Folha de S.Paulo pede que Dilma e Temer renunciem a seus cargos

Em editorial, o jornal Folha de S.Paulo diz não ver outra saída para a crise que o país enfrenta a não ser a renúncia da presidente Dilma Rousseff. De acordo com o texto, “Dilma deve renunciar já, para poupar o país do trauma do impeachment e superar tanto o impasse que o mantém atolado como a calamidade sem precedentes do atual governo”. O editorial foi publicado no sábado (2/4) e reeditado na capa da edição deste domingo (3/4).

O jornal afirma que “o PT tem o respaldo de uma minoria expressiva”, e por isso o impeachment seria complicado. Nenhum dos motivos aventados pela oposição é “irrefutável”, garante o editorial. “Não que faltem indícios de má conduta; falta, até agora, comprovação cabal. Pedaladas fiscais são razão questionável numa cultura orçamentária ainda permissiva.”

A Folha também pede “a mesma consciência” ao vice-presidente Michel Temer, que assumiria o governo se Dilma fizesse a vontade do jornal: “Dada a gravidade excepcional desta crise, seria uma bênção que o poder retornasse logo ao povo”.

Leia o editorial:

Nem Dilma nem Temer

A presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu as condições de governar o país.

É com pesar que este jornal chega a essa conclusão. Nunca é desejável interromper, ainda que por meios legais, um mandato presidencial obtido em eleição democrática.

Depois de seu partido protagonizar os maiores escândalos de corrupção de que se tem notícia; depois de se reeleger à custa de clamoroso estelionato eleitoral; depois de seu governo provocar a pior recessão da história, Dilma colhe o que merece.

Formou-se imensa maioria favorável a seu impeachment. As maiores manifestações políticas de que se tem registro no Brasil tomaram as ruas a exigir a remoção da presidente. Sempre oportunistas, as forças dominantes no Congresso ocupam o vazio deixado pelo colapso do governo.

A administração foi posta a serviço de dois propósitos: barrar o impedimento, mediante desbragada compra de apoio parlamentar, e proteger o ex-presidente Lula e companheiros às voltas com problemas na Justiça.

Mesmo que vença a batalha na Câmara, o que parece cada vez mais improvável, não se vislumbra como ela possa voltar a governar. Os fatores que levaram à falência de sua autoridade persistirão.

Enquanto Dilma Rousseff permanecer no cargo, a nação seguirá crispada, paralisada. É forçoso reconhecer que a presidente constitui hoje o obstáculo à recuperação do país.

Esta Folha continuará empenhando-se em publicar um resumo equilibrado dos fatos e um espectro plural de opiniões, mas passa a se incluir entre os que preferem a renúncia à deposição constitucional.

Embora existam motivos para o impedimento, até porque a legislação estabelece farta gama de opções, nenhum deles é irrefutável. Não que faltem indícios de má conduta; falta, até agora, comprovação cabal. Pedaladas fiscais são razão questionável numa cultura orçamentária ainda permissiva.

Mesmo desmoralizado, o PT tem respaldo de uma minoria expressiva; o impeachment tenderá a deixar um rastro de ressentimento. Já a renúncia traduziria, num gesto de desapego e realismo, a consciência da mandatária de que condições alheias à sua vontade a impedem de se desincumbir da missão.

A mesma consciência deveria ter Michel Temer (PMDB), que tampouco dispõe de suficiente apoio na sociedade. Dada a gravidade excepcional desta crise, seria uma bênção que o poder retornasse logo ao povo a fim de que ele investisse alguém da legitimidade requerida para promover reformas estruturais e tirar o país da estagnação.

O Tribunal Superior Eleitoral julgará as contas da chapa eleita em 2014 e poderá cassá-la. Seja por essa saída, seja pela renúncia dupla, a população seria convocada a participar de nova eleição presidencial, num prazo de 90 dias.

Imprescindível, antes, que a Câmara dos Deputados ou o Supremo Tribunal Federal afaste de vez a nefasta figura de Eduardo Cunha –o próximo na linha de sucessão–, réu naquela corte e que jamais poderia dirigir o Brasil nesse intervalo.

