Por considerar que a circuncisão realizada por motivos religiosos é equivalente à lesão corporal, mesmo com o consentimento dos pais, um tribunal da região de Colônia, na Alemanha, decidiu que o ato deve ser proibido. O argumento é que o direito que uma criança tem à liberdade física supera a integridade da religião e os direitos dos pais.
A polêmica ocorreu depois que um médico foi processado pela realização de uma circuncisão em um menino judeu de quatro anos que teve complicações, incluindo uma hemorragia grave, informa o site Alef News.
De acordo com especialistas, o sangramento nestes tipos de operações é normal e, no caso, foi rapidamente controlado. No entanto, os promotores locais entraram com ação contra o médico. O juiz da primeira instância garantiu aos pais o direito de decidir. Depois que a promotoria apelou, um tribunal superior garantiu o direito da criança de ser protegida contra danos corporais. Mesmo assim, o médico acabou absolvido e os promotores disseram que não vão recorrer novamente.
O presidente do Conselho Central de Judeus da Alemanha, Dieter Graumann, classificou a decisão como “algo ultrajante e insensível”, exigindo que o Parlamento Federal da Alemanha esclareça a situação do ponto de vista legal e intervenha para garantir a liberdade religiosa dos judeus alemães. Para ele, a circuncisão ritual feita por um médico ou um mohel — judeu destinado a realizar a circuncisão — é parte integrante da fé judaica, algo que vem sendo praticado há milhares de anos pelos judeus e respeitado por todos os países.

.
A circunscisão é um preceito mosaico (ou seja pasado diretamente por Deus a Moisés) e representa a aliança de Deus para com o seu Povo Eleito.
.
Para os Judeus observantes, que vivem no Antigo Testamento ainda é PRECEITO OBRIGATÓRIO, como o Batismo para os Cristãos (= Católicos).
.
Quem sabe também não venham o proibir este último também, não? Afinal, o choque térmico do fio de água no cocoruto do neném pode "traumatizá-lo" para sempre, não é mesmo!
Então quando nos referimos à retirada de clítoris na África por razões culturais é violação aos direitos humanos, mas cortar o prepúcio de uma criança para fins religiosos é tradição e tá tudo bem? E se o guri não quiser ser judeu?
Aparentemente, quando vc está no grupo abastado, tudo se justifica.
Triste comparativo Richard. Lavar a cabeça com água é diferente de mutilar.
É um preceito religioso obrigatório para uma criança totalmente indefesa que não tem como escolher muito e menos se defender.
Entendo o aspecto da tradição religiosa, mas como bem observado pelo Alexandre, noutras culturas mutilam as meninas que tornam-se frígidas por causa disto.
E em ambos os casos, sejam meninas ou meninos, mesmo que seja feita atualmente até com anestesia nalguns lugares, a criança passará alguns dias de sofrimento e dor até que cicatrize. Fora as consequências posteriores na vida dela.
Então fica parecendo que este atp "obrigatório" é porque a pessoa desde que nasce não tem direito de escolha. Interessante isto de uma cultura que lutou tanto tempo contra a escravidão de seu povo.
Concordo plenamente que isto seja feito quando o menino entrar na adolescência, pelos ritos de passagem para a idade adulta. Aí pelo menos, terá um pouquinho mais de discernimento e (quem sabe) direito de escolha.
A questão envolve um suposto direito paterno, de impor sua religião aos filhos, não apenas no campo da orientação, mas na base do bisturi, mediante marca mutilatória e definitiva. Como resultado disso, ainda que um dia o filho exerça seu direito de repudiar a religião dos pais, permanecerá com as sequelas físicas e psicológicas de uma escolha que não fez. Pedagógico é o exemplo dado pelo sr. Alexandre quando lembra as mutilações por motivos, ora morais, ora religiosos, praticados com base em outras "crenças medievais", diversas das judaico-cristãs. Melhor seria esperar o filho ter consciência e maturidade para decidir, o que é um desafio, principalmente para os mais, digamos, "tradicionalistas".
Você precisa estar logado para enviar um comentário.
Fazer login