Lewandowski e Gilmar Mendes trocam acusações em sessão do STF

Acusações de falta de respeito e estelionato eleitoral marcaram a sessão desta quarta-feira (2/12) do Supremo Tribunal Federal. Os ministros Ricardo Lewandowski, presidente da corte, e Gilmar Mendes discutiram de maneira ríspida no Plenário do tribunal durante julgamento que analisa a possibilidade de condenados em regime semiaberto cumprirem a pena em regime domiciliar, caso não haja vagas nos presídios.

Carlos Humberto/SCO/STF

Ricardo Lewandowski questionou efetividade de programa criado durante a gestão de Gilmar Mendes.

A discussão começou depois que Lewandowski discordou do voto de Gilmar Mendes, que determinava ao Conselho Nacional de Justiça a execução de medidas para fiscalizar o monitoramento de presos. Depois da argumentação do colega, o presidente do STF afirmou que a corte não pode determinar ao CNJ a adoção de determinadas políticas públicas.

Lewandowski disse também que o Programa Começar de Novo, criado quando Gilmar Mendes era presidente do STF e do CNJ, "pode estar ou não superado em função de outros programas que estão em andamento". Gilmar então retrucou que essa questão pode ter qualquer nome, "se não vamos ficar naquela disputa do Bolsa Família com a Bolsa Escola, com os estelionatos eleitorais que se fazem”.

Lewandowski então respondeu que "o CNJ não faz nenhum estelionato". Em nova resposta, Gilmar Mendes disse que chamou "de programa Começar de Novo o programa que faça as vezes dele, porque senão fica muito engraçado” e pediu que Lewandowski tratasse as pessoas com a devida seriedade.

Carlos Humberto/SCO/STF

"Porque eu não sou de São Bernardo, e não faço fraude eleitoral", disse Gilmar.
Carlos Humberto/SCO/STF

"Vossa Excelência está dizendo que eu não o estou tratando com a devida seriedade?", questionou o presidente do STF. A indagação foi confirmada por Gilmar Mendes e fez com que Lewandowski pedisse que a afirmação fosse retirada.

Então, Gilmar Mendes respondeu: "Porque eu não sou de São Bernardo, e não faço fraude eleitoral". Já Ricardo Lewandowski disse: "Eu não sou de Mato Grosso, Vossa Excelência me desculpe. Vossa excelência está fazendo ilações incompatíveis com a seriedade do Supremo Tribunal Federal".

Depois da discussão, a sessão foi encerrada e será retomada amanhã. Com informações da Agência Brasil.

Chiquinho disse:
02 de dezembro de 2015 às 20:31

SOU A FAVOR DO DEBATEBOCA, MESMO NO STF
Sou integralmente favorável a esses “debatebocas”, sejam no Poder Judiciário, seja no Legislativo, seja no Executivo. Isso mostra o DNA da natureza humana quando estão discutindo interesses opostos. Melhor que seja assim do que o silêncio dos pastores bradando ao mundo que Deus é justo!
Prefiro essas trocas de “afagobocas” mesmo na Alta Corte, ao vivo e a cores para o mundo inteiro assistir, do que o silêncio dos que roubam e saqueiam o Brasil na calada da noite e do dia, matando a população de fome, sem educação, sem saúde e sem esperança, feito a maioria esmagadora dos deputados federais, senadores e todos os empresários inescrupulosos, uns ainda soltos e outros presos nas sentenças justas do juiz federal Sérgio Moro.

Marcos Alves Pintar disse:
02 de dezembro de 2015 às 20:42

O debate neste nível não é produtivo, embora empolgue as massas e esteja "na moda". Ambos deveriam ter mais respeito com o dinheiro público.

Fernando José Gonçalves disse:
02 de dezembro de 2015 às 22:51

O STF, como as duas outras instituições no Brasil, está tão desgastado quanto (ou mais) de forma que destemperos desse quilate não causam o menor furor. EXECUTIVO LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO, no mesmo nível (de independência e de descrença) lamentavelmente.

Daniel das Neves Francisco Lopez disse:
02 de dezembro de 2015 às 22:59

Bem que podia ter um link pro vídeo né?

Eduardo. Adv. disse:
02 de dezembro de 2015 às 23:40

O filho do Sr. Cerveró, mesmo que por motivos obscuros, fez um grande favor ao Povo brasileiro.
A bomba-relógio foi desarmada.
Ninguém tinha dúvida, mas agora não dá para esconder.

