Para maioria, financiamento privado estimula corrupção

A maioria da população brasileira (79%) acredita que o financiamento de campanhas políticas por empresas estimula a corrupção, segundo pesquisa Datafolha sobre reforma política encomendada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Para 3% dos entrevistados, o financiamento privado combate a corrupção e, para 12%, não há qualquer relação entre as duas coisas.

De acordo com a sondagem, 74% dos brasileiros são contra o financiamento de campanhas por empresas privadas. São contra principalmente os mais escolarizados e os que têm renda entre 5 e 10 salários mínimos.

A maioria dos brasileiros adultos (65%) tem conhecimento de que nas eleições no Brasil os candidatos e partidos podem ser financiados por empresas, cidadãos, além de receber recursos de um fundo partidário.

OAB-SP

Para presidente da OAB, é preciso criminalizar o chamado caixa dois.
OAB

De acordo com o presidente da entidade, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, as suspeitas sobre a origem do dinheiro que abasteceu campanhas, como apontado em delações premiadas da operação "lava jato" — que investiga corrupção na Petrobras —, reforçam a necessidade de mudanças no sistema eleitoral brasileiro. “O mais adequado para limpar o Brasil, além da devida punição de eventuais culpados, respeitada a Constituição e o amplo direito de defesa, é acabar com o investimento empresarial em eleições e tornar crime a utilização do dinheiro não contabilizado, o chamado caixa dois”, disse.

Conforme o perfil dos entrevistados, 75% disse não ter partido político de preferência.  O levantamento foi feito entre os dias 9 e 13 de junho deste ano com 2.125 entrevistados, em 135 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em maio, a Câmara aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 182/2007, que permite o financiamento de campanhas políticas por empresas privadas. Agora, o Senado deverá deliberar sobre a PEC.

Clique aqui para ver a pesquisa.

Marcelo Galli

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Flávio Souza disse:
06 de julho de 2015 às 21:58

Doutor, o povo não é ouvido pelo Congresso Nacional, aliás um parlamentar com 15 mil votos ou até menos chega ao Parlamento e pode propor projetos de lei, inclusive trilhar por caminhos tortuosos como temos visto, e muitas das vezes são cassados e presos, mas a prisão dura pouco, ou seja, a Justiça solta. Os malefícios que essa gente deixa para o país e sua população é ruim. Enquanto isso, para a população que é cerne da democracia é colocado dificuldade quanto a apresentação de um projeto de lei. Sobre percentuais, lembremos que o Estatuto do Desarmamento tb tem o apoio da população para derrubá-lo na integra, mas infelizmente nada acontece. A maioridade penal tem o apoio maciço da população para derrubá-lo, mas o que vimos na semana passada foi um tapa na cara do POVO. A reforma política é ignorada, haja vista que as mudanças realizadas não farão mudar o quadro visto, pois não sepultaram a figura de suplente de senador para as próximas eleições, ao contrário, derrubaram a reeleição para cargos no Poder Executivo (federal, municipal e estadual) e no caso do Legislativo também não é necessário acabar com a reeleição ? claro que sim, afinal mandato não é emprego. Hoje temos parlamentares no âmbito federal com 3, 5, 7 e até mais mandatos consecutivos. O parlamento precisa de outras vozes e ideais, pois democracia é pluralidade de ideias, renovação, mudança etc. O povo tem que exigir mudanças imediatas na legislação eleitoral, e a aprovação dessa lei será por referendo e/ou plebiscito e a mudança somente pela mesma via, caso contrário em menos de seis meses vira uma colcha de retalhos. As mudanças na previdencia social, na CLT, no PIS, etc em regra só atinge os pequenos. O Brasil tem jeito, basta o povo querer. Abs

Gabriel B.D. Falcão disse:
06 de julho de 2015 às 22:06

Se o financiamento é somente público, o dinheiro gasto é público, e toda a população paga. Eu não quero pagar propaganda do PSOL, por exemplo, mas pago através de impostos. O financiamento público é extremamente violador da liberdade.

Marcos Alves Pintar disse:
07 de julho de 2015 às 12:37

O fato da OAB ficar fazendo politicagem barata para o autointitulado "Partido dos Trabalhadores" é lamentável. A Entidade deveria ter usado os recursos que gastou (que são na verdade recursos de nós advogados) para pesquisar qual a opinião dos advogados brasileiros sobre a reforma política. Como o grupo que domina a OAB são IMPOSTORES, que não foram eleitos pelos advogados brasileiros, eles pouco se importam com o que pensa a classe. Para eles é profissional e economicamente mais favorável apoiar o PT, e assim o fazem.

WF Estudante disse:
07 de julho de 2015 às 20:18

Neste caso poderia fazer um plebiscito, com 3(três) opções, pois diferentemente da posição majoritária do congresso na caso da maioridade, que foi cogitado o referendo para validar a vontade democrática. Neste caso o congresso esta indo contra o "povo" ( minha opinião). Pelo menos, assim acredito, mas:
Nem um, nem outro, nem eu, nem você, apenas a maioria:

Plebiscito:

- Financiamento exclusivamente público.
- Proibição de financiamento por empresas, porém permitido por pessoas físicas e público (como ocorre hoje).
- Proposta atual pré-aprovada na Câmara.

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