Dilma Rousseff deve renunciar já, para poupar o país do trauma do impeachment e superar tanto o impasse que o mantém atolado como a calamidade sem precedentes do atual governo.

José Cuty disse:
03 de abril de 2016 às 15:37

Curioso.
A Conjur nunca publicou editoriais do Estadão. Será um alinhamento à linha da Folha de S. Paulo, que, aliás, já é bem conhecida?

Carlos Bevilacqua disse:
03 de abril de 2016 às 17:43

Como se trata da Folha e não do Estadão, cuja linha tb já é bem conhecida... Entrementes, o editorial não tratou da causa principal da crise, as monumentais obras trilhardarias feitas no exterior desde 2009 (hidreletricas, metros, gasodutos, barragens, aneis rodoviarios, aeroportos, portos etc.) que poderiam e deveriam ser no Brasil, pois uma vez conclusas, haveriam de gerar emprego interno, com efeito multiplicador de oportunidades de trabalho, de renda e de progresso. Por sinal, obras no exterior, financiadas pelo BNDES, facilitam muito mais o uso do propinoduto...

Gabriel da Silva Merlin disse:
03 de abril de 2016 às 19:27

Amigos petistas, muito cuidado com a SOMBRA do passado, pois quando menos se espera elas podem voltar...

Machusi disse:
04 de abril de 2016 às 06:13

Para alguém que ainda preserva algum neurônio em perfeito funcionamento, o que significaria a renúncia da Dilma e do Temer?
O PSDB no comando do País, apoiado por uma grande mídia de direita, com o facilitador dos desgastes do PT e do PMDB pelas renúncias.
Óbvio ululante universal ou será que não?
Quero registrar algumas opiniões sobre a Imprensa do Brasil, anunciada por dois brasileiros de destaque e a conclusão decorrente delas, se aceitas, registrada pelo eterno ícone maior da Imprensa.
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
Barbosa aponta falta de pluralismo na imprensa
3 de maio de 2013, 16h04
O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, acredita que a imprensa brasileira não contempla a igualdade racial e critica a concentração da mídia em três jornais de abrangência nacional que “TENDEM PARA A DIREITA”. Em evento na Costa Rica, nesta sexta-feira (3/5), para discutir a liberdade de imprensa.
Barbosa foi o orador principal da Conferência Internacional em Comemoração ao Dia Mundial pela Liberdade de Imprensa, promovida pela Organização das Nações Unidas e denunciou a grande mídia brasileira.
Millôr Fernandes
A imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o País. Acho que uma das grandes culpadas das condições do País, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu pusilânime.
JOSEPH PULITZER ( 1847 - 1911 )
"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".

Pek Cop disse:
04 de abril de 2016 às 06:37

Hoje, 04/04/2016 às 19:00horas no largo São Francisco!!!!

Pek Cop disse:
04 de abril de 2016 às 06:42

Um jornal conhecido ter que pedir a saída de pessoas que não tem mais condições de governar, isso já é demais, tirem logo essa corja para o Brasil retomar seu curso!!!!

Zé Machado disse:
04 de abril de 2016 às 07:32

E quanto ao presidente da câmara e sua quadrilha tudo fica como está! A mídia caiu totalmente na incredulidade.

preocupante disse:
04 de abril de 2016 às 09:56

Não adianta pedir. Ela só sai se for na marra. Pode o país afundar em desgraça a saída espontânea não ocorrerá. A única saída é o impeachment. Se isto ocorrer, que ela leve também seu vice e o presidente da câmara.
As manifestações populares pela indignação do caos econômico e político que assola o país é fundamental para os deputados e senadores defenderem o interesse dos brasileiros insatisfeitos com esse status quo. Por isso, as pessoas devem ir aos milhões para as ruas e nas redes sociais defender o impeachment.