Eduardo. Adv. disse:
02 de dezembro de 2015 às 23:42

O filho do Sr. Cerveró, mesmo que por motivos obscuros, fez um grande favor ao Povo brasileiro.
A bomba-relógio foi desarmada.
Ninguém tinha dúvida, mas agora não dá para esconder.

JA Advogado disse:
03 de dezembro de 2015 às 09:33

Não creio que haja no mundo uma Corte Suprema cujos ministros batam boca nesse nível. Com a saída do JB tudo indicava que o STF voltaria à normalidade, dos debates institucionais, das divergências normais entre juízes. Mas parece que não.

Rilke Branco disse:
03 de dezembro de 2015 às 10:46

Daqui a pouco vão expedirem "mandado de prisão em flagrante de Gabinetes " por condutas consumadamente permanentes de acusações recíprocas. Esperança Brasil.

Antonio Fernandes Neto disse:
03 de dezembro de 2015 às 12:31

É só olhar as fotos de ambos e vê-se a diferença. O lewandowski demonstra bem a arrogancia daqueles que tomaram os poderes da república a partir de 2002. E para o armando do prado: a grande instituição que era o stf antes de 2002 é isso que hoje se vê. Está bem aparelhado pelos assaltantes do poder executivo que nomeiam e dão posse ao achincalhe do poder judiciário. Infelizmente. Já que não são eleitos, deveriam ser nomeados e empossados pelos membros do judiciário, quando juízes e nomeados pelo mp e pela oab quando promotores e advogados e empossados pelo presidente do stf.

Rocha advogado do ES disse:
03 de dezembro de 2015 às 13:05

Precisam desarmar os espíritos antes dos julgamentos, mesmo sem inferir dos mesmos que já estão formatados em suas plataformas. O Congresso precisa em Emenda Constitucional, mudar o modo de escolha de Ministros dos Tribunais Superiores, que ao meu ver deveria ser eletivo, como Deputados e Senadores, com período pré estabelecido. Advogado Sênior.

LFDG disse:
03 de dezembro de 2015 às 15:34

Consternado, verifico que a mais Alta Corte da Pátria amarga terrificantes momentos, onde, pior que vaidades, disputa-se o poder político (do Executivo).
Saudade de quando lá, no STF, contava-se com a sabedoria, cultura jurídica e humildade de Nelson Hungria, mormente quando se cuidava de julgar ações penais.
A Pátria chora e seu povo pouco importa com suas lágrimas.

LFDG disse:
03 de dezembro de 2015 às 15:34

Consternado, verifico que a mais Alta Corte da Pátria amarga terrificantes momentos, onde, pior que vaidades, disputa-se o poder político (do Executivo).
Saudade de quando lá, no STF, contava-se com a sabedoria, cultura jurídica e humildade de Nelson Hungria, mormente quando se cuidava de julgar ações penais.
A Pátria chora e seu povo pouco importa com suas lágrimas.

Riobaldo disse:
03 de dezembro de 2015 às 17:14

LFDG: você poderia citar Fernando Lira, Tompson Flores, Tercio Lins e Silva dentre tantas celebridades do antigo Tribunal Federal de Recursos, hoje STF, menos Nelson Hungria, que teve sua biografia comprometida pelo então poderoso jornalista Assis Chateaubriand dono da rede de jornais rádio e televisão - Diários Associados. Conta Moares que Chateaubriand na época em que disputava a guarda da filha menor impúbere, de sua ex-mulher, obrigou o ministro a mudar o voto ( como relator ) em seu favor, e com isso ganhar a causa...

isabel disse:
03 de dezembro de 2015 às 18:30

Acho curiosas estas observações, que teriam havido em algum momento da história, Tribunais impecáveis, ministros incorruptíveis !
Ora , sabe-se que até mesmo os jurisconsultos da Roma Antiga já se corrompiam... o ser humano é o mesmo desde que o mundo é mundo !
Bem lembrada a história de Nelson Hungria em relação a Assis Chateaubriand, mas a crônica destes males no Brasil é bem mais antiga, aliás, denunciada até mesmo por Ruy Barbosa : " de tanto ver triunfar as nulidades...."

Nossos ministros, em sua maioria, sao homens e mulheres de grande saber jurídico ... Erram ( e tem errado muito) certamente pela sua condição humana, mas daí a endeusar outras composições ...

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