Leia o pedido de impeachment apresentado pela OAB nesta segunda

A Ordem dos Advogados do Brasil apresentou nesta segunda-feira (28/3) o seu pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O documento é assinado pelo presidente do Conselho Seccional, Claudio Lamachia. Os argumentos são os mesmos que foram antecipados por reportagem da ConJur.

Marcelo Camargo/ABr

“Pedaladas fiscais” e a renúncia fiscal do governo Dilma motivam pedido.

Na peça são usados como argumentos as transferências orçamentárias promovidas pelo governo federal para pagar programas sociais e compensar subsídios dados à indústria, as “pedaladas fiscais”, e a renúncia fiscal concedida às empresas que participaram de obras da Copa do Mundo de 2014.

Lamachia afirma que sua argumentação foi elaborada com “honestidade intelectual, isenção política, fundamentos exclusivamente jurídicos e extremo respeito às divergências naturais a um tema palpitante”. O presidente do Conselho Federal cita ainda Francesco Ferrara para destacar que não se pode ter “excessivo apego à literalidade da lei” para evitar manipulações da norma.

O presidente do conselho mostra ainda que pedidos de impeachment são, de certo modo, algo comum na democracia brasileira desde o fim da ditadura e apresenta os procedimentos solicitados contra todos os presidentes desde 1990:

  • Collor (1990-92): 29
  • Itamar (1992-94): 4
  • Fernando Henrique Cardoso (1995-2002): 17
  • Lula (2003-10): 34
  • Dilma (2011-até o momento): 48

Clique aqui para ler o pedido de impeachment.

*Texto alterado às 22h42 do dia 28 de março de 2016 para acréscimos.

ju2 disse:
28 de março de 2016 às 17:16

A OAB de hoje é igual a de 1964: adora um golpe!

JoaquimFernandes disse:
28 de março de 2016 às 18:37

O procedimento de impeachment é um método previsto na Constituição de 1988 para que, a partir da prática de determinados atos expressamente previstos, possa-se afastar um gestor que, mesmo eleito democraticamente, tenha atentado contra o sistema jurídico. O impeachment é um procedimento tão constitucional e legítimo quando as próprias eleições. Não é algo meramente político, pois tão somente tem procedência se técnica e juridicamente fundamentado.
A presidente da República cometeu diversas ilegalidades na condução das finanças públicas, ilegalidades que foram demonstradas e condenadas no âmbito do Tribunal de Contas da União. Se ela não houvesse as praticado, não haveria fundamento para impeachment. Já que ela as praticou, defendamos a democracia acima dos ídolos para que a lei seja cumprida.
É inquestionável que foram cometidos atos desencadeadores. Veja-se, por exemplo, que foram descumpridos os artigos 163, I, e 165, §2º, da Constituição, e 14, I e II, da Lei Complementar nº 101/2000 (renúncia sem demonstração de que não serão afetadas as metas de resultados fiscais previstos no anexo da LDO e indicação das medidas de compensação). Isso é objetivo, sem margem para discricionariedade. Também é o que ocorre com o descumprimento do art. 43 da Lei nº 4.320/1964, pela abertura créditos suplementares com comprometimento da meta de resultado primário.
Não há democracia sem respeito à lei! Priorizemos o sistema democrático à frente de ídolos! Viva a democracia e ao Brasil, que enfim está funcionando!

Marcelo-ADV disse:
28 de março de 2016 às 19:01

Se pedalada fiscal realmente fosse causa para impeachment, então teríamos o mesmo pedido de impeachment em face de diversos governadores e prefeitos.

Mas até no impeachment tínhamos que ser seletivos, honrando a tradição.

Em síntese: pau que dá em Chico não dá em Francisco.

Advogado pensante disse:
28 de março de 2016 às 19:47

Como em todos os momentos decisivos, a OAB toma o partido da ordem democrática, se colocando ao lado do povo contra toda a estirpe de golpistas e ladrões.

Marcos Alves Pintar disse:
28 de março de 2016 às 23:08

A OAB "do passado" apoiou a Ditadura, assim como Fidel há muitos anos comprou a maior briga da história com os EUA. Os tempos mudam, e as instituições mudam. A OAB de hoje, para o bem ou para o mal, não é a OAB de 1960, assim como Cuba (que agora se abre novamente para o mundo) não é mais a da Revolução Cubana.

Observador.. disse:
28 de março de 2016 às 23:49

Quando o senhor Castro assumiu o poder em Cuba, o homem não tinha ido ao espaço, Kennedy estava vivíssimo e nem era o Presidente Americano, Marilyn Monroe desfilava sua beleza em Los Angeles, os Beatles ainda estavam começando, não existia TV colorida e poucos tinham TVs, a Fórmula 1 era um esporte romântico, em carros em forma de barata e geralmente pilotados por jovens de famílias muito ricas, ainda não havia começado a Guerra do Vietnam e por aí vai.
O mundo mudou brutalmente desde então.
Mas a família ainda está por lá.
Isso diz muito sobre um país e sua forma de governo.
Mas aqui algumas coisas ainda fazem "sucesso".
Também diz muito sobre o nosso país.

