Neves Amorim deixa CNJ e aponta conciliação para desafogar Judiciário

Encerra-se nesta quarta-feira (14/8) o mandato de José Roberto Neves Amorim, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, como integrante do Conselho Nacional de Justiça. Entre suas funções no CNJ, o desembargador participou da capacitação de advogados, servidores e juízes para práticas de conciliação. A medida permite que demandas menores sejam resolvidas em ambientes de menor conflito, deixando para os tribunais as causas que necessitam de avaliação do juiz.

Coordenador do Movimento Conciliar é Legal, ele admite que o rumo está correto, mas o objetivo ainda está distante. Em sete anos, foram 900 mil acordos fechados. Ele acredita que, se o número é alcançado com esforço concentrado durante uma semana por ano, a transformação em política constante impulsionará a prática e pode desafogar o Judiciário.

Na avaliação de Amorim, entre as ações para disseminar a cultura de mediação e conciliação, estão as semanas nacionais de conciliação e os mutirões, coordenados por tribunais estaduais e federais e que analisam casos de determinadas áreas. O desembargador Neves Amorim diz que a I Conferência Nacional de Conciliação e Mediação, promovida na primeira semana de agosto, permitiu a troca de experiências com especialistas da Europa e Estados Unidos.

A partir de agora, Amorim diz que é possível pensar em adaptar os modelos bem-sucedidos à realidade brasileira. No entanto, a obrigação da busca por um acordo em todos os processos passa pela capacitação dos agentes.

Citando o aumento na participação da população em mutirões de conciliação, ele lembra que o acordo prevê que os dois lados cedam. Essa é uma das razões que justificam a necessidade de estudo e conhecimento de técnicas por parte dos conciliadores. Entre as funções de quem atua como conciliador, está evitar prejuízo à parte mais fraca.

O sucesso na mudança cultural pode fazer, continua o desembargador, com que os tribunais sejam acionados apenas nos casos em que isso é necessário, e não em todos os conflitos que ocorrem na sociedade. Segundo sua avaliação, 60% dos casos levados à Justiça poderiam ser resolvidos através da conciliação e mediação. 

Mesmo com a Escola Nacional de Mediação e Conciliação e com 3,5 mil magistrados recebendo treinamento nas técnicas, o desembargador Neves Amorim defende que as faculdades e universidades também adotem esse caminho. Ele lembra que muitas instituições já trabalham com métodos alternativos de resolução de conflito, citando as faculdades de Direito da Universidade de São Paulo e da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

analucia disse:
13 de agosto de 2013 às 21:38

nas faculdades os professores advogados são contra conciliação, pois querem que alunos ajuizem ações judiciais no Núcleos de Prática, afinal querem manter mercado de trabalho.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.