MPF quer a condenação de policiais civis que atuaram no Doi-Codi

O Ministério Público Federal quer modificar a sentença da juíza Diana Burnstein, da 7ª Vara Federal Cível de São Paulo, que deixou de aplicar decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ela julgou improcedente ação civil contra três policiais civis acusados de torturas e mortes no Doi-Codi.

O MPF entrou com recurso no Tribunal Regional Federal da 3ª Região contra Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araújo e Dirceu Gravina — os dois primeiros aposentados e o terceiro ainda na ativa. Eles são acusados de responsabilidade civil por torturas e mortes durante os anos de chumbo da ditadura militar.

De acordo com o MPF, os três policiais usavam os codinomes de capitão Ubirajara, capitão Lisboa e JC enquanto praticavam torturas nas dependências do órgão de repressão. Eles teriam sido reconhecidos por várias vítimas ou familiares em imagens de reportagens veiculadas em jornais, revistas e na
televisão.

O MPF pede o afastamento e a perda dos cargos ou das aposentadorias de três delegados da Polícia Civil paulista que participaram diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimentos forçados e homicídios, a serviço e nas
dependências de órgãos da União, durante o regime militar (1964 -1985).

A sentença da juíza é de março de 2011. Ela baseou-se na validade da Lei de Anistia e considerou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ainda não havia se pronunciado sobre o caso brasileiro de omissão quanto à responsabilidade das violações aos direitos humanos perpetradas durante a ditadura militar.

Para a juíza, não cabe à Justiça Federal de primeira instância discutir questões de direito internacional. “As decisões proferidas pela Corte Internacional de Direitos Humanos sujeitam-se às regras firmadas em tratado internacional, competindo aos Estados signatários as providências convencionais de seu cumprimento, operando-se aí mecanismos de Direito Internacional”, disse a juíza.

A apelação também contesta a afirmação da juíza de que a Lei da Anistia afasta a tese da responsabilização civil por ato ilícito. “Na verdade ocorre exatamente o contrário. As responsabilidades civil, penal e disciplinar convivem de maneira independente no ordenamento jurídico pátrio”, diz a procuradora da República.

“A não responsabilização das graves violações ocorridas no Brasil impede a conclusão da transição à democracia e a consolidação do Estado de Direito. Certamente, dar um basta a essa intolerável inércia é de interesse de toda a coletividade”, aponta a procuradora da República.

 

Delegado Ari Carlos disse:
11 de julho de 2011 às 20:05

Em que pese a gravidade dos atos praticados por torturadores na época do chamado "regime militar", cujos atos são abomináveis e seus autores, indivíduos imorais e indignos de qualquer anistia ou idulto, a verdade é que se assim agiram, o fizeram sob ordem ou sob a indiferença de autoridades superiores (secretário de segurança e governador).
Chama a atenção, o fato do MPF revelar interesse única e exclusivamente na responsabilização dos autores diretos das nefastas práticas, deixando de lado ou fechando os olhos, para os autores intelectuais, que tinham na polícia, instrumento para a realização de seus escusos interesses políticos. Neste sentido, aliás, merece ser dito que apesar do regime militar haver, em tese, acabado, a prática de utilizar a polícia como instrumento particular para a realização de vontades políticas ainda continuam em pleno vapor. A diferença é que na época, pelo menos, a polícia era melhor remunerada.

Delegado Ari Carlos disse:
11 de julho de 2011 às 20:05

Em que pese a gravidade dos atos praticados por torturadores na época do chamado "regime militar", cujos atos são abomináveis e seus autores, indivíduos imorais e indignos de qualquer anistia ou idulto, a verdade é que se assim agiram, o fizeram sob ordem ou sob a indiferença de autoridades superiores (secretário de segurança e governador).
Chama a atenção, o fato do MPF revelar interesse única e exclusivamente na responsabilização dos autores diretos das nefastas práticas, deixando de lado ou fechando os olhos, para os autores intelectuais, que tinham na polícia, instrumento para a realização de seus escusos interesses políticos. Neste sentido, aliás, merece ser dito que apesar do regime militar haver, em tese, acabado, a prática de utilizar a polícia como instrumento particular para a realização de vontades políticas ainda continuam em pleno vapor. A diferença é que na época, pelo menos, a polícia era melhor remunerada.

João Ricardo 1 disse:
11 de julho de 2011 às 20:43

O MPF fica se preocupando com fatos acontecidos há 40 anos e que foram objeto de anistia, enquanto a roubalheira aos cofres públicos federais atinge níveis assombrosos e ele nada faz.

