"Os magistrados do Rio de Janeiro reafirmam que, apesar do forte impacto, não deixarão de cumprir sua missão constitucional de combate incessante ao crime organizado." A declaração é da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), ao divulgar nota de pesar, comunicando o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo (RJ). A Associação dos Magistrados Brasileiros também se manifestou junto com a Amaerj. A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) e a OAB também criticaram o fato de o Estado praticamente não oferecer segurança aos magistrados em geral.
A Amaerj convocou todos os juízes e desembargadores para o enterro. A pedido da associação, o Tribunal de Justiça do Rio disponibilizou um ônibus para levar os colegas ao enterro da juíza.
Patrícia Acioli, de 47 anos, foi morta a tiros na madrugada dessa quinta-feira (11/8). Ela dirigia seu carro e se aproximava da entrada do condomínio onde morava, na região oceânica de Niterói, quando foi atacada. Ela estava sem seguranças. Patrícia estava ao volante de seu Fiat Idea quando foi surpreendida por homens com toucas ninja, em duas motos e dois carros. Eles dispararam ao menos 15 tiros de pistolas calibre 40 e 45 contra a juíza, que morreu no local. A Polícia espera encontrar pistas em imagens gravadas pelas câmeras de segurança da portaria do condomínio. O enterro da juíza será em Niterói, às 16h.
A Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro vai investigar o assassinato da juíza. A determinação partiu do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que atende a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso. Em nota, o presidente do STF repudia o assassinato da juíza e pede a apuração rápida do crime. "Crimes covardes contra a pessoa de magistrados constituem atentados à independência do Judiciário, ao Estado de direito e à democracia brasileira. A preservação do império da lei em nosso país exige a rápida apuração dos fatos e a punição rigorosa dos responsáveis por este ato de barbárie", declarou.
Em nota conjunta, os presidentes da AMB e da Amaerj, desembargadores Nelson Calandra e Antonio Cesar Siqueira, respectivamente, afirmam que "a magistratura nacional empenhará incessantes esforços na resolução desse crime e na punição dos culpados. Outrossim, os magistrados brasileiros nunca se curvaram e nem se curvarão a qualquer tipo de ameaça a sua atuação profissional".
"A juíza Patrícia, que já tinha tido o seu carro metralhado anteriormente, já havia recebido uma série de ameaças e mesmo assim não tinha qualquer segurança a sua disposição", afirmou a Ajufe.
O presidente da Ajufe Gabriel Wedy, em nota, afirmou que, no ano passado, "dezenas de juízes federais que julgam o narcotráfico internacional e o crime organizado também foram ameaçados em decorrência de suas atividades, estando potencialmente vulneráveis à violência todos os magistrados federais que exercem jurisdição criminal".
O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou que o crime "foi uma barbaridade contra um ser humano e, sobretudo, contra Justiça brasileira e o Estado de Direito". Ophir afirmou ainda que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deve explicações para o fato de ter sido retirada a escolta pessoal da juíza, que era conhecida por seu rigor na atuação contra grupos de extermínios formados por policiais militares e, em consequência, integrava listas negras de marcados para morrer.
"Ceifaram a vida de um magistrado, e não podemos, efetivamente, retornar aos tempos das trevas, conviver com esse tipo de reação, esse tipo de selvageria que agride a Justiça, agride o Estado de Direito", disse o presidente nacional da OAB ao exigir rigorosa apuração do crime e punição dos culpados.
A OAB do Rio de Janeiro também divulgou nota de solidariedade à família da juíza além de se manifestar no sentido de que haja a "cabal apuração dos fatos e a punição exemplar dos culpados de um crime que atinge os fundamentos do Estado".
Na nota, assinada pelo presidente da OAB fluminense, Wadih Damous, a seccional "alerta ainda, uma vez mais, para a necessidade de se dar prioridade absoluta ao desmantelamento completo das milícias, verdadeiras máfias que, na área da segurança pública, representam a maior ameaça à construção de uma sociedade democrática e do Estado de Direito".
A Associação Nacional dos Procuradores de República (ANPR) também lamentou a morte da juíza. O presidente da ANPR, Alexandre Camanho de Assis, procurador regional da República, afirmou: Inúmeros procuradores da República em todo o país sujeitam-se cotidianamente a ameaças, pressões, exposições e intimidações, sem que uma eficiente segurança orgânica seja levada a cabo. O abrandamento do rigor com que o crime organizado precisa ser enfrentado, a falta de serviços e verbas próprios à proteção dos magistrados do Ministério Público e do Judiciário e a hesitação em adotar decisivos marcos legais de repressão à criminalidade são fatores que estimulam atentados contra quem dedica suas vidas a dar, mediante um infatigável combate ao crime, permanente segurança à sociedade.
Para a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), “a morte prematura da juíza… expõe as más condições de trabalho e a insegurança para o exercício da judicatura”. No entanto, em nota de pesar, a Amagis declarou que “nada disso acovardará a magistratura, especialmente, na dedicação ao combate ao crime”.
O presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso, também lamentou a morte da juíza Patrícia. Em comunicado, D’Urso disse que “a advocacia está consternada diante do cruel assassinato” da magistrada, “que morreu por ser vocacionada, independente e por aplicar a lei contra os grupos de extermínio”. E completa: “Neste momento de dor é fundamental que a sociedade brasileira e a família forense se unam num esforço para combater o crime organizado e o narcotráfico e toda a violência que geram”.
A Associação Nacional dos Membros do Minsitério Público (Conamp), por meio de nota, exigiu celeridade na apuração do crime e na busca pelos culpados. A entidade disse que espera medidas urgentes “para resguardar a integridade física e a vida dos magistrados, promotores e procuradores e de seus respectivos familiares”.
Segundo a Conamp, “infelizmente, casos de ameaças, atentados e assassinatos de membros do sistema judicial brasileiro são comuns. Essa realidade é inaceitável, principalmente, porque esses profissionais são alvo de organizações criminosas no exercício de sua função constitucional de garantir o cumprimento das leis e a efetividade do estado democrático de direito no país. Preservar a segurança e valorizar o trabalho de magistrados, promotores e procuradores é dever do Estado”.
Leia a nota da Amaerj
É com imenso pesar que a AMAERJ comunica o falecimento da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, em covarde ação de meliantes nesta madrugada. A Associação convoca todos os magistrados para o enterro que será realizado no cemitério do Maruí, localizado no bairro Barreto, em Niterói, às 16h.
Os magistrados do Rio de Janeiro reafirmam que, apesar do forte impacto, não deixarão de cumprir sua missão constitucional de combate incessante ao crime organizado.
Leia a nota do presidente do Supremo:
Em nome do Supremo Tribunal Federal, do Conselho Nacional de Justiça e do Poder Judiciário, repudio o brutal assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli. Crimes covardes contra a pessoa de magistrados constituem atentados à independência do Judiciário, ao Estado de direito e à democracia brasileira. A preservação do império da lei em nosso país exige a rápida apuração dos fatos e a punição rigorosa dos responsáveis por este ato de barbárie.
A juíza Patrícia Lourival Acioli deixa uma lição de profissionalismo, rigor técnico e dedicação à causa do direito. Que esse exemplo sirva de consolo a seus familiares, a quem encaminho minha solidariedade e sinceras condolências.
Ministro Antonio Cezar Peluso
Presidente do STF e do CNJ
Leia a nota da Ajufe
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifesta integral solidariedade neste momento de dor e consternação à família, colegas e amigos da exemplar juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, mártir da magistratura no combate ao crime, que, foi assassinada brutal e covardemente a tiros na localidade de Timbau, em Piratininga, Niterói-RJ.
Foram disparados pelo menos 16 tiros de pistola calibres 40 e 45 contra a magistrada, sendo oito diretamente no vidro do motorista. Ela era um dos 12 nomes de uma “lista negra” marcada para morrer, encontrada com um suspeito de tráfico de drogas detido no Espírito Santo, isso porque a mesma era uma juíza criminal que realizava exemplarmente o seu trabalho no combate ao narcotráfico em defesa da sociedade.
A juíza Patrícia, que já tinha tido o seu carro metralhado anteriormente, já havia recebido uma série de ameaças e mesmo assim não tinha qualquer segurança a sua disposição. No ano passado, dezenas de juízes federais que julgam o narcotráfico internacional e o crime organizado também foram ameaçados em decorrência de suas atividades, estando potencialmente vulneráveis à violência todos os magistrados federais que exercem jurisdição criminal.
Muitos juízes deixam a competência criminal com medo de serem mortos, pois o Estado não lhe dá a segurança necessária. Isso faz com que a sociedade fique a mercê, na mira desses meliantes. As polícias não possuem qualquer efetivo para dar segurança aos magistrados. O Poder Executivo e o Congresso Nacional nada fazem a respeito, além de virar as costas aos pleitos dos juízes que encontram-se com os seus direitos e prerrogativas cada vez mais vulneráveis.
Esse estado caótico, em especial, a falta de segurança, motivou uma paralisação nacional das atividades dos juízes federais no último dia 27 de abril, que mobilizou mais de 90% da carreira. O PLC 03/06 que cria a polícia judiciária vinculada ao Poder Judiciário para fazer a segurança dos juízes, e cria o órgão colegiado para julgar organizações criminosas e o narcotráfico internacional, para dar maior proteção a esses magistrados, encontra-se paralisado no Congresso Nacional por corporativismos injustificáveis. A falta de vontade política do Congresso e do Governo como sói com qualquer assunto de interesse do Poder Judiciário nos faz pensar: Quem será a próxima vítima? Os magistrados federais brasileiros exigem a apuração rigorosa do caso e a prisão destes criminosos e, em especial, respeito por parte do Poder Legislativo e Governo acerca dos direitos e prerrogativas dos juízes tão aviltadas nos últimos nove anos. A magistratura exige respeito.
Gabriel Wedy
Presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)
Leia a nota da OAB-RJ
A OAB/RJ manifesta sua mais completa indignação com o assassinato da juíza Patrícia Acioli, na madrugada desta sexta-feira. Responsável pela prisão e condenação de vários integrantes das chamadas milícias e de grupos de extermínio, Patrícia pagou com a vida seu compromisso com a Justiça.
