O presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, defendeu nesta quinta-feira (14/8) uma mudança na mentalidade dos magistrados para buscar meios alternativos de resolução de conflitos.
*Da esquerda para a direita: João Ricardo, Lewandowski e Ideli Salvatti
O ministro abordou o tema após assinar com o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), João Ricardo Costa, e representantes de diversas instituições o Protocolo de Cooperação para a difusão da Justiça Restaurativa em todo o país. Criada há dez anos, a prática busca solucionar, de forma alternativa, situações de conflito e violência, mediante a aproximação entre vítima, agressor, suas famílias e a sociedade, na reparação e na conciliação dos danos causados por um crime ou infração penal.
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, também esteve presente na cerimônia, demonstrando o apoio da pasta ao projeto. A ministra disse que a iniciativa da AMB é importante por movimentar toda uma rede de atendimento, e não só o Judiciário.
Citando o filósofo e historiador italiano Norberto Bobbio, Lewandowski disse que na transição entre os séculos XX e XXI o mundo passou a viver a era dos direitos, com o Poder Judiciário assumindo papel fundamental. “O século XXI é o século do Poder Judiciário, em que a humanidade, bem como o povo, o homem comum, descobriu que tem direito e quer efetivá-lo”, afirmou.
Ele alertou que essa mudança trouxe consigo um aumento expressivo no volume de demandas judiciais. “É um problema que o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos chamou de explosão de litigiosidade. Só no Brasil nós temos quase cem milhões de processos em tramitação para apenas 18 mil juízes, dos tribunais federais, estaduais, trabalhistas, eleitorais e militares”, afirmou. Para o ministro, os magistrados, diante desse contexto, devem buscar outras formas para a solução dos conflitos sociais, como mediação, conciliação, arbitragem e Justiça Restaurativa.
“Para que nós possamos dar conta desse novo anseio por Justiça, dessa busca pelos direitos fundamentais, é preciso mudar a cultura da magistratura, mudar a cultura dos bacharéis em Direito, parar com essa mentalidade, essa ideia de que todos os conflitos e problemas sociais serão resolvidos mediante o ajuizamento de um processo”, declarou.
Segundo o presidente do CNJ, é necessário que hoje o juiz tenha não apenas a inteligência técnico-jurídica, conhecimento do processo e do Direito. “Ele precisa ter inteligência emocional ou, mais do que isso, a sensibilidade social, porque, afinal de contas, a grande missão hoje do Poder Judiciário é dar concretização aos direitos sociais e garantir a paz social”, declarou.
Lewandowski afirmou que o CNJ dará total apoio à difusão da Justiça Restaurativa. O presidente da AMB, João Ricardo, agradeceu ao apoio e destacou que o projeto representa uma nova fase diante da necessidade de enfrentar a grande litigiosidade nos tribunais e disseminar a cultura da paz. Atualmente, quase 100 milhões de processos tramitam no país.
O termo de cooperação tem o respaldo da Lei Federal 12.594/2012, que prioriza medidas restaurativas no âmbito da Justiça Juvenil, e da Resolução 125/2010 do CNJ, que prevê a introdução das práticas da Justiça Restaurativa no Sistema de Justiça Brasileiro. Com informações das Assessorias de Imprensa da AMB e do CNJ.
| Entidades que assinaram o protocolo de cooperação |
|---|
| Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) |
| Conselho Nacional de Justiça (CNJ) |
| Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude (ABRAMINJ) |
| Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul e Escola Superior da Magistratura (Ajuris/ESM) |
| Associação Palas Athena |
| Associação Paulista da Magistratura (Apamagis) |
| Associação Terre Des Hommes (TDH) |
| Departamento Penitenciário Nacional (Depen) |
| Escola Paulista da Magistratura (EPM) |
| Fórum Nacional da Justiça Juvenil (Fonajuv) |
| Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH) |
| Secretaria da Reforma do Judiciário (SRJ) |
| Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) |
| Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) |
| Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) |

Para mim, quem deveria buscar a solução extrajudicial dos conflitos são as PESSOAS! Mas com 1 milhão de advogados na praça precisando de trabalho, qualquer coisa é judicializada no Brasil, especialmente porque o acesso ao Judiciário é facilitado pela justiça gratuita (demandas sem risco). Este círculo vicioso só tende a piorar e não a melhorar. Já são 100 milhões de ações. Um recorde mundial.
o próprio governo federal não aceita mediação para violência doméstica, mas muitas vezes a mulher quer morar novamente com o agressor, ou seja, há uma distância grande entre o que fazem e o que dizem....
Tem muito trabalho?
Serviço público essencial é assim.
Quem não quer atender a população, peça demissão.
Esse mundo ideal, de receber bem e fazer quase nada parece não existir ou, talvez, ficar restrito a pouquíssimos casos possíveis.
Qual artigo da Constituição Federal diz que o juiz deve "buscar formas alternativas de solução de conflitos"? Em qualquer outro país civilizado somente essa declaração estapafúrdia do Ministro, isoladamente, seria motivo para o seu fim na vida pública. Aqui, "é tudo normal".
Poucas vezes concordo com o MAP. Mas esta é uma delas.
Com a exceção da conciliação, qual nome determina que se busque soluções alternativas para a solução de conflitos? E mais, não seriam as pessoas e, primeiramente, os advogados que são justamente aqueles que tem o contato mais próximo, que deveriam buscar estes métodos alternativos.
O grande problema é que a cultura de judicialização, de transferência de responsabilidade (é sempre o outro que é responsável, é sempre ooutro que deve decidir a minha vida) faz as pessoas esquecerem que elas são as responsáveis pelo seus próprio destino.
Nós termos um problema cultural de solução de conflitos, não jurídico. Por mais que o Poder Judiciário tenha certo descrédito perante à sociedade, ainda hoje as pessoas acreditam no mito da Julgador, na sua infalibilidade, na sua capacidade de ser o oráculo que dará o caminho certo. Acreditam até o momento da sentença, quando descobrem que seus interesses não foram tutelados e que se tivessem buscado compor o litígio teria melhores consequências.
...advogados, de uma maneira geral, têm horror a este assunto. Fogem dele como o diabo da cruz. É o medo de perder mercado, pois nada é mais fácil que redigir uma inicial qualquer e jogar no sistema (nem ao Fórum precisam ir mais...). Não têm, em sua grande maioria, a visão de advocacia preventiva ou advocacia conciliatória, como nos Estados Unidos. O negócio aqui é litigar... Isto tem muito a ver com o distorcido sistema de dupla remuneração que existe (honorários contratados + sucumbenciais).
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