Escritório de advocacia estreia primeiro “robô-advogado” nos EUA

ROSS, o “advogado-inteligência-artificial”, ou “robô-advogado”, começa a trabalhar em breve na Baker & Hostetler, uma das maiores bancas de advocacia dos EUA. Não se espera que ele atue em tribunais tão cedo. Por enquanto, ele só vai atuar no escritório, operando como fonte inesgotável de informações para os 50 advogados da divisão de falências da banca.

O primeiro “advogado”, fruto da inteligência artificial, foi criado de uma costela… isto é, da tecnologia do Watson, a primeira máquina de computação cognitiva, desenvolvida pela IBM, de acordo com os sites The American Lawyer, Gizmodo e Furturism.

O ROSS tem a mesma capacidade do Watson, que pode processar, em apenas um segundo, 500 gigabytes, o equivalente a um milhão de livros, de acordo com a Wikipédia. No programa de televisão Jeopardy, que consiste em perguntas e respostas, ele venceu os dois campeões do país e ganhou US$ 1 milhão — sem dificuldades, porque, afinal, ele teve acesso a 200 milhões de páginas de conteúdo estruturado e não estruturado, que consumiram quatro terabytes de armazenamento de disco. Venceu sem estar conectado à internet.

No escritório de advocacia, ROSS servirá, basicamente, como um colega sabe-tudo, ao qual os advogados podem fazer perguntas em linguagem natural, como fariam a outros advogados do escritório.

Em outras palavras, é uma fonte de consulta avançada, como se fosse uma biblioteca virtual que adquire novos conhecimentos conforme eles surgem e com a vantagem de aprender, progressivamente, a se relacionar com os advogados com o tempo — e com o uso. Isto é, passa a dar respostas mais próximas do que eles esperam.

O “robô-advogado” pode arquivar toda a legislação do país, jurisprudências, precedentes, citações e qualquer outra fonte de informação jurídica. Além disso, pode atualizar seu conteúdo 24 horas por dia, todos os dias, e alertar os advogados sobre qualquer informação nova que afete um caso em que estão trabalhando.

Ao contrário da revolução industrial, que tirou emprego dos trabalhadores, os entusiastas do “robô-advogado” acham que a máquina irá melhorar muito o trabalho dos advogados, principalmente no que se refere à economia de tempo com pesquisas em um corpo enorme — e sempre crescente — de literatura jurídica, para preparar um caso.

Esse computador cognitivo pode fazer inferências da literatura jurídica, selecionar o que for relevante para um caso, formular hipóteses e gerar respostas sustentadas por referências e citações, segundo as publicações. Assim, os advogados podem dedicar seu tempo analisando os detalhes mais complexos dos casos e da legislação mais relevante.

Embora o ROSS esteja preparado para iniciar sua carreira na advocacia na área de falência, em que Baker & Hostetler tem se destacado no mercado, a banca informou que, em breve, ele poderá atuar nas áreas tributária, trabalhista, criminal e de propriedade intelectual.

O advogado Andrew Arruda, CEO da Baker & Hostetler, banca com 900 advogados, fundada em 1916, disse às publicações que outros escritórios de advocacia estão, por enquanto silenciosamente, tratando da aquisição de seus “robôs-advogados”.

No entanto, isso não é um projeto para qualquer escritório de advocacia, por seu alto custo. De acordo com a IBM, só o hardware do Watson custa US$ 3 milhões.

João Ozorio de Melo

é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Gabriel da Silva Merlin disse:
16 de maio de 2016 às 14:39

Cada vez mais a tendência é a utilização de "robôs" ou sistemas automatizados para melhor a eficiência e a produtividade, o futuro está chegando a passos largos...

LeandroRoth disse:
16 de maio de 2016 às 17:58

Bobagem, duvido que isso vai vingar.
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Ouvi a mesma coisa no mercado de traduções há anos atrás. Diziam que os tradutores praticamente se limitariam a usar softwares de tradução, e que um dia inclusive se tornariam obsoletos, sendo substituídos por programas como Babelfish.
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Mas a verdade é que a literatura é uma arte, e como toda arte, só a mente humana está apta a captá-la em sua inteireza. Os textos traduzidos por robôs ficam ridículos, forçados e sem nexo. Melhor que nada, mas ainda assim sem nexo. Nada se compara ao trabalho de um bom tradutor.
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No Direito, acho que se pode dizer a mesma coisa. A exímia elaboração de uma peça jurídica ou de uma sentença minuciosa, lógica e bem fundamentada, não deixa de ser uma arte, um trabalho essencialmente humano.
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Agora, no que toca à tecnologia auxiliar o trabalho dos advogados, disso não há dúvidas. Mas chamar de "advogados robôs" é um pouco apelativo.

Alberto Brigagao disse:
16 de maio de 2016 às 18:39

Inteligência artificial.
Aqui no Brasil, já temos vários "operadores do direito" com alguma coisa artificial na inteligência.

A começar pelo Poder Legislativo que produz um lixo legislativo. Fazem as leis mas não entendem quase nada sobre o sistema jurídico.

Aí, a gente se vira para interpretar.

Hermeneutica na robótica.

Na aplicação das leis, na prática, cada cidadão faz o que quer. Os juízes primeiro decidem e depois fazem um arranjo conveniente para fundamentar. Os advogados se viram e vamos levando. "Deixa a vida me levar"
Costumo dizer que processo judicial não é que nem apertar o botão do elevador.
No elevador, selecionamos o andar desejado e esperamos que o elevador nos leve até lá.
No processo judicial também esperamos que seja assim, mas, frequentemente, o elevador para entre um andar e outro na melhor das hipóteses.
Vamos levando com essa segurança jurídica brasileira.
Que venham os robos. Será uma festa.
Um forte abraço a todos.

Modestino disse:
16 de maio de 2016 às 19:32

Não vejo como um advogado robô, mas um paralegal robotizado, realizando pesquisas doutrinárias e jurisprudenciais por exemplo. A utilização levaria à extinção da exdrúxula figura, que querem criar no Brasil, para empregar bacharéis que não conseguem aprovação no Exame de Ordem.

Jean ODonnell disse:
17 de maio de 2016 às 11:54

Não é um advogado, certo, mas é mais do que um "google" que fala...

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