Ao mesmo tempo em que apresenta sua solidariedade à família da juíza morta, a OAB/RJ exige a cabal apuração dos fatos e a punição exemplar dos culpados de um crime que atinge os fundamentos do Estado.
Alerta ainda, uma vez mais, para a necessidade de se dar prioridade absoluta ao desmantelamento completo das milícias, verdadeiras máfias que, na área da segurança pública, representam a maior ameaça à construção de uma sociedade democrática e do Estado de Direito.
Wadih Damous
Presidente da OAB/RJ
Leia a nota da ANPR:
A Associação Nacional dos Procuradores de República (ANPR) lamenta profundamente o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, ocorrido na madrugada desta sexta-feira, 12, e apresenta condolências a sua família, amigos e colegas de trabalho.
Morta quando chegava em casa, em Niterói (RJ), Patrícia teve o carro atingido com pelo menos 16 tiros de pistola 40 e 45. Os disparos teriam sido feitos por criminosos em dois carros e duas motos. O grupo fugiu.
A juíza —reconhecida pelo trabalho implacável no combate ao narcotráfico — sofria ameaças há mais de cinco anos. Ela estava entre os 12 nomes de uma “lista negra” marcada para morrer, encontrada com um suspeito de tráfico de drogas detido no Espírito Santo. Contudo, não dispunha de qualquer segurança à sua disposição.
Não é a primeira vez que organizações criminosas tiram a vida de um magistrado. Em 1982, após sofrer inúmeras ameaças, o procurador da república Pedro Jorge de Melo e Silva — que investigava o chamado “Escândalo da Mandioca” — foi assassinado, vítima de seis tiros, três à queima-roupa, quando saía de uma padaria, no bairro onde morava na cidade de Olinda (PE).
Inúmeros procuradores da República em todo o país sujeitam-se cotidianamente a ameaças, pressões, exposições e intimidações, sem que uma eficiente segurança orgânica seja levada a cabo. O abrandamento do rigor com que o crime organizado precisa ser enfrentado, a falta de serviços e verbas próprios à proteção dos magistrados do Ministério Público e do Judiciário e a hesitação em adotar decisivos marcos legais de repressão à criminalidade são fatores que estimulam atentados contra quem dedica suas vidas a dar, mediante um infatigável combate ao crime, permanente segurança à sociedade.
Garantir que juízes e procuradores possam desempenhar sua função constitucional de investigar, processar e aplicar penalidades a criminosos significa prover as condições necessárias para o desempenho desta importante e indeclinável atribuição. Valorizar as magistraturas do país é dever do Estado, no entanto crescentemente negligenciado: cabe a ele assegurar adequados meios de trabalho aos magistrados que atuam na esfera criminal, sob pena de a sociedade tornar-se refém da bandidagem.
A ANPR exige que o assassinato de Patrícia Acioli seja plenamente esclarecido e os responsáveis encontrados e punidos com o máximo rigor; e conclama o Conselho Nacional do Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça a discutirem, conceberem e adotarem conjuntamente uma Política de Segurança Orgânica para as magistraturas, de modo que não mais ocorram tragédias como a que hoje teve lugar.
Brasília, 12 de agosto de 2011
Alexandre Camanho de Assis
Procurador Regional da República
Presidente da ANPR
Leia a nota da Amagis
A magistratura mineira está consternada e indignada com a notícia do assassinato da juíza Patrícia Acioli, da comarca de São Gonçalo (RJ), ocorrido na noite desta quinta-feira, 11. A morte prematura da nossa colega fluminense, de méritos reconhecidos nacionalmente, expõe as más condições de trabalho e a insegurança para o exercício da judicatura. Mas nada disso acorvadará a magistratura, especialmente, na dedicação ao combate ao crime. Esperamos que os responsáveis por esse ato bárbaro sejam punidos e desejamos paz à família de nossa colega magistrada neste momento tão difícil.
Associação dos Magistrados Mineiros – Amagis
Lei a nota da OAB-SP
O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, repudiou com veemência o assassinato da juíza Patrícia Acioli, 47 anos, da 4ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, morta a tiros quando chegava em casa, em Niterói (RJ), na madrugada de quinta-feira (11/8).
“A Advocacia de São Paulo está consternada diante do cruel assassinato da juíza Patricia Acioli, que morreu por ser vocacionada, independente e por aplicar a lei contra grupos de extermínio. Neste momento de dor é fundamental que a sociedade brasileira e a família forense se unam num esforço para combater o crime organizado e o narcotráfico e toda a violência que geram”, afirmou o presidente da OAB SP.
A juíza já havia recebido ameaças anteriormente por ter decretado a prisão preventiva de seis PMs que supostamente forjaram um confronto para matar criminosos em São Gonçalo e a prisão de outros policiais militares acusados de integrarem um grupo de extermínio.
Para o presidente da OAB SP, esse crime bárbaro é uma afronta à Magistratura e à Justiça brasileira. Ele pediu às autoridades apuração rápida e punição rigorosa dos assassinos.