hammer eduardo disse:
04 de abril de 2016 às 10:45

O artigo em questão da Folha deveria ser recortado e emoldurado para se pendurar na parede de Pessoas com vergonha na cara , artigo cada vez mais raro no Brasil.
Também concordo que dilmão JAMAIS vai largar o osso pois é cascuda criada na guerrilha e sabe muitíssimo bem a sua cota pessoal de responsabilidade no projeto do "reich de mil anos" do PT. Eles não tem compromisso com nada a não ser o poder puro e simples , além do mais estão apavorados com a possibilidade de serem apeados do "Pudê" e quem vier depois começar a escarafunchar as bandalheiras e roubalheiras perpetradas neste 14 anos de desgraças para o Povo brasileiro.
Tenho Comigo que o que já foi apurado ate agora "no varejo" não deve chegar a 10% dos esqueletos que os petralhas tem que esconder a ferro e fogo, Celso Daniel no meio . dilmão é arrogante , GROSSA como parafuso de trator e JAMAIS teve preparo para estar no Palácio do Planalto. So não caiu ainda porque nosso povinho vagabundo é FROUXO e a classe politica corrupta como um todo já no DNA. As ocupações de passeatas contra os petralhas deveriam ter a grandeza das que foram feitas na Praça Tahir no Cairo que culminaram com a queda do ditador Hosni Mubarak. Passeatazinha com selfie e food truck de grife JAMAIS vai nos levar a coisa nenhuma. Esta semana a quadrilha petralha terá OUTRO momento decisivo com a avaliação no STF se aquele VAGABUNDO e escroque pode ou não ser Ministro, a que ponto chegamos pois "tecnicamente falando" , aquele VAGABUNDO e ladrão não tem NENHUM direito a foro privilegiado , trata-se de outra jabuticaba típica de nossa justiça de fancaria. Tenho vergonha de nosso povinho vagabundo e desinformado.

Fernando José Gonçalves disse:
04 de abril de 2016 às 11:01

Só na "OLX". Em se tratando de PT, a única coisa realmente importante é a manutenção dos cargos a qualquer custo. Ninguém (desse partido) está ou esteve preocupado com o país. Na verdade ele (país) sempre foi usado para a consecução dos seus projetos partidários e pessoais de poder, de forma lícita ou ilícita. É um horda composta de pessoas que vieram para "ser servidas" e não para servir; para banquetear-se às custas da corrupção franqueada pela abertura dos cofres públicos; pela mentira, cinismo, incúria estelionato e incompetência (isso para dizer o mínimo). Estão pouco se lixando à paralisia imposta à Nação. A única coisa a ponderar é a mantença do "status quo",onde a vontade popular não encontra o mínimo eco, ainda que exteriorizada por mais de 1% da totalidade dos seus membros nas ruas de todos os cantos do país. Para eles foi um ato cívico inexistente e inexpressivo, sequer digno de nota na pauta governamental, a menos que se lhe rotule de 'GOLPE' -palavra que nunca foi tão usada na língua portuguesa-.Mesmo inequivocamente cientes de que protagonizam a agonia da Nação estagnada; do seu povo desempregado;da sua economia em frangalhos;da sua credibilidade mais baixa da história e da falência absoluta, como consequência a curto e médio prazos, ainda assim isso não tem o menor significado, afinal o abismo para o qual arrastam o Brasil se justifica, desde que consigam manter-se no poder. E depois? Bem, depois é só entoar mais um canto de sereia nos palanques da vida para as próximas eleições. As bolsas, camisetas e "marmitex" estão aí para isso mesmo. Não foi assim que conseguiram chegar até aqui ?

Contrariado disse:
04 de abril de 2016 às 12:26

A Falha de São Paulo é da empresa que apoiou a ditadura materialmente emprestando veículos para a repressão e os espaços jornalísticos para veicular as "verdades" que os ditadores queriam. Não é de estranhar este editorial. É de estranhar, porém, é que tantos midiotas ainda dêem trela a esta velha golpista.

ju2 disse:
04 de abril de 2016 às 13:45

Otavinho, que coisa feia! Seu papai já fez caca em 1964!

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