Jornalista conta em livro a história da presidente Dilma

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Reprodução

Dilma perante os auditores militares em 1970Chega às livrarias de todo o país, na próxima semana, o livro A vida quer é coragem (Editora Primeira Pessoa), do jornalista Ricardo Batista Amaral. A obra conta a trajetória de Dilma Rousseff, desde sua militância na resistência contra a ditadura militar nos anos 1960, até sua chegada ao Planalto, em 2010. Jornalista experiente, com passagem pelos principais órgãos de imprensa do país, Amaral foi assessor da Casa Civil e participou da campanha que levou a ex-guerrilheira à presidência da República. 

Entre os achados do jornalista em suas pesquisas está a foto histórica de Dilma Rousseff sendo interrogada pela Justiça Militar na época de sua militância contra a ditadura. A foto mostra Dilma em novembro de 1970, numa audiência da Primeira Auditoria Militar, no Rio. Ela foi levada à Auditoria, pela primeira vez naquela data, dez meses depois de ter sido presa (16 de janeiro) e submetida a 22 dias de tortura na Oban, o DOI-Codi de São Paulo.

Leia em seguida, trecho do livro, que trata da montagem da equipe de advogados para a campanha eleitoral da então candidata à presidência: 

"Dilma pediu ao ex-ministro Márcio Thomaz Bastos para organizar a área jurídica da campanha, um pouco antes da chegada de José Eduardo Cardozo. Bastos indicou o escritório do advogado Márcio Silva, que trabalhou nas duas eleições de Lula. Na proposta de trabalho que preparou para o PT, Márcio Silva comparou os cenários de 2002 e 2010: no primeiro caso, a estratégia do candidato governista (Serra) era esconder o presidente (FHC), e agora ocorria o contrário, a associação entre o presidente Lula e Dilma Rousseff era benéfica para a candidatura.

“Podemos classificar como preocupante o papel que a judicialização do processo eleitoral terá no resultado do pleito”, ele argumentou. Os advogados mais experientes previam uma enxurrada de ações judiciais por conta do apoio aberto de Lula à candidata. Desde que a emenda da reeleição foi introduzida, em 1995, o TSE vinha fazendo adaptações na minuciosa legislação brasileira. A composição do tribunal mudava a cada ano, e as interpretações do colegiado, também, muitas vezes ao sabor das pressões do momento.

A procuradora geral eleitoral naquele período, Sandra Cureau, chegou a dizer que uma representação contra Lula, por causa de um discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, “poderia levar à cassação do registro da candidata do governo”. Dilma nunca considerou essa hipótese a sério (“Não teriam coragem para tanto”, disse uma vez), mas havia o risco de que Lula fosse proibido de participar dos programas de televisão – e isso preocupava o comando da campanha.

 Além da equipe jurídica para cuidar dos assuntos habituais numa eleição (propaganda, doações, registro de candidatura, fi scalização, etc.), a campanha decidiu contratar um advogado exclusivamente para tratar das ações envolvendo o presidente Lula. Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardozo escolheram José Gerardo Grossi. Ex-ministro do TSE, Grossi tinha firmado reputação nos tribunais superiores como um cavalheiro culto e amigo leal, advogado sagaz e criminalista competente. Entre seus antigos clientes estavam o próprio Eduardo Jorge e Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central no governo FHC.

Márcio Silva escalou três jovens advogados para se revezar com ele nas sessões de julgamento no TSE: Sidney Neves, que trabalhava para o PT na Bahia, Flávio Caetano, do escritório de Thomaz Bastos em São Paulo, e Luciana Lóssio, que começava a carreira em Brasília. Para completar a equipe, Silva buscou um especialista em Direito Eleitoral, Admar Gonzaga, que tinha trabalhado para o DEM em eleições anteriores.

Até o final da campanha, os advogados de Dilma iam mover ou responder a 356 ações na Justiça Eleitoral – mais de 50 por mês, mais de duas ações por dia útil, sem contar os casos na Justiça Comum e Criminal. A batalha estava apenas começando.

 

Helbert Silva disse:
05 de dezembro de 2011 às 18:45

Por que os militares na hora da foto esconderam seus rostos. Mesmo sendo o militarismo sem a forma de governo do Brasil, eles mesmo sabiam que o sistema eram um golpe, uma ditadura, pois se não por que esconder os rosto. Quando agimos na legalidade não há por que se esconder ou tem? Hoje ainda os militares manda no país, mesmo que na calada da noite e não eram assim que eles governavam. Assim como em outros países o Brasil vive sob o dominio dos militares. Pode se mexer em tudo, menos nos milatares.

Helbert Silva disse:
05 de dezembro de 2011 às 18:45

Por que os militares na hora da foto esconderam seus rostos. Mesmo sendo o militarismo sem a forma de governo do Brasil, eles mesmo sabiam que o sistema eram um golpe, uma ditadura, pois se não por que esconder os rosto. Quando agimos na legalidade não há por que se esconder ou tem? Hoje ainda os militares manda no país, mesmo que na calada da noite e não eram assim que eles governavam. Assim como em outros países o Brasil vive sob o dominio dos militares. Pode se mexer em tudo, menos nos milatares.

huallisson disse:
05 de dezembro de 2011 às 19:01

Nunca fui petista, mas tenho minhas simpatias pela Galega.Não a amo como Lupi - até à bala -, porém sempre que a expressão "combate à corrupção" vem à baila, sua imagem repousa em minha mente.Entrementes, só depois que ler a hitória da colega economista, irei comentá-la.Por enquanto, fico a imaginar, meio século depois: "Dilma, cara a cara com seus algozes".Pedro Cassimiro - Prof. de Economia e Direito - Brasília -DF.

Helena Meirelles disse:
06 de dezembro de 2011 às 16:46

O jornalista Ricardo Amaral é um craque. Quem conheceu o trabalho dele na Veja, Folha e Globo sabe que ele não brinca em serviço e não precisa puxar saco de ninguém para fazer um bom trabalho. Ainda mais quando o objeto do trabalho é uma personagem interessante como a presidente do Brasil.

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