Leia a nota da Conamp
A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) vem a público repudiar o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, ocorrido na madrugada desta sexta-feira, dia 12 de agosto do ano fluente, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. Nesse sentido, a agressão praticada contra um membro do Judiciário, afronta o profissional que exerce o seu múnus buscando a justiça e a sociedade destinatária de seus préstimos.
A CONAMP exige celeridade na elucidação do crime e a responsabilização rigorosa de todos os envolvidos. A entidade espera ainda das autoridades competentes urgentes medidas no sentido de resguardar a integridade física e a vida dos magistrados, promotores e procuradores e de seus respectivos familiares, expostos a situações de risco em razão do cargo.
Infelizmente, casos de ameaças, atentados e assassinatos de membros do sistema judicial brasileiro são comuns. Essa realidade é inaceitável, principalmente, porque esses profissionais são alvo de organizações criminosas no exercício de sua função constitucional de garantir o cumprimento das leis e a efetividade do estado democrático de direito no país. Preservar a segurança e valorizar o trabalho de magistrados, promotores e procuradores é dever do Estado.
Brasília/DF, 12 de agosto de 2011.
César Mattar Jr.
Presidente da CONAMP"

Não é de hoje que o pais passa por momentos dificeis, justamente pela falta de comprometimento das autoridades na área de segurança pública.
O assassinato da Dra. Patricia choca a todos nós da advocacia, o que demosntra mais uma vez que alguem realmente comprometida com a aplicação da Lei tem sua trajetória interrompida por criminosos inescrupulosos que matam só pelo prazer de martar.
Aos familiares da Corajosa Magistrada desejo paz e fé, acreditamos na rapida prisão e punição dos assianos.
Para as autoridades, mando a seguinte mansagem:
Usem o dinheiro público a bem do beneficio público, segurança é uma delas.
Deixo mais uma mensagem aos responsaveis pela elaboração e aprovação das leis:
Não permitam que mais autoridades sejam mortas.
Bandido é bandido e lugar de bandido é na cadeia a lei precisa mudar, quem pordoa é Deus, lei deve ser cumprida.
Em relação à segurança dos juízes federais lembro que houve há alguns anos um fato grave, salvo engano no Estado do Paraná, quando um magistrado teve sua residência metralhada. Feitas as investigações se verificou que o "perigoso criminoso" era na verdade um deles, que acabou sendo afastado do cargo. Não me recordo de nenhum outro evento grave, considerando a violência que assola o país de ponta a ponta e atinge todas as classes sociais, envolvendo especificamente algum outro juiz federal. A violência toma conta do país, lamentavelmente, sendo que o direito de um juiz a sua integridade física é o mesmo de qualquer outro cidadão.
Os juízes não tem como "missão constitucional o combate incessante ao crime organizado". A missão é julgar com incessante imparcialidade e isenção de ânimo. "Data venia".
Caro Marcos,
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você já tinha ouvido falar das ameaças que a Juíza Patricia Acioli vinha sofrendo? Ora, há inúmeras situações que não chegam à imprensa. Eu mesmo - e creio que você não tenha motivos para duvidar - já vivi uma situação que me demandou alguns cuidados. POr sorte, não foi nem de perto algo tão grave quanto essa situação extrema que acabou por vitimar a colega. Naturalmente, ninguém ouviu falar também. Nem o meu tribunal, que não dispõe de nenhum serviço sequer para me orientar sobre como proceder. Ocorre que, a par dos riscos que enfrentamos como cidadãos (e, ao contrário do que muita gente pode pensar, em regra os juízes não têm um aparato de segurança a seu dispor), que podem me atingir como a qualquer outro, há os riscos que decorrem do estrito cumprimento do nosso dever: há as tentativas de intimidação, que chegam aos atentados em casos mais extremos. O que os juízes pretendem é que haja uma estrutura de segurança adequada a estes riscos inerentes. Se a sociedade espera julgamento independente, tem que prover ao juiz a segurança de saber que, necessitando de apoio, encontrará este apoio na Instituição.
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Agora, quer saber? Não fiquei esperando, não. Já adotei providências efetivas para reduzir meus riscos: pedi remoção da jurisdição criminal. Não vale a pena. Enquanto lá estive, ciente do meu dever, não cedi diante de nenhum receio. Mas o transtorno que isso poderia trazer um dia para a minha vida seria enorme e a minha dedicação não era de nenhuma forma reconhecida. Esse reconhecimento só acontece em caso de morte. Não faço nenhuma questão de virar nome de prédio.
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Não me peça para não lutar por essa causa. Tenho muitos amigos dedicados que precisam disso.
