Ex-ministro Márcio Thomaz Bastos morre aos 79 anos em São Paulo

Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos morreu na manhã desta quinta-feira (20/11), aos 79 anos. Ele estava internado desde terça-feira (18/11) para tratar de problemas do pulmão no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. 

O velório está marcado para começar a partir das 15h na Assembleia Legislativa de São Paulo. O corpo será cremado nesta sexta-feira (21/11).

Thomaz Bastos já teve câncer e por consequência da doença tirou um dos pulmões. Nos últimos dias estava com pneumonia e apresentava tosse e um pouco de fraqueza.

Na última semana, o ex-ministro fez uma viagem para os Estados Unidos, para atender um cliente que estava preso em Miami e, na volta, apresentou um quadro de embolia, que chegou a afetar seu coração. Ele estava num ritmo acelerado de viagens, o que teria comprometido ainda mais a sua saúde. 

Trajetória
Considerado um dos principais nomes da advocacia criminal do país, Márcio Thomaz Bastos foi ministro da Justiça entre 2003 e 2007 durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele era formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) na turma de 1958, foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo entre 1983 e 1985 e do Conselho Federal da OAB de 1987 a 1989. 

Ultimamente, o advogado optou por enxugar a estrutura do seu escritório, passando a atuar com bancas parceiras como a de Arnaldo Malheiros filho, Pierpaolo Cruz Bottini, Celso Sanchez Vilardi e José Diogo Bastos Neto. Com eles, Thomaz Bastos dividia a atuação em grandes casos como o da Ação Penal 470, o processo do mensalão.

No mensalão, Bastos defendeu o ex-dirigente do Banco Rural José Roberto Salgado, condenado a 14 anos e 4 meses de prisão. 

Bastos começou a escrever um livro de memória, contando casos da advocacia criminal. Não chegou a terminá-lo. 

Livia Scocuglia

é editora da revista Consultor Jurídico.

PAULO FRANCIS disse:
20 de novembro de 2014 às 10:05

Foi um dos mais brilhantes oradores que conheci. Seus discursos eram maravilhosos. Foi um Presidente da OAB-SP exemplar e também do CONSELHO FEDERAL.
Advogado talentoso no Juri. Trabalhei junto com ele em um único processo crime. Era fantástico. Sinto muito.

Luiz Carlos de Oliveira Cesar Zubcov disse:
20 de novembro de 2014 às 10:52

Uma baixa nas trincheiras do poder.
Um dos principais responsáveis pelo repulsivo método investigativo: PRENDER PARA INVESTIGAR.
A morte não tem o poder de transformar pecadores em santos!

Leônidas Scholz - Advogado Criminal disse:
20 de novembro de 2014 às 12:41

Dr. Márcio, meu primeiro Mestre. Meu grande Mestre. Extraordinário advogado. Exímio criminalista. Ser humano, em um de suas clássicas expressões, de "densidade e espessura" excepcionais. Amigo insubstituível.
Que vazio! Imenso e sufocante.
Tenha - e certamente terá - o merecido descanso dos bravos.

Observador.. disse:
20 de novembro de 2014 às 12:42

O falecimento do Dr.Bastos.Que descanse em paz.
Dito isto, penso se alguns (temos hoje até discussão se A ou B é Deus ou não, algo nonsense mas simbólico) lembram-se - sinceramente - que este é o inevitável destino de todos nós.
De repente toda a pompa desaparece.Todos os salamaleques, as bajulações, as certezas...tudo.
O que fica são as boas lembranças deixadas (quando for o caso) e o lamento sincero dos amados que ficam.Nada mais.
Nunca é tarde para ter tal consciência.

Eduardo. Adv. disse:
20 de novembro de 2014 às 13:20

Lembro-me de que ainda na faculdade falávamos sobre admiração a alguns nomes da área criminal e a fascinação que seus profissionais exerciam... Márcio Thomaz Bastos era um deles e sua imagem foi associada à figura de um elegante esgrimista...
O Direito brasileiro perde um grande nome.

Observadordejuris disse:
21 de novembro de 2014 às 08:57

O Dr. Márcio Thomaz Bastos, sem embargo, foi um grande criminalista e construiu uma carreira brilhante nesta área. Agora, afirmar que a advocacia criminal está orfã chega a ser uma afirmativa temerária, já que temos outros tantos profissionais dessa especialidade, que se equiparam a ele, tanto no conhecimento quanto no dom da oratória forense. Descanse em paz, nobre colega. Não resta dúvida que ele deixou um grande legado.

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