmanos até agora ainda não esclareceu como adquiriu tantos imóveis a preço de banana quando atuava como delegado na PF?????
Como V. Excia explica as matérias:
http://politicaemdebate.com.br/538/
CONHEÇA O GÊNIO IMOBILIÁRIO DE PROTÔGENES
http://www.conjur.com.br/2011-jan-18/delegado-pf-dez-anos-protogenes-queiroz-dono-sete-imoveis
PROT

Marcos Alves Pintar disse:
07 de junho de 2011 às 10:55

Na verdade, prezado Vince (Advogado Autônomo - Criminal), não é só a condenação em primeira instância em si que macula eventual propositura de modificação legislativa proposta por Protógenes. Além de estar afastado administrativamente da Polícia Federal por irregularidades há indícios bastante palpáveis de que se valeu do cargo para fins políticos eleitorais (um dos motivos de seu afastamento); de que manipulou um inquérito visando se promover, conluiado com a TV Globo; e que, como sabemos, acabou sendo eleito deputado federal na garupa de Tiririca. A questão da multiplicação de seu patrimônio aparentemente nunca foi esclarecida (deve dizer agora que recebeu por assessoria prestada). Tudo bem, o princípio da presunção de inocência está aí para ser respeitado mas... convenhamos.

JETHRO SILVA JUNIOR disse:
07 de junho de 2011 às 21:30

O sr. Protógenes deveria ser submetido à exames de sanidade mental.

Richard Smith disse:
07 de junho de 2011 às 23:39

Caro Dr. Jethro:
.
ELE JÁ FOI, quando se propôs a ingressar na Polícia Federal E NÃO PASSOU!, tendo sido admitido e nomeado apenas por meio de liminar (alguém ainda se recorda disso?)!

Richard Smith disse:
07 de junho de 2011 às 23:48

EU TAMBÉM ACREDITO numa conspiração interplanetária para desacreditar o bom e aguerrido Dr. Protógenes!
.
Sei de fontes seguras que os Incas Venusianos, depois de terem afastado national Kid da Terra agora volta e meia dirigem os seus raios-gama de interferência mental para o cocoruto do nobre Deputado, anteriormente bravo Delegado, e o fazem praticar, dizer e escrever coisas desconexas, tudo com o fito de desacreditá-lo na sua valente luta contra o mal e a injustiça no Universo e também tentar atrapalhá-lo na gestão do seu nutrido patrimonio, coisa esta última na qual felizmente não tem tido sucesso.

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