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Saudações cordiais,
Marcello Figueira
Prezado Marcello Enes Figueira (Juiz Federal de 1ª. Instância). Não tenho dúvidas de que a juíza assassinada e também você devem ter sido ameaçados sim, uma vez que TAMBÉM sofro reiteradas ameaças. Tive um sócio na qual o delinquente ligou em sua casa e marcou até o horário que iria assassinar toda a sua família, determinando que ele abandonasse uma ação que patrocinávamos. Falamos pessoalmente com o então Presidente da Subseção local, que não adotou uma única providência e ficou esperando ele morrer para indicar outro advogado para patrocinar a demanda. A polícia remeteu a denúncia de imediato ao arquivo, e com investigação particular meu sócio conseguiu identificar o orelhão na qual tinha sido feita a ligação, identificando-se três possíveis suspeitos. Novo arquivamento instantâneo do pedido de reabertura do inquérito (na verdade, a polícia sabia quem eram os delinquentes). Há muitos anos que tenho uma disciplina rígida com trajetos, horários e regras de segurança, vivendo quase que como em uma bolha, e sei que se alguém entrar pela porta do escritório agora, der cinco tiros na minha cabeça, tomar um café, e sair tranquilamente pela porta, ainda que tudo seja filmado e transmitido ao vivo pelas televisões do mundo todo não existirá investigação, condenação, nem nada que o valha. Enfim, a situação de permanente insegurança que vivemos NÃO É UM "PRIVILÉGIO" DA MAGISTRATURA, mas de todo e qualquer cidadão. Na verdade, a magistratura pode se dizer privilegiada já que ao menos formalmente há alguma vontade de se investigar os crimes, o que não ocorre na advocacia. Quando um advogado é assassinado, o que ocorre todos os dias, alega-se que estava "invorvido" com o crime e tudo é esquecido no dia seguinte.
O caso é simples, muda-se a lei. Permite julgamento anônimo. Pega um caso do rio e coloca um juiz de macapá para julgar, anonimamente, é pronto.
Ah, mas dirão os advogados, por meio da oab... o réu tem o direito de conhecer o se julgador, ou será que o verbo correto seria: ameaçar.
Toda vez que existe uma lei que ataca o bolso do advogdo, indiretamente por meio da onus ao criminoso, cliente do advogado, a oab dá um pulo de dois metros e diz que a questão é essencial e bla, bla, bla.
Sejam sinceros, não queremos nossos clientes presos já que são eles que pagam nossos salarios, pronto, claro assim.
Não digo que o estado deveria eliminar os direitos do reus, só equilibriar as coisas. Para que um miliciano quer saber quem o condenou, ainda mais com as quatros instancias do direito brasileiro, só se for para ameaçar.
Este papo de proteção policial é balela, quem é o juiz que quer passar o resto da vida andando com pm mal treinado 24 horas do dia na sua cola, ainda mais sabendo que alguns pm são ligados a milicia?!
Não sejamos ingenuos. Muitas pessoas ganham com o medo dos juizes e condenar os bandidos. Não só os bandidos têm interesses nestas questões.
Prezado Bob Esponja (Funcionário público). Faça um favor a si mesmo: dirija-se ao psiquiatra mais próximo e realize um bom tratamento.
Porém, me restam alguns questionamentos:
A magistrada sabia dos inúmeros inimigos. Por que não adotou as cautelas necessárias, visando protegê-la, bem como, os familiares?
Ou se tomou as providências, cadê o TRF, a Polícia Federal, dentre outros?
Só agora, depois dos acontecimentos e que determinam a investigação da Polícia Federal, o que NÃO FAZ MAIS DO QUE A OBRIGAÇÃO.
Lamentavelmente, nesta hora, TODOS querem se aparecer, tais como, o governador, o prefeito, enfim, algumas pessoas que deveríam tratar a segurança pública do Rio de Janeiro, assim como outros Estados, com maior respeito e dignidade.
Infelizmente, neste País, somos números em todas as funções e profissões.
Passou uma semana, infelizmente, cai no esquecimento, até aparecer a próxima vítima.
Elimine, exclua, estirpe, desapareça, fulmine, de um fim, um sumiço, delete, apague, enfim, faça qualquer coisa, possível e imaginável com este tal do Bob Esponja.
Este espaço é um site jurídico e espera-se que os comentaristas tenham pelo menos discernimento!!!
Bob, vá procurar a sua turma. Aliás, como funcionário público, deveria estar trabalhando, heim???
Não há palavras que possamos dizer que sirvam para diminuir a dor da família, podemos apenas pedir que Deus dê a sua proteção e a sua benção para confortar os corações enlutados. Que a Digna Juíza descanse em paz!
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Aproveito para manifestar minha indignação, como cidadão brasileiro, pela atual insegurança que vivem os brasileiros.
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Senhores Legisladores, até quando?
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Senhores "dos Direitos Humanos" até quando vão continuar considerando que a vida de um bandido vale mais do que a vida de um Humano Direito?
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É revoltante ver nossas autoridades acuadas, com medo, ameaçadas e mortas!!!
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PQP que país é esse????
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É revoltante ver nosso povo sendo vítima dessa criminalidade totalmente absurda!
O Executivo e o Legislativo têm culpa e como têm, contudo, judiciário também tem culpa, pela frouxidão com que trata bandidos como se fossem pessoas de bem. Bandidos no Brasil saem da cadeia com muita facilidade, por isso, apostam na impunidade; sabem que conseguem facilmente habeas corpus, além disso, se forem condenados, ficam pouco tempo no presídio, aí está a culpa do legislativo/executivo, compartilhada com o judiciário. Todos precisam mudar.
