Polícia Federal usa grampos telefônicos apenas em 0,5% dos inquéritos

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo deste domingo (10/6) afirma que, apesar da percepção pública de que escutas são intrumentos corriqueiros no trabalho de investigação e a despeito dos recentes escândalos que trazem à tona conversas telefônicas de políticos, a Polícia Federal se serve do recurso em apenas 0,5% dos seus inquéritos. Das cerca de 100 mil investigações em andamento, apenas 500 usam escutas para apurar informações.

A reportagem também menciona o debate sobre a legalidade de algumas escutas como no caso das operações Vegas e Monte Carlo, em que os investigadores se depararam com conversas travadas com autoridades . Embora a Polícia Federal e o Ministério Público defendam a legalidade de escutas nesses termos – porque não eram os telefones das autoridades que estavam grampeados, essa não é a opinião dos criminalistas que defendem réus envolvidos em casos análogos.

Para os advogados é necessário, sim, remeter a investigação ao Supremo Tribunal Federal quando forem flagrados contatos com políticos. “Não se pode ter gravações como primeira medida de investigação, já que são medida de exceção”, disse à Folha, o advogado do senador Demóstenes Torres (sem partido – GO), Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

“Gravação telefônica é uma técnica essencial, mas as investigações não se resumem a elas”, declarou à Folha, Oslain Santana, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF. “A investigação é um conjunto de técnicas clássicas – como vigilância, interrogatórios e entrevistas – com técnicas especiais, autorizadas pela Justiça, como quebra de sigilo bancário, interceptações telefônicas, escutas ambientais e busca e apreensão”, diz o delegado.

Spartacus disse:
10 de junho de 2012 às 15:17

Duvido!

HERMAN disse:
11 de junho de 2012 às 11:48

É lamentável criar conceito fundado em mera estatística manipulável. Quem determina ou escolhe os procedimentos com necessidade de escuta? A escuta telefônica, sem dúvida, pode ser usada, ou melhor, deve ser usada em diversas oportunidades, tal como sequestro em andamento, acompanhamento de flagrante permanente etc, porém, não como devassa exploratória prospectiva e instrumento político. O estupro legal da intimidade só não é agressivo para quem nunca o sofreu. Os escritórios de “inteligência”nada mais é do que uma rede de desvio de chamadas para um mero computador comandada por maçanetas servis com relatórios chancelados por autoridade que nada lê.

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