Governo libera R$ 57 milhões em créditos extraordinários à Justiça

O governo federal liberou mais de R$ 57 milhões em créditos extraordinários ao Judiciário. Os valores foram destinados à Justiça Federal de primeiro grau, à Justiça Militar da União, ao Superior Tribunal de Justiça, ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e aos tribunais regionais do trabalho da 1ª (RJ), 3ª (MG), 4ª (RS), 6ª (PE), 8ª (PA/AP), 11ª (AM/RR), 12ª (SC), 18ª (GO), 23ª (MT) e 24ª (MS) regiões.

A Justiça Federal de primeiro grau foi o destino da maior parte: R$ 18,6 milhões — ou 32%. Em seguida vem o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), que recebeu mais de R$ 15 milhões, que representam 27% dos R$ 57 milhões. No terceiro lugar está o STJ, com R$ 9,8 milhões.

Os R$ 57 milhões transferidos à Justiça são parte de um pacote de R$ 82 milhões. A diferença fica a cabo da Câmara dos Deputados. O aporte de mais de R$ 24,7 milhões vem uma semana depois que a Casa aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda Constitucional 241/2016, que ficou conhecida como a PEC do Teto de Gastos.

Dinheiro escasso
Os R$ 22,8 milhões destinados à Justiça do Trabalho são o segundo aporte feito pelo governo federal neste ano. Em julho, foram liberados R$ 353 milhões em créditos extraordinários para atenuar o corte orçamentário. À época, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), apesar de elogiar o repasse, declarou que o montante era insuficiente.

O CSJT classificou como as situações mais precárias as das cortes do Trabalho de Goiás, do Rio de Janeiro e de Mato Grosso. Nesse novo crédito, o TRT do RJ recebeu mais de R$ 15 milhões; o de MT, R$ 495 mil; e o de GO, R$ 403 mil. No aporte anterior, essas cortes receberam R$ 2,9 milhões, R$ 852 mil e R$ 960, respectivamente.

A Justiça do Trabalho tem uma das situações mais preocupantes. Os cortes chegaram a 30% em despesas de custeio e 90% da verba para investimentos. Por causa disso, alguns TRTs afirmaram que paralisariam suas atividades a partir de agosto. Nenhuma suspensão de atividades ocorreu até agora.

Antes dos aportes, o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), por exemplo, anunciou que demitiria 94 estagiários e 60 jovens aprendizes que trabalham na corte. Também havia dito que devolveria 97 equipamentos alugados.

Em junho, 38 estagiários da área administrativa tiveram seus contratos rescindidos pelo TRT-18. A corte também reduziu funcionários terceirizados, cortando sete postos de trabalho na área de vigilância e seis na copa.

Em nota, o TRT-18 informou que a MP não resolverá os problemas da corte e que manterá os cortes. "Com esses recursos, o tribunal ganha um fôlego suficiente para se manter por aproximadamente mais 15 dias, garantindo seu funcionamento até meados do mês de outubro deste ano."

Outra corte em maus lençóis é o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR). Em abril deste ano, o presidente da corte, desembargador Arnor Lima Neto, classificou a situação como dramática e ameaçou fechar as portas em outubro, mas nada aconteceu nesse sentido. O corte de verbas destinadas ao custeio e aos investimentos foram, respectivamente, 27,85% e 90% menores que as registradas em 2015.

Esse cenário fez com que o presidente do Tribunal Superior do Trabalho e do CSJT, ministro Ives Gandra Martins Filho, se reunisse com o presidente interino Michel Temer, representantes do Ministério do Planejamento, do Ministério da Fazenda, da Casa Civil e do Congresso Nacional. Dias antes, o Tribunal de Contas da União, questionado pelo Ministério da Fazenda, considerou possível a edição abertura de créditos extraordinários “quando a insuficiência de dotação puder potencialmente acarretar a descontinuidade de serviços públicos essenciais”.

Veja os totais liberados pelo governo federal, seus destinos e suas justificativas:

Destino Justificativa Valor (R$)
Câmara dos Deputados Processo legislativo, fiscalização e representação política 24.701.537
Justiça Federal (1º grau) Julgamento de causas na Justiça Federal (nacional) 18.638.755
TRT-1 (RJ) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 15.789.758
Superior Tribunal de Justiça Apreciação e julgamento de causas (Brasília) 9.827.915
Justiça Militar da União Processamento de causas na Justiça Militar da União (nacional) 3.870.000
TRT-3 (MG) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 2.535.361
TRF-5 Julgamento de causas na Justiça Federal (nacional) 2.100.000
TRT-11 (AM/RR) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 1.398.500
TRT-4 (RS) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 642.000
TRT-6 (PE) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 523.004
Tribunal de Justiça do Distrito Federal Assistência jurídica a pessoas carentes 600.000
TRT-12 (SC) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 498.753
TRT-23 (MT) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 495.000
TRT-18 (GO) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 403.140
TRT-8 (PA/AP) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 369.000
TRT-24 (MS) Apreciação de causas na Justiça do Trabalho 170.256
daniel disse:
03 de novembro de 2016 às 21:24

a justiça gratuita é uma das causas importantes deste caos de demandas no país....

daniel disse:
03 de novembro de 2016 às 21:24

a justiça gratuita é uma das causas importantes deste caos de demandas no país....

