A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, decidiu usar a TV Justiça nesta segunda-feira (2/4) para declarar-se contra a “intolerância” e a “intransigência” contra pessoas e instituições.
A fala dela vai ao ar dois dias antes de a corte julgar pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta barrar a execução provisória da pena de prisão após ter sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

José Cruz/ Agência Brasil
A assessoria de imprensa do tribunal divulgou o texto com antecedência, explicando que Cármen decidiu fazer usar espaço da TV porque o “momento pede serenidade”. O texto será lido ao final do Jornal da Justiça, que vai ao ar às 18h30 desta segunda.
Membros do tribunal que defendem a prisão apenas após o trânsito em julgado da condenação têm sido hostilizados nas redes sociais e em público por causa desse posicionamento garantista.
Para Cármen, gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade livre, justa e solidária. “Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro”, disse.
Leia a íntegra do pronunciamento:
A democracia brasileira é fruto da luta de muitos. E fora da democracia não há respeito ao direito nem esperança de justiça e ética. Vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições.
Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade. Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social. Serenidade para se romper com o quadro de violência. Violência não é justiça. Violência é vingança e incivilidade. Serenidade há de se pedir para que as pessoas possam expor suas ideias e posições, de forma legítima e pacífica.
Somos um povo, formamos uma nação. O fortalecimento da democracia brasileira depende da coesão cívica para a convivência tranquila de todos. Há que serem respeitadas opiniões diferentes.
Problemas resolvem-se com racionalidade, competência, equilíbrio e respeito aos direitos. Superam-se dificuldades fortalecendo-se os valores morais, sociais e jurídicos. Problemas resolvem-se garantindo-se a observância da Constituição, papel fundamental e conferido ao Poder Judiciário, que o vem cumprindo com rigor.
Gerações de brasileiros ajudaram a construir uma sociedade, que se pretende livre, justa e solidária. Nela não podem persistir agravos e insultos contra pessoas e instituições pela só circunstância de se terem ideias e práticas próprias. Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais. A liberdade democrática há de ser exercida sempre com respeito ao outro.
A efetividade dos direitos conquistados pelos cidadãos brasileiros exige garantia de liberdade para exposição de ideias e posições plurais, algumas mesmo contrárias. Repito: há que se respeitar opiniões diferentes. O sentimento de brasilidade deve sobrepor-se a ressentimentos ou interesses que não sejam aqueles do bem comum a todos os brasileiros.
A República brasileira é construção dos seus cidadãos. A pátria merece respeito. O Brasil é cada cidadão a ser honrado em seus direitos, garantindo-se a integridade das instituições, responsável por assegurá-los.

Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem onde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor
Será só imaginação ?
Será que nada vai acontecer ?
Será que é tudo isso em vão ?
Será que vamos conseguir vencer ?
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados,
Imaginando alguma solução
Para que esse nosso egoísmo
Não destrua o nosso coração
Será só imaginação ?
Será que nada vai acontecer ?
Será que é tudo isso em vão ?
Será que vamos conseguir vencer ?
Brigar prá quê, se é sem querer ?
Quem é que vai nos proteger ?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você ?
Tal como já ocorreu em outras ocasiões, a postura da ministra Cármen Lúcia é lamentável. Ao que parece sem o devido senso crítico, mete-se a lançar frases que parecem pomposas, mas que não tardaria a "enquadrar" o próprio Supremo. Na época atual, inexiste pessoa ou instituição mais intolerante e desprovida de serenidade do que o próprio Supremo.
"Serenidade para se romper com o quadro de violência."
De fato, esperamos que o STF mostre serenidade e rompimento com o cenário da corrupção, caso seja mantido o entendimento exposto em 2016, ou seja, de o réu ser preso em 2 instância em sendo declarado culpado. É inadmissível um tribunal mudar o entendimento para beneficiar um ladrão que no passado foi o responsável por sua indicação e nomeação ao STF. A Justiça não cabe fazer favores, mas apenas julgamentos.
1ª Instancia, ...2,ª Instancia, ... Sao Justiça, ou não, são por Juizes, ou não ? Se não são, porque continuar existindo, porque processos e Juizes ali ?
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