Ao contrário do que sustenta o Juarez Araujo Pavão (Delegado de Polícia Federal), o Brasil não trata os bandidos com frouxidão. Muito pelo contrário, a situação dos bandidos na qual o Estado já "pôs as mãos" é a pior possível. O fato é que agentes públicos, inclusive alguns delegados da polícia federal, querem transformar seus desafetos em "bandidos", embora não o sejam, enquanto a maior parte dos verdadeiros bandidos estão aí a solta sem serem importunados. Inquéritos manipulados, investigações falhas, denúncias descabidas, condenações pitorescas, tudo é motivo para a concessão de milhares de habeas corpus uma vez que a tutela penal é empregada inadequadamente para se perseguir desafetos e caluniar inocentes. Curiosamente, esse pessoal que não tem feito bem seu trabalho quer mais poder, quando a necessidade real é que os abusos sejam contidos. A população brasileira deve começar a exigir o cumprimento estrito da lei por parte dos agentes públicos, e não os eleger deputados federais (como ocorreu com um Delegado de Polícia Federal acusado de manipular um inquérito policial, que acabou anulado pelo STJ), pois se assim não for o que veremos é a criminalidade aumentando a cada dia. O crime não é combatido se concedendo mais poderes a policiais, juízes ou promotores, mas fazendo com que todos cumpra suas funções com lisura e eficiência, e não é o que temos visto.
UM GESTO HERÓICO
Aqui jaz Juíza Patricia Acioli.
Jurada de morte, mas preferiu pagar o preço da sua honestidade com a própria vida.
Pedro Cassimiro - Professor.
Prezado Marcos, você realmente tem notícias de que todo santo dia pelo menos um advogado é assassinado? Isso é assustador.
No mais, discordo quando vc diz que o risco para os juízes são os mesmos de qualquer cidadão, porque há a estratégia da intimidação.
De qualquer forma, já disse: se é assim, se os juízes não precisam nem merecem segurança institucional para o exercício da função, a melhor coisa que eu poderia ter feito, e fiz, foi pedir remoção para uma vara cível, porque eu não vou ficar passando sustos para ganhar um diploma de bom funcionário, não, mesmo.
Fico no meio termo entre a opinião do advogado Marcos e do juiz Marcello. A vida perdida de um juiz pelas mãos de bandidos, como tristemente se deu com a brava e jovem juíza do Rio, não pode ser vista com maior pesar do que a morte nas mesmas circunstâncias de qualquer outro cidadão de bem. Não há um número alarmante de assassinatos de juízes em razão do exercício da função , ao contrário, o advogado Marcos tem razão, os casos são raros, melhor seria um índice zero, por óbvio. Por outro lado, agentes do estado, juízes , defensores, promotores, oficiais de justiça, não todos, mas os que efetivamente lidam no exercício do cargo público mais de perto com criminosos perigosos e em especial os que já sofreram algum tipo de ameaça, devem ter direito a uma proteção especial.
Prezado Marcello Enes Figueira (Juiz Federal de 1ª. Instância). Jamais disse que os juízes não devem ter segurança institucional, muito pelo contrário. Quanto à questão da intimidação, isso afeta todos os profissionais indistintamente (magistrados, membros do Ministério Público e advogados) muito embora a magistratura adore fazer tempestade em copo d'água pretendendo valorizar em demasia a função. Não desprezo a dor da família da Juíza, e lamento profundamente o crime, mas na prática o que vemos é a magistratura apregoar que todo e qualquer ato na qual figura como vítima um juiz é um ato contra o estado e as instituições (e em muitos casos o são), e dizer pela mesma boca que todo e qualquer ato na qual figure como vítima um advogado se trata de "envorvimento" do profissional ou a criminalidade, ou que provocou e teve o que mereceu. A violência que domina o Brasil afeta todos nós. Em que pese vários episódios de violência contra magistrados, que devem ser coibidos com rigor, a classe na verdade é bastante privilegiada. A situação cotidiana dos demais profissionais e do cidadão comum é muito mais grave, embora não se veja a magistratura muito preocupada com isso na prática.
Exemplo da postura que a magistratura adota podemos encontrar na segurança dos Fóruns da Justiça Federal. Como se sabe somente os advogados são submetidos a uma rigorosa revista, com detectores de metais, abertura de bolsas, etc., mas com exceção dos jurisdicionados que ali comparecem para participar de audiências todos os demais entram e saem do Fórum a hora que quiserem, sem qualquer revista. Isso inclui magistrados, servidores, membros do Ministério Público, delegados e agentes da Polícia Federal, vendedores de salgadinhos, entregadores, funcionários dos correios, etc., etc. Ora, e se um juiz, servidor, delegado, ou qualquer outra pessoa que possui trânsito livre no prédio, sabendo que ali estarei desarmado, quiser me assassinar? E se algum desafeto, pretendendo o pior, pagar àquela senhora que vende salgadinhos, que entra e sai o dia todo do prédio sem qualquer revista, para transportar a arma dentro da sacola? Será como tirar um doce da boca de uma criança ou enfiar uma faca na manteiga. Mas quando a magistratura é questionada sobre essa situação batem no peito e afirma categoricamente que os único que precisam ser protegidos são os magistrados, servidores, delegados, vendedores de coxinha, e a ameaça é somente os advogados e seus clientes, embora não se tenha notícias nesta República nas últimas décadas de qualquer violência física praticada por um inscrito nos quadros da Ordem contra algum magistrado em atuação. Vê-se. Não estou dizendo aqui que os magistrados não precisam de proteção especial, mas que essa deve ser a todos na mesma situação, inclusive pessoas comuns sob ameaça (que muitas vezes tem seus pedidos judiais de proteção negados), sem preconceitos ou discriminação. Se há necessidade de revista, que seja para todos.