Kaltss disse:
04 de novembro de 2016 às 02:58

O Judiciário brasileiro é triste, e é ainda mais triste ver a conivência do governo com os abusos do orçamento desse Poder.
O judiciário corta o cafezinho, corta o ar-condicionado, corta estagiário, mas não corta o auxílio-moradia.
Vamos ver aonde vamos parar.

Euclides de Oliveira Pinto Neto disse:
04 de novembro de 2016 às 09:46

Existe um consenso, entre os funcionários públicos, que "o governo têm muito dinheiro, basta imprimir na Casa da Moeda"... na visão simplista e primária, é tudo tão simples...
assim, conscios dessa premissa, criam várias despesas, sem a parcimonia necessária... basta mandar a conta que o dinheiro vem em seguida... não sabem que aquele dinheiro é subtraído da sociedade, que custeia todos os encargos necessários e desnecessários, principalmente da classe política...

AMIR disse:
04 de novembro de 2016 às 09:46

Se o teto constitucional das remunerações fosse respeitado, de quanto seria o repasse? Ou melhor, haveria repasse?

Quando o Poder Executivo transfere essas quantias, ele deixa de aplicar na educação, na saúde, no combate à pobreza etc.

AMIR disse:
04 de novembro de 2016 às 09:46

Se o teto constitucional das remunerações fosse respeitado, de quanto seria o repasse? Ou melhor, haveria repasse?

Quando o Poder Executivo transfere essas quantias, ele deixa de aplicar na educação, na saúde, no combate à pobreza etc.

O IDEÓLOGO disse:
04 de novembro de 2016 às 10:49

Nas Justiças Estaduais a média salarial é de R$ 43.000,00. Tem Desembargador Estadual faturando mensalmente R$ 78.000,00.

O IDEÓLOGO disse:
04 de novembro de 2016 às 10:49

Nas Justiças Estaduais a média salarial é de R$ 43.000,00. Tem Desembargador Estadual faturando mensalmente R$ 78.000,00.

Marcos Alves Pintar disse:
04 de novembro de 2016 às 10:57

É uma pena saber que em época de extrema crise os recursos liberados serão usados quase que exclusivamente para bancar a vida luxuosa dos magistrados brasileiros. Os recursos se converterão em viagens à Paris, compra de novos veículos de luxo, vinhos especiais, etc., etc.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
04 de novembro de 2016 às 11:13

Gosto de ver como é generoso esse nosso executivo (em minúsculo mesmo!). E o judiciário (em minúsculo mesmo!) aceita (por ter pedido) "achando" que não está ficando refém de espertalhões. Quanta ingenuidade !

A corte festejando e a plebe sofrendo !

Trunfim disse:
04 de novembro de 2016 às 12:48

Meirelles afirmou que Dilma "gastou muito com educação e saúde".
Gastar com créditos extraordinários para Magistrados pode, mas gastar para os mais pobre, miseráveis termina em impeachiment e brutal campanha difamatória pela grande mídia canalha (canalha é de Millor)

O IDEÓLOGO disse:
04 de novembro de 2016 às 16:17

A ex- Presidenta Dilma gastou muito com saúde e educação. Apesar de severa, Dilma procurou auxiliar os mais fracos. Foi vencida pela corrupção dos corruptos.

O IDEÓLOGO disse:
04 de novembro de 2016 às 16:17

A ex- Presidenta Dilma gastou muito com saúde e educação. Apesar de severa, Dilma procurou auxiliar os mais fracos. Foi vencida pela corrupção dos corruptos.

Fernando B. T. disse:
04 de novembro de 2016 às 17:47

Santa ignorância, gente! Vendo os comentários aqui, percebo que só repetem discursos sobre a PEC 241, sem ter a mínima noção do que ela dispõe. Ela só evita o AUMENTO das despesas públicas, que vinha crescendo de modo absurdo nos ultimos anos! O país está rumo à falência com o aumento das despesas, o que preocupa os investidores. Essa seria uma injeção de confiança, para conter a imagem negativa.
Meirelles não disse que o Lula e Dilma "gastaram muito com educação e saúde", mas que GASTARAM MUITO MAL, e de modo inconsequente. E outra: enviar verba para estruturar a Justiça do Trabalho, em lugares sucateados, não é beneficiar os ricos! Se não enviasse, os mesmos malas falariam que querem prejudicar os pobres ao prejudicar a Justiça do Trabalho. Vai entender?!

Marcelo-ADV disse:
04 de novembro de 2016 às 19:56

PEC 241: para quem defende o fim do SUS e da educação pública, talvez seja uma boa PEC.

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