Ramiro. disse:
29 de março de 2016 às 01:18

O único e último recurso da presidente é conseguir, a que custo saber-se-á no futuro, conseguir um efeito semelhante ao que se deu no passado na EC Dante de Oliveira, das Diretas.
Não é Dilma que precisa levar um terço da Câmara para votar contra, podem ter apenas vinte votos contra o impeachment e este não acontecer se a oposição não conseguir os dois terços de quórum. Na EC Dante de Oliveira a situação agiu assim, esvaziou o plenário, a EC foi arquivada.
Fato, a OAB apoiou a ditadura, mas as composições da OAB mudam a cada período. Anos mais tarde a OAB foi alvo de atentados a bomba.
A propósito o PT foi ardoroso defensor da Lei Ficha Limpa, e não vamos esquecer que foi Márcio Thomaz Bastos como Ministro da Justiça que começou com a onda de operações espetaculosas da PF, e setores do PT apoiaram publicamente violações de direitos e garantias fundamentais enquanto eram úteis, pareciam atingir apenas os adversários, agora que bebe do próprio veneno, tarde demais para perceber que foi mal o que ofereceu...
Se Dilma cair, pode estar indo tarde.
Particularmente só me preocupam questões como da efetividade dos direitos e garantais fundamentais.
Ninguém em são consciência iria depreciar do nada J. J. Canotilho.
http://jornalggn.com.br/noticia/jj-canotilho-diz-que-brasil-tem-uma-outra-constituicao-feita-por-jurisprudencia-do-stf
Ou seja, a Constituição acaba sendo o que o STF diz que é, e se continuarem os triplos twist carpados hermenêuticos o STF acaba declarando constitucional a pena de morte em tribunais civis em tempo de paz por aplicação de princípios de ponderação...

Roberto Fernandes Rocha Barra Dias Moreira disse:
29 de março de 2016 às 06:30

Apenas para dar parabéns ao nosso Presidente...que tem atuado de forma exemplar em prol da OAB..da Democracia...do Direito..da Liberdade...e das prerrogativas dos advogados...PARABÉNS...PARABÉNS

Péricles disse:
29 de março de 2016 às 07:22

Considerando que até recentemente a OAB estava aparelhada pelo PT, portanto só agora, sob nova direção, é que foi possível protocolar esse pedido de impeachment. RJ e uma outra seccional do Norte do País ainda continuam aparelhadas! Será?

Gustavo Mantovan Silva disse:
29 de março de 2016 às 08:15

Uma vez mais, a OAB mostra por que é instituição essencial à justiça, demonstrando por mais de um fundamento os motivos que autorizam a deflagração do processo constitucional
de responsabilização de um governante.

Em tempos de amesquinhamento da democracia, das leis e da CF, a OAB se coloca na vanguarda dos princípios republicanos, chamando a presidência da república para prestação de contas perante o povo. Isso é tão republicano que não deveria causar espanto nos juristas governistas que querem evitar o devido processo legal, temendo o mérito da questão posta.

É preciso enxergar a democracia como forma de governo inserida no contexto republicano, de maneira que a investidura política pelo sufrágio popular deve ser frequentemente legitimada por atos de responsabilidade constitucional, demonstrando o governante que possui legitimidade de exercício, o que há muito se perdeu e ainda se perde, numa espécie de continuidade delitiva.

No mérito, a tipicidade das condutas tidas por crimes de responsabilidade só cabe ao plenário do Senado, e impedir que um órgão democraticamente eleito aprecie o mérito da questão é opor-se a um dos deveres constitucionais das casas legislativas: o de fiscalizar os atos do governante.

Referendado, entretanto, o impedimento da presidente, ainda sim estará preservado o princípio democrático, tanto porque o processamento e julgamento se dão na instância de representação popular, com a participação das duas casas legislativas, quanto porque a sucessão recairá em pessoa igualmente escolhida pelo povo, afinal o vice também foi eleito.

É absolutamente rudimentar comparar o processo constitucional do impeachment com golpe, e tal comparação só interessa a quem lê a CF sem sair de seu art. 1º.

Fernando Lira disse:
29 de março de 2016 às 08:39

Cunha, outrora fustigado pela OAB, e com razão, não precisamos citar o já muito alardeado, podemos dizer que colocou de lado toda a documentação e praticamente descartou o pedido. Falou em falta de protagonismo e atraso por parte da OAB.
Qual deve ser a sensação de "meio que ser esnobado" por um corrupto desse calibre?
Aguardemos cenas dos próximos capítulos...