HERMAN disse:
11 de julho de 2011 às 21:11

OS ATOS DE TORTURA QUE MEDEIAM OS ANOS 70 A 80 ERAM DE CONHECIMENTO, QUANDO NÃO, ACOMPANHADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO QUE TUDO ASSENTIRAM. NÃO COMUNGO COM ATOS DESUMANOS E INJUSTOS, MAS INDAGO O PORQUE DE NÃO TRAZER À RESPONSABILIDADE OS FISCAIS DA LEI QUE ATUAVAM NA ÉPOCA. É FATO QUE ALGUNS MEMBROS DO MP SÃO CAPAZES DE ACOBERTAR CRIMES, QUANDO ACREDITAM QUE DELES PODEM SE BENEFICIAR.

J.Koffler - Cientista Jurídico-Social disse:
12 de julho de 2011 às 08:03

A "caça às bruxas", a partir de 2003 (início do "reinado" petista), incrementou-se em níveis inimagináveis, o que já era de se esperar. Trazem-se a presente episódios hediondos daquela nebulosa época, mas deixam-se passar - como bem destaca JR62 (outros) -e esquecem-se, ou melhor, relegam-se as roubalheiras e agressões de toda espécie, perpetradas neste mais nebuloso período, "nunca antes visto neste país".
*
É a prática espúria dos dois pesos e das duas medidas que, sob a atual batuta governamental, tornou-se "usos e costumes". Pelo visto, parece que não há outra coisa a se fazer no MPF, a não ser remoer o passado; o presente e o futuro parecem não existir na agenda de certos órgãos que hoje comandam nossa castigada pátria.
*
Não se trata de concordância ou discordância com certas práticas nada louváveis daquela época, mas sim, de espezinhar, de maneira revoltante, algo que já está morto e enterrado. Posto que, afinal, se abusos houve (como efetivamente assim o foi), ambas as partes os praticaram, sendo que uma em defesa da nação e da soberania, enquanto a outra, de maneira anárquica, intentava a imposição de uma deprimente e nefasta ideologia que logo se auto-consumiu em seu próprio veneno, ratificando seu caráter sórdido e egocêntrico.
*
Mais a mais - e isto deveria de ser de conhecimento do MPF -, em todo e qualquer conflito belicoso, abusos fazem parte da índole do ser humano, seja qual for o lado para o qual estejam lutando; isto é insofismável. Destarte, querem crucificar? Façam-no para ambos os lados, ou então, calem-se - ou melhor, voltem-se para a escancarada enxurrada de escândalos que hoje corroem a nação.

Leonardo A. Innocente disse:
12 de julho de 2011 às 09:37

Se os três policiais foram reconhecidos por alguns que afirmam terem sido torturados, temos diversos reconhecidos "terroristas" no Poder, ou fora dele, que abertamente declaram na mídia suas ações, até pilheriando: na TV, um "cara-de-pau" disse: "expropriamos" alguns bancos... para fazer caixa no nosso "movimento"... Haja cadeia para tantos assemelhados!...

Sérgio disse:
12 de julho de 2011 às 13:46

Será que só um dos lados torturou e matou?E os crimes de tortura,roubo,assaltos,assassinatos,sequestros e outros praticados pelo outro lado.Jamais defendo ou defenderia crimes de tal natureza, mas quero crer que ambos os lados os praticaram, e a guerriha foi mais além nesta estúpida guerra para se implantar o regime daquela velha caquética e assassina.E segundo notícia dos próprios jornais,esses guerrilheiros hoje estão no poder.Porisso isso me cheira a mais pura retaliação.

Mig77 disse:
12 de julho de 2011 às 20:30

"O MPF fica se preocupando com fatos acontecidos há 40 anos" (outro)...de espezinhar, de maneira revoltante, algo que já está morto e enterrado"..."sendo que uma em defesa da nação e da soberania, enquanto a outra, de maneira anárquica..."
Vejo esses comentários mais movidos pela revolta contra o que os Petistas estão fazendo, e aí eu concordo, porque roubalheira explícita como essa eu nunca vi,do que à luz da razão.Silencia a sociedade hipócrita, que viu, COM ARMAS, os militares TRAIDORES DA PÁTRIA a mando da direita interessada e de forças alem-mares, MACULADORES da imagem das Forças Armadas, ORGULHO DO POVO BRASILEIRO,tomarem das mãos do povo, À FORÇA, o poder conseguido nas urnas, pelo voto direto.Torturaram, perseguiram e assassinaram brasileiros de várias bandeiras ideológicas mas de uma só bandeira cívica.É IMPOSSÍVEL ENTENDER UM SÓ BRASILEIRO QUE QUEIRA ESQUECER ESSE EPISÓDIO.A Anistia veio para beneficiar os que sabiam que seriam cobrados "mais tarde".Na época, emplacou, mas agora chegou o "mais tarde"Essa ferida não cicatrizou, e não cicatrizará até que os traidores da pátria sejam colocados no banco dos réus.
1.968 ainda não acabou para quem queria liberdade para este país.Alguns debandaram, corromperam-se.Outros não.A crítica ao PT, a que me alio, não pode ser maior do que os fatos que aconteceram naquela época.PT é só um partido.Volátil.Torto.Só um partido político.
Pátria é outra coisa.Muito acima de paixão partidária.
Quem financiou, mandou, torturou, assassinou brasileiros patriotas tem que pagar.E muito caro!!!
É IMPOSSÍVEL ENTENDER UM SÓ BRASILEIRO QUE QUEIRA ESQUECER ESSE EPISÓDIO...

