Família de negro morto por policial branco será indenizada em US$ 4

Depois de horas de deliberação em um tribunal federal em Fort Pierce, no Condado de St. Lucie, na Flórida, um júri chegou a um valor para indenizar a família de um americano negro que foi morto em sua própria casa por um policial branco: US$ 4.

Os jurados destinaram US$ 1 para ajudar nos custos do funeral, que custa mais de US$ 7 mil, e US$ 1 para cada uma das três filhas de Gregory Vaughn Hill Jr., para compensar a perda do pai.

Eles alegaram que Hill, empregado em uma fábrica da Coca-Cola, foi responsável pela própria morte. E decidiram que o policial Christopher Newman não usou força excessiva e que, portanto, o Departamento de Polícia do condado só deveria pagar 1% do valor da indenização — ou seja, 4 centavos.

O roteiro da morte de Hill, segundo os autos, começou com uma mulher andando pela calçada, que não gostou do som muito alto que vinha da garagem do homem negro e chamou a polícia. Dois policiais brancos que atenderam à chamada encontraram a porta da garagem fechada. Bateram na porta e Hill a abriu.

Quando os policiais informaram que estavam ali por causa de uma reclamação sobre o som muito alto, Hill, que estaria “alcoolizado”, simplesmente baixou a porta. O policial Christophen Newman atirou quatro vezes na porta fechada. Um tiro atingiu a cabeça de Hill e dois atingiram seu estômago.

Os policiais chamaram uma equipe da Swat, que usou um robô para escancarar a porta da garagem. Eles entraram e encontraram Hill morto, com um revólver, sem munição, no bolso traseiro de sua calça. Os policiais chegaram a dizer, inicialmente, que Hill estava com a arma na mão, mas essa versão não persistiu.

A mãe de Hill moveu uma ação indenizatória por “morte que gera responsabilidade civil” (wrongful death) contra o Departamento de Polícia do condado, acusando os policiais de negligência. No julgamento, os jurados usaram o fato de Hill estar embriagado para afirmar que ele, não o policial, era responsável por “99% da negligência que resultou em sua morte”.

O xerife Ken Mascara, do Condado de St. Lucie, postou no Facebook: “Estamos muito satisfeitos por ver que esse incidente difícil e trágico tenha chegado a uma conclusão. Gostaria de agradecer o tempo e a compreensão dos jurados e desejar a todos envolvidos no caso o melhor, conforme levam suas vidas à frente”.

O advogado da família, John Phillips, disse ao jornal New York Times e ao site VOX que a parte trágica desse julgamento foi o júri avaliar o sofrimento das crianças negras em US$ 1. O juiz negou aos jornais qualquer informação sobre os membros do júri — como, por exemplo, se eram todos brancos.

O advogado criou uma página no site GoFundMee, esperando que a população ajude a família a reparar os estragos que a Swat causou à casa, que não foram cobertos pelo estado. E está analisando se leva o caso a um tribunal de recursos.

João Ozorio de Melo

é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Professor Edson disse:
05 de junho de 2018 às 13:08

Percebe a diferença cultural e respeitosa da advocacia ? Mesmo em uma decisão ABSURDA como essa em nenhum momento o defensor foi desrespeitoso com os jurados e juiz, em nenhum momento também o defensor disse que iria recorrer a ONU, também não veio ninguém dizer que tinha que FECHAR a corte, tampouco apareceu alguém dizendo que o judiciário é fascista, simplesmente se recorre e pronto, nada mais, sem pirotecnia, sem MIMIMI.

DPF Falcão - apos disse:
05 de junho de 2018 às 21:20

Somente a intenção inequívoca de humilhar a família do morto pode explicar essa decisão.

O IDEÓLOGO disse:
06 de junho de 2018 às 04:05

Exatamente, Professor Edson.
Se fosse aqui no Brasil iriam investigar o Juiz, verificar se ele não usa a mesma meia duas vezes na semana, quanto tem na conta corrente, se bate em mulher.
Estamos muito atrasados com relação aos USA. Quando eles saírem de uma era de desenvolvimento, direitos, ética e passarem a um estágio superior, nós ainda não teremos chegado ao estágio por eles superado.
É o Brasil.

O IDEÓLOGO disse:
06 de junho de 2018 às 04:05

Exatamente, Professor Edson.
Se fosse aqui no Brasil iriam investigar o Juiz, verificar se ele não usa a mesma meia duas vezes na semana, quanto tem na conta corrente, se bate em mulher.
Estamos muito atrasados com relação aos USA. Quando eles saírem de uma era de desenvolvimento, direitos, ética e passarem a um estágio superior, nós ainda não teremos chegado ao estágio por eles superado.
É o Brasil.

Erson Ramos disse:
06 de junho de 2018 às 13:50

Não sou "fã" de carteirinha dos yankees. Eles tem os seus "pecados" e algumas posturas que atendam a lógica humana, MAS tem suas virtudes e valores e portanto não podemos dar vereditos com base numa cultura permissiva onde vale a lei do "quem pode mais chora menos". Os policiais foram desacatados e agiram conforme manda a lei local. PONTO!!! Na nossa cultura católica/latina a população não respeita a lei e quem a representa. Pior é quando nem os agentes se dão o respeito. Não temos segurança, não temos direito a defesa própria e do nosso patrimônio já que qualquer reação ainda que com a arma do bandido podemos ser presos em flagrante e penar nas horrendas prisões brasileiras. Aqui bandido é "coitadinho" e quem delinque considerado "o cara". Pobre país que elege bandidos e quando os corruptos são presos e condenados viram "heróis" ou "injustiçados". Em países como o EUA o cidadão de bem é o herói e que anda "fora da curva" que se cuide porque até mentir em juízo vira motivo de condenação ao contrário do nosso arcabouço jurídico que considera "justo" não produzir provas contra si e só cumprir pena após o "último recurso" que para quem tem dinheiro nunca é julgado. Mordam a língua os críticos da "pintura da casa vizinha" porque a de vocês não tem paredes e nem teto... simples assim...

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