Marcelo Cortez disse:
29 de março de 2016 às 09:23

Em 1964 a OAB apoiou o golpe militar que durou, e condenou, o Brasil a 21 anos de escuridão, com torturas, perseguições, mortes, sucateamento do ensino público, etc.
Em 1992 a OAB, na presidência de Marcelo Lavenère, foi levado pelos braços do povo protocolar o pedido de Impeachment do ex-presidente Collor... Resultado: Collor foi inocentado de todas as acusações pelo STF em 2014. Nas palavras da Min. Carmem Lúcia, que não fazia parte do Supremo à época, declarou em seu relatório que "os indícios apresentados pelo Ministério Público Federal são "frágeis", o que "impossibilitam a condenação pleiteada". "É preciso certeza, não basta probabilidade".
Hoje, 2016, nas palavras do mesmo Marcelo Lavenère, "a OAB, juntando-se aos golpistas, assumiu o risco de ser equiparadas a eles."
Decisão tomada no dia 18/03 mostra o comportamento político, amador e tendencioso.
O relatório é contaminado por decisões contraditórias e pessoais do Conselheiro Erick que hora diz que seu compromisso é com a "isenção política, com fundamentos exclusivamente jurídicos (...) passionalidade político-partidária e ideológica (...)." (fl. 05 do relatório). No entanto, no mesmo relatório, para fins exemplificativos, diz: "Neste ponto, renovado as venias, creio assistir razão ao posicionamento MINORITÁRIO externado pela Comissão." (fl. 12 do relatório).
Realmente o conjunto da obra da Ordem é sacramentada como demagógica e oportunista. Assim como as duas últimas vezes, o conjunto da obra ficará marcada na História. Pena que o presidente Lamachia será esquecido pelo conjunto de sua obra.
Para piorar, o Pres. da Câmera, Eduardo Cunha, deu um tapa na cara da OAB dizendo que esta "age atrasada" e descarta o apensamento.
Que vergonha!

Tisiane Mordini de Siqueira disse:
29 de março de 2016 às 10:29

Impeachment sem prova de crime de responsabilidade é golpe. A OAB utiliza metade de seus argumentos para se justificar e para tentar dizer que não está buscando legitimar o golpe em curso. Por que o vice presidente (tido como articulador do golpe) não está incluído na denúncia da OAB?
A OAB está articulada com o futuro presidentegolpista, então?
Colegas, pensem, reflitam, antes de aplaudir, pois a democracia está sendo ferida por quem deveria defendê-la.

hammer eduardo disse:
29 de março de 2016 às 11:56

As cenas de ontem fartamente mostradas e repetidas na Televisão servem de pano de fundo para a necessidade de se acabar de vez com esses partidos de esquerda que nada ajudam e apenas tumultuam a Democracia. Agora vem essa palhaçada engarrafada de que a OAB apoiou a Ditadura , faltou apenas lembrar que aqueles nobres Advogados , Dr.Lamachia no meio , sequer eram nascidos em 1964 portanto a imbecilidade tem pernas curtas de novo.
Patetico foi ver aquele ex-dirigente da OAB Carioca com seus olhos injetados ( sei la devido ao uso de que...) esbravejando como se estivesse num comício em caracas. O nome desta figura imunda SEQUER pode ser mencionado aqui no CONJUR pois o mesmo tem vários "amiguinhos" plantados em vários setores , que feio CONJUR. Fazer blog em épocas difíceis da um trabalhão mesmo porque não da para agradar a Todos. Sugestão pautada na realidade dos tempos atuais, seria melhor a direção do CONJUR "tirar a tomada" da parede ate as coisas se estabilizarem , Deus sabe quando, pega menos mau do que ficar cortando aqui e ali, parece um Bombeiro tentando apagar variados focos de incêndio ao mesmo tempo , simplesmente patético.

Carlitos Bocaiúva disse:
29 de março de 2016 às 12:34

Agiu bem a OAB ao apresentar pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, que, fosse política habilidosa, já teria saído pela porta da frente do Palácio do Planalto. Turrona e resistente a tudo que soe contrário ao PT, optou por sair pela dos fundos, direto ao limbo da história na companhia luxuosa de seu padrinho político e responsável-mor por boa parte de toda a lama que aí vemos.

Antonio D. Guedes disse:
29 de março de 2016 às 14:43

A OAB só deixou de apoiar a ditadura quando se cumularam três constrangimentos a ela: as famílias de classe média e alta passaram a ver seus filhos presos, torturados e até mortos; a ditadura deixou de só constranger históricos e emblemáticos advogados, como Sobral Pinto, e passou a sequestrá-los e humilhá-los; e grandes escritórios, principalmente de negócios multinacionais, perderam clientes e receitas pela incredibilidade no direito e no judiciário.O INTERESSE É A ALMA DO NEGÓCIO! Com o mesmo espírito, age a OAB no sentido contrário, acatando "irregularidades"(Sérgio Moto, sic) jurídicas e movendo impeachments por irregularidades administrativas que dariam ensejo, no máximo, a advertência (TCU). O processo é político mas é também jurídico-penal, carecendo de tipificação objetiva. A OAB busca holofotes e bênção da imprensa (facciosa) para ocultar seu domínio pelas grandes bancas e os interesses de seus clientes, à míngua de líderes de respeito como teve em Raymundo Faoro. Se nos arrependemos (descobrimos que erramos) na eleição do governo, com mandato, tirá-lo do poder é simples: derrotá-lo nas próximas eleições, vencido o mandato. Simples, óbvio e previsto na Constituição!

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