J.Koffler - Cientista Jurídico-Social disse:
13 de julho de 2011 às 08:30

Caro Mig77 (Publicitário): É até compreensível e louvável sua defesa apaixonada da pátria e seu discurso "politicamente correto", mas com todo respeito, não possui fundamento suficiente que o sustente. A um, porque para criticar com convicção e segurança, não basta conhecer os fatos através das diversas correntes e fontes, ora em favor, ora contra estes. É necessário (quando possível, obviamente) que se os vivencie, "ao vivo e em cores" - caso deste missivista, no tema em tela.
*
Claro que usamos ponderar, por exemplo, os fatos horrendos do nazismo, mas nunca o poderemos fazer em suas minúcias se não o vivemos e participamos deles, posto que, em assim agindo, ou estaríamos repetindo algum relato escrito, ou tecendo elucubrações sem base científica. Isto é insofismável.
*
A dois, porque é completa falácia (fruto da provável falta de vivência dos fatos) sua afirmação "militares TRAIDORES DA PÁTRIA a mando da direita interessada e de forças alem-mares, MACULADORES da imagem das Forças Armadas", que apenas denota paixão sem razão e com inversão de valores, posto que foram as esquerdas que promoveram a arruaça generalizada em nome (estas sim) dos então "líderes" comunistas "além-mar", Fidel e Che, dois ególatras que sucumbiram estrondosamente (assim como sua "pátria-mãe", a decadente ex-URSS), deixando vestígios claros da destruição social que promoveram (vide a depauperada Cuba e a prostituída Rússia) com sua deprimente "ideologia". Se tão boa fosse dita "ideologia", certamente que já teria vingado em seus esforços hegemônicos.
*
Não macule, por favor, a límpida estirpe dos militares apenas em razão de meia dúzia de indivíduos que sequer faziam parte das Forças Armadas. E leia melhor o final do meu texto anterior, que é assaz explicativo.

Mig77 disse:
13 de julho de 2011 às 12:52

Caro Jkoffler (Cientista Jurídico-Social)
Em 1.968 vi e senti na pele o horror do poder conquistado pelas armas.Asseguro que o que vi eram antes de mais nada nacionalistas convictos.Havia comunistas sim.Mas e daí?Hoje qualquer comunista de carteirinha pode vir a ser presidente do Brasil e se tiver o Congresso na mão então poderá implantar alguns pilares do comunismo.Tomara que isso não aconteça...Vi e ouvi relatos de amigos presos e torturados, um deles carrega em sua cabeça marcas de uma bala quase suicida, mãe e filha torturadas e violentadas no calabouço.Indigno-me quando vejo que alguns brasileiros, não se sentem devedores,dos que lutaram na época contra o violento e ilegítimo golpe de estado implantado a mando de terceiros interessados.Quando vejo as fotos dos guerrilheiros da época, em nada parecem com as dos bandidos que vejo hoje nos jornais.São diferentes, não eram traficantes, latrocidas, estupradores.Eram professores, médicos, engenheiros, sociólogos, advogados.Algo diferente, não!!!Não pareciam perigosos.Não pareciam que detinham um arsenal.Não pareciam preparados para a guerra.O que amedrontava a direita eram seus ideais.Estes sim, assustavam muito os poderosos.Que bobagem.Eram só ideais.Hoje o voto resolve isso.Gostaria, em sonhos, que a direita, soltasse suas amarras históricas de consciência e refletisse sobre as consequencias que a ditadura trouxe para este país.Hoje não está bom, mas como disse, não podemos confundir partido político com pátria.Eles (partidos) vão e vem.Pátria não.É uma só.E foi usurpada e ultrajada por brasileiros traidores que hoje, ainda emprestam seus nomes para avenidas, ruas.

J.Koffler - Cientista Jurídico-Social disse:
13 de julho de 2011 às 14:43

...e por respeito ao histórico princípio do contraditório e ao caráter democrático do debate, não há mais o que se falar. Você permanece com sua convicção e eu com a minha - que, decididamente, sequer chega a aproximar-se da sua, posto que eu não "vivi" a revolução; muito mais que isso e com verdadeira honra, participei dela ativamente (óbvio que do lado que considerei e considero justo e legalista) e de nada me arrependo.
Se a sua visão é essa, respeito-a e aplaudo sua coragem em defendê-la; pelo menos, isso. O resto, fica ao encargo dos seus conhecimentos, convicções e consciência.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.