Tem razão os magistrados que reclamam de uma falta de proteção adequada, notadamente os que laboram nas periferias das grandes cidades ou nas regiões de fronteira. Mas, por outro lado, quando são os colegas advogados que já deixaram de agir na defesa de seus clientes ou mesmo da ordem democrática, 5, 10 ou 50 vezes, por temer ser vítima de um magistrado? Quantos não foram os que mesmo estando diante da fraude processual, da corrupção, ou de atos infamantes praticados por magistrados amargaram o silêncio? Quantas e quantas vezes um de nós não pensou antes de ingressar com uma representação na Corregedoria o que ocorreria se a filha fosse estuprada, se o carro fosse roubado, ou quando o cliente deixasse de honrar os honorários, sendo a questão submetida ao magistrado representado. A esmagadora maioria dos advogados, e da massa da população brasileira vive com medo do magistrado brasileiro. Todo sabem que com a cadeia de troca de favores o magistrado que quiser desenvolver uma vingança contra alguém o fará com total glamour, podendo levar adiante praticamente toda e qualquer espécie de conduta criminosa de forma absolutamente impune. Disparar um punhado de tiro? Nada dessa selvageria. Melhor sugerir que a vítima é "persona non grata" junto ao Judiciário e deixar que "outros" cuidem do assunto (é por isso que a esmagadora maioria dos homicídios jamais são desvendados). Atacar o patrimônio do desafeto? Ora, porque tão rápido? O dia de julgar uma ação proposta por ele, seus familiares ou amigos vai chegar e o melhor é dar um tempinho de uns quinze anos para o desafeto "remoer" que seu direito vai por água abaixo. E assim por diante. Medo, paradoxalmente, é o que a magistratura brasileira tem plantado nos últimos anos.
Carlla,
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Quem disse que a vida perdida de um juiz deve ser motivo de maior pesar do que a de qualquer outra pessoa? Ora, todos somos seres humanos e por isso iguais.
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A única diferença do atentado a um juiz, se realizado em consequência do exercício da Jurisdição, é que esta é prestada em nome e em favor da sociedade. Aquele que cala ou se vinga do juiz por ter aplicado a lei, na verdade busca calar e vingar-se da sociedade. E somente nesta medida é que há algo mais a lamentar.
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Entendido?
Caro Marcos,
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nossos pontos de vista são bem distintos. Acho e continuo achando que o risco para o juiz, quando decorrente do estrito cumprimento da função jurisdicional, distingue-o nessa medida das situações de risco dos demais cidadãos.
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Se eu envolver-me em um acidente de trânsito com alguma pessoa truculenta, posso sofrer violência como qualquer outro cidadão. Essa violência não será diferente daquela que em potencial atinge todos os demais cidadãos. Isso ocorre com a mesma frequência do que ocorre com os demais cidadãos e, sinceramente, nunca vi nada disso ser alardeado. Ao contrário, o que está efetivamente provado pelo triste fato de hoje, é que há situações graves que não são do conhecimento dos demais cidadãos. Afinal, quem sabia das ameaças que a colega vinha sofrendo?
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No mais, as tantas e tão variadas situações que você menciona não têm relação com o que acabei de defender acima. Se há esses problemas todos, são capítulos à parte. Minha mensagem foi uma resposta à sua primeira, em que você contestava a existência de ameças em número relevante e, por isso, sustentava que a violência contra o juiz é a mesma violência que assola a todos os cidadãos do país.
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Como disse, entendo que há uma distinção e creio que nisso nunca iremos concordar. Meu ponto de vista é fruto da minha experiência de juiz que atuou por seis anos em Juízo Criminal, mas também de cidadão que vive no Rio de Janeiro, sem nenhum favor especial, tendo que adotar as mesmas cautelas que os demais cidadãos. Certamente, seu ponto de vista leva em conta as suas experiências. Respeito, mas são pontos de vista inconciliáveis.
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Por fim, acredito realmente que os advogados que lidam comigo são tratados com educação, como aliás qualquer cidadão também.
Caro Marcos,
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nossos pontos de vista são bem distintos. Acho e continuo achando que o risco para o juiz, quando decorrente do estrito cumprimento da função jurisdicional, distingue-o nessa medida das situações de risco dos demais cidadãos.
