A expressiva vitória de Zohran Mamdani, um socialista democrata, na eleição para prefeito de Nova York transcende os limites de uma disputa municipal: ela simboliza a reafirmação dos valores democráticos, da diversidade cultural, da tolerância, do respeito à alteridade e da dignidade humana diante da retórica do ódio que, nos últimos tempos, tentou envenenar a vida pública americana.

Mamdani, o novo prefeito de Nova York
Ao eleger o primeiro prefeito muçulmano e de origem sul-asiática, embora nascido em Uganda, de sua história, a metrópole que acolheu gerações de imigrantes revive, de certo modo, o espírito do poema de Emma Lazarus (“O Novo Colosso”), gravado na base da Estátua da Liberdade : “Give me your tired, your poor, your huddled masses yearning to breathe free” (“Dai-me vossas multidões cansadas, pobres, amontoadas, ansiando por respirar liberdade”). Essas palavras, tantas vezes esquecidas ou traídas, reencontram agora sua força em uma cidade que, fiel à sua vocação universal, escolhe ser refúgio (e não obstáculo), porto (e não muro de separação)!
A vitória de Zohran Mamdani representa, ao mesmo tempo, uma contundente derrota moral e política de Donald Trump e de tudo o que sua figura passou a simbolizar : o populismo autoritário, o racismo travestido de patriotismo, o desprezo pelos vulneráveis e o ataque sistemático aos imigrantes e à verdade.
A rejeição do trumpismo nas urnas de Nova York é mais do que um repúdio a um homem (Trump) . Expressa a condenação de uma ideologia perversa, xenófoba e desumana, que tentou substituir o sonho americano por um pesadelo de exclusão e de intolerância. Ao escolher um prefeito que fala a linguagem da justiça social e da compaixão, Nova York reencontra o ideal que Langston Hughes implorava em seu poema, escrito em 1935, “Let America Be America Again” (“Deixem a América ser América Novamente”) : um país que cumpra, enfim, a promessa de acolhimento e de liberdade feita aos negros, aos pobres, aos refugiados , aos oprimidos e aos imigrantes:
“O, let America be America again —
The land that never has been yet —
And yet must be — the land where every man is free.”
(“Oh, que a América volte a ser América —
a terra que ainda nunca foi,
mas que ainda deve ser — a terra onde todo homem seja livre.”)
![]()
Há, na vitória de Mamdani, o eco distante de John Steinbeck, quando, em “The Grapes of Wrath” (“As Vinhas da Ira”), descreveu os deserdados do vento e da vida, que atravessavam estradas poeirentas em busca de um pedaço de terra e de humanidade.
Há também o murmúrio firme de Toni Morrison, escritora e professora afro-americana, laureada com o Prêmio Nobel de Literatura (1993), que advertia que a nação só se salvará se olhar nos olhos aqueles que ela exclui.
O murmúrio firme de Toni Morrison” traduz o tom profundo, quase sussurrado e ao mesmo tempo inabalável, com que ela dá voz aos silenciados , especialmente os escravizados, os exilados de sua própria humanidade, os “sem lugar” dentro da história americana.
Com seu gesto, Morrison quer evocar essa voz coletiva (baixa, contida, mas moralmente inabalável) dos que sofreram a escravidão, o exílio e a exclusão.
Com a vitória eleitoral de Mamdami , há, sobretudo, a certeza de que a democracia americana, ainda ferida, continua capaz de regenerar-se pela força do voto e pela consciência moral de seu povo.
Em tempos de fanatismo , de exclusão e de desinformação, essa vitória eleitoral constitui um ato de resistência ética. Significa um lembrete de que o humanismo ainda pode vencer o cinismo, que a compaixão é mais revolucionária do que o ódio e a ira, e que — como acreditava John Steinbeck — “a fé obstinada na bondade do homem é o último abrigo da esperança” , frase que constitui uma síntese interpretativa derivada de seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Literatura (1962).
Que alento esse texto!
Qual importância tem a expressiva vitória de Zohran Mamdani, um socialista democrata, na eleição para prefeito de Nova York? Para a população brasileira nenhuma importância. Já para a imprensa comprada...
Prezado Celso De Mello, em nada vale gritar aos ventos suas ideologias pois os fatos e provas desmontam todas as suas falas com apenas com a reportagem abaixo:
https://www.bloomberglinea.com.br/2023/05/06/para-onde-estao-se-mudando-os-nova-iorquinos-que-abandonam-a-cidade-grande/
À analise acima, ainda do ano de 2023 (hoje deve ser ainda maior) a população residente em Nova Iorque teve seu pico de migração para outros Estado devido as política públicas que o prefeito anterior estava realizando (atual prefeito que faz parte do mesmo partido do qual se elegeu), como por exemplo aumento de imposto relativo aos bens imóveis, somado ao custo de vida que também se elevou.
E por qual objetivo? Sustentar movimentos populistas que só podem e conseguem fazem com dinheiro dos pagadores de impostos, ou seja, daqueles que trabalham para tenta conquistar algo, o que à América chamam “o sonho americano”, portanto a liberdade econômica que tanto o americano exalta.
Logo, por tal circunstância e por toda agenda que Vossa Excelência mencionou, muitos tem migrado para ou lugares principalmente para Estado da Flórida, cujo, sua administração atualmente está sendo feito por um Republicano.
Assim, Nova Iorque não representa o pensamento e o sentimento americano, muito pelo contrário, que vai na contramão de tudo que escreveu, e quem vos fala sequer pisou em solo americano, todavia, ser leitor assíduo de jornais sério pelo mundo.
Portanto, Conjur e colunista deste jornal não se esqueçam que os senhores não escrevem para pessoas alienadas, mais para leitores que analisam linha por linha e entendem o viés politico/partidário que assim ficam expresso em cada coluna publicada.
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login