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Se eu envolver-me em um acidente de trânsito com alguma pessoa truculenta, posso sofrer violência como qualquer outro cidadão. Essa violência não será diferente daquela que em potencial atinge todos os demais cidadãos. Isso ocorre com a mesma frequência do que ocorre com os demais cidadãos e, sinceramente, nunca vi nada disso ser alardeado. Ao contrário, o que está efetivamente provado pelo triste fato de hoje, é que há situações graves que não são do conhecimento dos demais cidadãos. Afinal, quem sabia das ameaças que a colega vinha sofrendo?
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No mais, as tantas e tão variadas situações que você menciona não têm relação com o que acabei de defender acima. Se há esses problemas todos, são capítulos à parte. Minha mensagem foi uma resposta à sua primeira, em que você contestava a existência de ameças em número relevante e, por isso, sustentava que a violência contra o juiz é a mesma violência que assola a todos os cidadãos do país.
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Como disse, entendo que há uma distinção e creio que nisso nunca iremos concordar. Meu ponto de vista é fruto da minha experiência de juiz que atuou por seis anos em Juízo Criminal, mas também de cidadão que vive no Rio de Janeiro, sem nenhum favor especial, tendo que adotar as mesmas cautelas que os demais cidadãos. Certamente, seu ponto de vista leva em conta as suas experiências. Respeito, mas são pontos de vista inconciliáveis.
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Por fim, acredito realmente que os advogados que lidam comigo são tratados com educação, como aliás qualquer cidadão também.
Hoje, 13 de agosto de 2011, o Correio Braziliense publicou ampla reportagem sobre a indignação do Presidente da Suprema Corte,devido ao assassinato da corajosa Juíza Patrícia Acioli, que revoltou a nação inteira.Mas há um pequeno detalhe que precisa ser esclarecido:Peluso já sabe se houve, entre os assassinos, algum que não integra a lista dos 189 criminosos que o STF mandou para cúpula de Governo para comandar o destino da nação brasileira? Mandar bandido para chefiar o povo num dia e noutro subir no palanque e dar uma de paladino da nação, não combina com a toga de um Cabeça Branca - se me empresta a expressão um americano qualquer. Já diziam os grandes que a incoerência no Direito é, na Justiça, o pior dos crimes. Fico a imaginar se, a esta hora, enquanto os germes travam feroz batalha a devorar o corpo da Juíza no cemitério, os Ministros da Corte não estão, entre um copo e outro, a festejar a Certidão de Nascimento do ex-terrorista Cesere Battisti como brasileiro naturalizado.Cá com meus botões, só mesmo repetindo o grande Bocage:
Eu não sou mais eu.
Nem sei se outrora eu poderia ter sido eu,
Tampouco saberei se um dia eu serei eu.
Mas eu não posso ser eu por que eu não fui eu.
Só sei, que eu, nunca mais serei eu!....
Pedro Cassimiro - Professor de Direito.
Com todo respeito que é merecedor o episódio da morte da juíza, todavia, só iremos corrigir as abissais distorções existentes entre advogados e juízes, com ELEIÇÕES DIRETAS JÁ PARA INGRESSO NA MAGISTRATURA! A hierarquia ovacionada na CF, não passa de letras mortas; conquanto na prática, parcela de juízes imaginavam antes que "era possível" ser Deuses, hoje, esta mesma parcela acredita que já são!
As circunstâncias em que ocorreu esse triste episódio revelam que se a vítima não fosse Juíza, ou seja, se fosse apenas uma cidadã comum, o homicídio não teria acontecido e ela estaria viva.
Em outras palavras, foi assassinada porque era Juíza e porque, no exercício da jurisdição, cumpriu com o seu dever, julgando com isenção e imparcialidade.
Este caso, com a devida vênia, não pode ser tratado como um homicídio qualquer, como tantos que lamentavelmente ocorrem todos os dias, em que as vítimas são cidadãos comuns, e as causas são as mais diversas, e sobre as quais não cabe aqui discorrer.
Parece-me evidente tratar-se de um atentado à soberania estatal, no melhor estilo "máfia siciliana". Isso é muito grave, já que o efeito intimidatório de uma barbárie dessa natureza pode colocar em cheque a independência e imparcialidade dos demais Magistrados que atuam na jurisdição criminal. Fico a imaginar como se sente o Juiz que sucederá na Vara Criminal onde atuava a Magistrada assassinada ... que segurança terá esse Juiz para decidir com independência e imparcialidade ? Li aqui nesta coluna que outros Magistrados também se sentem inseguros na jurisdição criminal e, na primeira oportunidade, pedem remoção ou transferência para a jurisdição cível. Espero que as autoridades constituídas entendam que é preciso, com urgência, adotar medidas concretas para dar segurança aos Magistrados (segurança efetiva, não apenas segurança "faz-de-conta"). É o mínimo que a sociedade espera, ou seja, que os Magistrados com jurisdição criminal tenham paz e tranqüilidade para decidir, com isenção e imparcialidade, mas isso só será alcançado se houver segurança efetiva para eles e suas respectivas famílias.
Entendido, Marcello, você em nehum momento disse isso e nem eu quis dizer que vc disse, externei o que penso, mas da maneira que escrevi ( na verdade o "meio termo" era em relação ao que escrevi depois) parecia mesmo que eu quis dizer que você disse o que na verdade você não disse.Peço perdão pelo mal entendido.
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